Michel Schnurle lembra carreira e fala sobre desafios em desenvolver a B&B no Brasil

Michel Schnurle iniciou a carreira em meados de 1996

Em agosto de 2016, a B&B Hotels comunicou sua chegada ao mercado da América Latina. Oriunda da Europa onde está presente em sete países, a companhia gerencia mais de 400 propriedades. Na missão latino-americana, a rede montou um plano para se fixar no mercado brasileiro com diversas aberturas. As inaugurações revelam empreendimentos econômicos que têm a praticidade como característica. E, para fixar a nova marca no cenário nacional, alguns executivos locais assumiram o desafio. Um deles é Michael Schnurle, que, como diretor de Desenvolvimento, tem o desafio de apresentar e fixar o modelo de negócios da B&B no mercado brasileiro. 

"Os principais desafios estão ligados ao novo modelo de negócio que a B&B traz ao Brasil, substituindo os tradicionais contratos de administração por contratos de locação", pontua o executivo. "Isso faz com que os projetos da companhia se tornem menos atraentes para os incorporadores, no modelo de condohotel, e mais interessantes para investidores de 'real estate'. E estes últimos não estão muito familiarizados com a hotelaria de uma forma geral, então existe todo um trabalho didático envolvido", completa. "Aos poucos, conforme vamos consolidando nossos processos, produtos e políticas, vamos alcançando cada vez mais este perfil de investidores. Com isso, esperamos aumentar a velocidade de desenvolvimento da rede no Brasil", resume.

Schnurle trabalha no ramo desde que saiu da faculdade, em meados de 1996. À época, acabara de concluir a graduação em Hotelaria pelo Senac, em São Paulo. Da faculdade foi a um estágio curricular no Refúgio Ecológico Caiman (Pantanal do MS). Depois foi contratado para cuidar da área de Alimentos & Bebidas no hotel.

Aperfeiçoando-se na área, o profissional ainda estudou Gestão de Planejamento Financeiro. Fez também uma MBA em Economia de Empresas e um Programa de Formação em Gestão de Projetos. Mais recentemente passou pela Cornell University, no curso de Hotel Real Estate Investments and Asset Management. 

"Acho que entrei na hotelaria por baixo, por meio da minha formação, o que me abriu as portas. O fato de falar alemão e inglês fluentemente, além do português, facilitou algumas coisas no começo", lembra. "Comecei a trabalhar efetivamente como assistente de A&B, na Caiman. Em seguida, fui trabalhar em Fortaleza, também como assistente de A&B, no antigo Imperial Othon. Foi uma experiência bem diferente, pois se tratava de um hotel com foco grande em eventos". 

Numa experiência longe dos hotéis, o profissional atuou com consultoria. Nesse momento, passou a realizar estudos de viabilidade, conceitução de produto e reposicionamento de mercado. "Entre outros, desenvolvemos projetos como o Centro de Convenções SulAmérica, Bourbon Atibaia e Emiliano", comenta. Nesse período apareceram os cursos de planejamento financeiro, gerenciamento de projetos e também o MBA. 

Michel Schnurle: visão atual

Desde quando começou até hoje, o diretor consegue enxergar alguns pontos que foram modificados no mercado de maneira geral. "Quando entrei no setor praticamente não existia hotelaria econômica de rede. Então, acho que essa é a principal mudança, também considerando a B&B", aponta. "Há vinte anos, quando iniciei minha carreira, a presença das redes também era muito mais tímida, principalmente nos mercados secundários", acrescenta. 

O trajeto que percorreu depois da universidade deu parte do preparo que Schnurle precisa na função atual. Na missão de ajudar a empresa europeia a consolidar-se no Brasil, o executivo ressalta os pontos que considera interessantes na empresa. "Um dos aspectos que mais gosto é que a B&B sabe que a hotelaria econômica tem como principal hóspede o viajante doméstico. Por isso, entende que é importante que o produto hoteleiro seja orientado ao esse público."

"Mais que isso, é uma empresa capaz de entender que o hotel aqui deve ser operado do jeito brasileiro, com contratos brasileiros e por uma equipe local", enfatiza. "Até hoje não participei de nenhum processo onde a posição da matriz fosse obrigatória para a B&B no Brasil. Ao mesmo tempo que isso aumenta a responsabilidade dos executivos locais, também nos dá muito mais autonomia e senso de propriedade", acrescenta. O raciocínio do executivo faz sentido quando a rede exibe a assinatura que utiliza por essas bandas, substituindo o internacional B&B Hotels por B&B Hotéis Brasil.

* Foto de capa: divulgação/Mapa Comunicação

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