Jaqueline Queiroz: Não tente mudar seu chefe – Negocie seu sucesso!


Jaqueline Queiroz
(foto: arquivo pessoal)

No livro The Fisrt 90 days Michael Watkins fala sobre o processo de transição de liderança em diversos níveis organizacionais e a otimização de atitudes e planos dentro dos três meses iniciais no cargo e os desafios com relação líder e liderado. Muito é discutido em relação a um fator que vem movimentando a área de liderança nas organizações: Pessoas não deixam empresas e sim gestores. Isto é um fato real. Não falaremos sobre casos extremos de assédio moral ou coisas do gênero, pois são fatores inaceitáveis. Mas creio que nos dias de hoje as pessoas não só deixam gestores, mas também o trabalho, por não estarem profissionalmente realizadas e por fazerem escolhas baseadas no imediatismo.

Visualizando esta situação de outra perspectiva – Michael diz em seu livro que devemos tomar a inciativa de fazer com que a relação entre o líder e liderado, comece por nós mesmos. O que achei intrigante neste ponto, é que sempre esperamos do outro que ele haja de acordo com as nossas expectativas e necessidades, mas e se começarmos a tomar a iniciativa de ser para o outro aquilo que gostaríamos que fossem para nós? Clichê? Eu diria que em todo clique mora um fundo de verdade. No livro, Watkins cita que a natureza da sua relação com seu líder estará baseada em um processo de dialogo continuo – no próprio livro ele cita 5 importantes conversas a serem feitas:

  • Dialogo sobre como seu líder vê a empresa
  • Conversa sobre expectativas
  • Dialogo sobre estilo de conversação
  • Dialogo sobre recursos disponíveis
  • Conversa sobre seu desenvolvimento pessoal

Deste trecho do livro paro e faço uma reflexão: quantas pessoas tiveram ao menos uma conversa com seu líder ou tomaram a iniciativa para negociarem e fazer a relação funcionar? O líder pressupõe que tenha todas as qualidades de motivação, participação e entre outras, mas sabemos que o ideal, ou melhor, o perfeito ainda esta em processo de construção, assim como o nosso próprio desenvolvimento dentro de uma empresa. Assim o perfeito não existirá, o que vai existir é trabalho constante de negociação de interesses e ajuda mútua entre chefe e subordinado.

Negociar seu sucesso presume em tomar as rédeas da sua vida profissional como responsabilidade única e exclusivamente sua. Existem fatores que estão fora de nosso controle? Sim e é exatamente nesses pontos em que o diálogo e a negociação entram como fatores primordiais para se arranjar um meio em que ambos possam trabalhar efetivamente em conjunto, pois a interdependência existente desta relação sempre existirá. O diálogo tem como intenção primordial em esclarecer e colocar ambos na mesma direção, pois muitos dos problemas organizacionais estão contidos nos equívocos gerados pela má ou pré interpretação das intenções e dos objetivos a serem atingidos. Importante frisar que estes diálogos devem ser feitos constantemente, nem que sejam apenas para confirmar se ações que estão sendo realizadas estão de acordo com o plano vigente ou se há necessidade de mudanças.

Dois pontos que considero importantes no livro são: Eduque seu chefe e não surpreenda-o. Deletar expectativas significa formatar e esclarecer ao seu chefe sobre o que você pode e como você consegue atingir suas metas e objetivos. Isto é, educar a percepção dele em relação aos seus recursos e potenciais que você e sua equipe podem oferecer. Isso consequentemente permite em não surpreende-lo com notícias ruins inesperadas ou em visita-lo somente com problemas. É necessário que tenha um plano em como solucionar e discutir possíveis problemas e qual o seu papel na situação antes do diálogo acontecer, a partir daí você pode negociar recursos para que te auxiliem a resolver ou gerenciar uma situação. Este tipo de atitude traz a responsabilidade para si com a conscientização da situação demonstrando controle e responsabilidade das suas funções. A chave destas duas atitudes esta em abrir brechas e oportunidades para negociar seu sucesso, demonstrando pro atividade e participação constante nas tomadas de decisões que exprimem resultados e vão construindo dia-a-dia a sua credibilidade e confiança na relação.

Desta forma, como já disse anteriormente – com exceção aos casos extremos, podemos ter uma relação saudável com nosso chefe se tivermos a inciativa de também nos fazermos presentes e participativos no processo de integração e reciprocidade de relacionamento. “Não tente mudar o chefe” incita a uma reflexão mais profunda: Por que não mudamos nosso ponto de vista e negociamos o nosso sucesso?. Devemos sempre lembrar que o poder de escolha estará sempre em nossas mãos, podemos escolher simplesmente mudar de situação ou podemos achar meios ou saídas para melhorar ou transformar a situação.

Watkins diz que devemos ter 100% de responsabilidade em fazer com que a relação com nosso chefe funcione. O interessante deste ponto é que quando tomamos a responsabilidade para nós em relação ao outro, podemos identificar melhor aonde estamos errando ou acertando, nossos limites e aonde as coisas estão fora do nosso alcance.  Se os pontos negativos persistirem, tomemos o cuidado de olharmos pra nós mesmos e nos respondermos a duas perguntas: O quanto estou realizado neste trabalho? Já fiz tudo o que podia para melhorar ou mudar a situação? Na resposta destas perguntas podemos achar alternativas e reflexões para transformar a nossa má relação com nosso chefe para algo aceitável ou até mesmo muito satisfatório, ou simplesmente mudar. Não nos esqueçamos porém que independente de empresa ou situação, o nosso sucesso sempre irá depender do sucesso do nosso líder/chefe e vice e versa, pois é uma relação interdependente de ajuda mútua e que precisa ser constantemente dialogada e negociada para que se encontre a melhor sintonia possível aonde os dois participem e consequentemente os dois ganhem.

Jaqueline Queiroz é Bacharel em Administração Hoteleira e curso técnico em Administração de Empresas. Especialista em relacionamento com clientes e qualidade, atuou no setor de Guest Service e recepcionista, além de ter passado pelo departamento de Conciergerie e, por últimos, nas funções de Comissária e Supervisora de Atendimento na empresa aérea Emirates, em Dubai. No Brasil trabalhou em marcas  renomadas como Sofitel e American Express.

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