Iberostar Grand Amazon: A selva amazônica ao alcance de todos

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Grand Amazon navega pelas águas do rio Solimões
(fotos: Priscilla Haikal)

A rede de hotéis e resorts Iberostar começou a operar no Brasil em 2005, após a inauguração do navio hotel Grand Amazon. Nesses oito anos de funcionamento, o cruzeiro amazônico all inclusive deixou de ser o principal produto da marca no País, que ampliou seu portfólio nacional com outros dois empreendimentos: o Iberostar Bahia e o Iberostar Praia do Forte. Mesmo assim, a unidade se consolidou no mercado doméstico - hoje público predominante -, conseguindo manter os índices de ocupação acima dos 35%, retorno mínimo necessário para empatar com os gastos de navegação.

O passeio começa no Porto Internacional de Manaus e varia de três a quatro noites, confome a escolha do itinerário - pelo rio Negro ou pelo rio Solimões. A reportagem do Hôtelier News teve a oportunidade de conhecer o segundo trajeto, que inclui caminhada na região de Manacapuru, excursão no lago Janauacá e pesca de piranha em Manaquiri.

Por questões econômicas, a viagem costuma ser a opção de turistas que já visitaram outros destinos anteriormente, geralmente na faixa dos 40 e 50 anos. As atividades começam cedo e não exigem muito esforço físico dos passageiros. A rotina se concentra em descer do navio e embarcar nas lanchas que levarão aos passeios. O próprio trajeto é uma atração à parte, pela vastidão das águas e pela riqueza natural do cenário de matas alagadas.

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* Por Priscilla Haikal

A tripulação do Grand Amazon é de 70 funcionários fixos, incluindo os simpáticos guias que acompanham e orientam os viajantes durante as excursões fluviais e terrestres. São eles que incansavelmente apontam a direção certa onde os turistas devem olhar para ver as espécies dos animais nativos e de aves como o anu, a arara-preta, o japiim, o guariba e o surucuá.

Milton Fernandes é um desses atenciosos colaboradores. Ribeirinho nascido no município de Novo Airão, às margens do rio Negro, aprendeu a falar inglês sozinho - utilizando filmes e músicas -, já atuou como professor do ensino fundamental e médio, e ficou em primeiro lugar no concurso técnico do governo para guia de turismo. Aos 33 anos, pai de um curumim e três cunhatãs, fez uma declaração emocionada no caminho de volta para o navio.

"É por isso que eu tenho orgulho de ser amazonense", revela. Não é para menos. O horizonte que encerra a última noite de programação parece mágico: de um lado da margem o cair da tarde com o céu avermelhado pelos raios de sol que aos poucos se extinguem; do outro, a noite chega iluminada pela Superlua (quando esta fica mais próxima da Terra e parece 14% maior), imensa e brilhante, capaz de hipnotizar. Incrível espetáculo da natureza, no meio do rio Amazonas. Memorável.

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Milton Fernandes impressiona ao explicar sobre as plantas e os animais da região

Por momentos como esse o cruzeiro se mantém como uma proposta agradável e confortável de conhecer a região amazônica. Operando de sete a oito viagens mensais, com ocupação média que varia entre 40% a 50%, a unidade possui capacidade para até 150 pessoas. A próxima docagem da embarcação está prevista para janeiro do ano que vem, num procedimento obrigatório para reparos e manutenção das instalações.

Acomodações
O navio hotel conta com 73 cabines de 23 m² e duas suítes com 50 m², todas com varandas individuais. O espaço externo é bom para apreciar a correnteza dos rios, só tendo o cuidado de manter a porta sempre fechada, evitando assim que as muriçocas - os populares mosquitos - também façam estadia no quarto. Os televisores são de modelo antigo, aqueles ainda de tubo, com poucas opções de canais.

O sinal do satélite costuma oscilar bastante, o que dificulta a utilização de celulares e o acesso à internet. A conexão com a rede mundial de computadores vai depender dos aparatos tecnológicos levados pelos hóspedes, já que inexiste business center no local.

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No deck do terraço ficam localizados o bar, duas piscinas e uma jacuzzi. É o lugar onde os visitantes desfrutam do intervalo das atividades para tomar sol e aproveitar os comes e bebes do all inclusive. Sempre com som ambiente, as ocasiões são apropriadas para conhecer outros viajantes e descobrir a pluralidade dos companheiros de embarcação. O grupo pode ter um casal de alemães que passeiam há meses pelo País e se surpreenderam ao participar das manifestações pacíficas em Manaus; ou ainda um médico brasileiro descendente de japoneses que já fez parte da organização comunista Quarta Internacional; ou quem sabe uma família de americanos na qual o filho mais velho só tira o tênis na hora de dar um mergulho - sim, ele tomava sol calçado.

O ponto alto da interação entre os hóspedes é a apresentação da banda Suvaco de Cobra, formada pelos próprios tripulantes - incluindo o guia Milton Fernandes, citado um pouco acima. A banda anima os passageiros com clássicos da MPB, sem deixar faltar a célebre Whisky a go go, do conjunto Roupa Nova.

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Vista do deck do terraço

A&B
O restaurante principal da unidade é o Kuarup, comandado pelo chef carioca Cláudio Procópio. Responsável pela cozinha do empreendimento há seis anos e meio, o profissional explica que busca mesclar produtos da amazônia com clássicos da culinária internacional.

"Tento manter a variedade de opções no buffet, oferecendo de salmão a tucunaré. Ao mesmo tempo que há refeições com ingredientes tradicionais, têm aquelas que levam itens típicos da região", revela. Questionado sobre o prato mais elogiado da casa, Procópio não hesita. "Tambaqui assado é o preferido dos estrangeiros", pontua.

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O chef Cláudio Procópio

Lazer
As atividades diferem de acordo com o itinerário do navio. Se for pelo rio Negro, são realizados passeios pela região de Jaraqui, observação de botos cor-de-rosa em Novo Airão, visita à Praia Grande, trilha na floresta e observação de pássaros. Já o trajeto pelo rio Solimões inclui a pesca de piranhas, o passeio noturno de lancha para avistar jacarés e o diurno em Manacapurú para ver o nascer do sol, e a visita à casa de um cabloco a fim de conhecer os costumes dos moradores locais. Mas ambas as opções terminam com a observação do encontro das águas dos rios, no retorno ao porto de Manaus.

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O horizonte minutos antes do sol nascer

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O encontro das águas barrentas do rio Solimões com as águas ácidas do rio Negro

Serviço
www.iberostar.com

*A repórter do Hôtelier News viajou ao Amazonas a convite da Iberostar  

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