Móris Litvak: A história serve para nos dar pistas para o futuro

 

Móris Litvak
(foto: arquivo pessoal)

Para onde caminham as vendas online? Pergunta muito batida, não é mesmo?  Está cheio de gente por aí, especialista de todo o tipo, consultorias internacionais, etc, que com maior ou menor grau de certeza fazem afirmações e dão conselhos diariamente a quem se aventurou ou deseja se aventurar nesse mercado.  Uns grátis, outros pagos, alguns muito bem pagos.

Se você tiver a paciência de buscar esses conselhos dados há 10 ou 5 anos atrás e comparar com a realidade de hoje, vai ver que eles de pouco serviram.  E não é por falta de competência ou honestidade dos consultores.  A razão é uma só:  a internet ainda é uma criança de menos de 20 anos onde as coisas ainda não se estabilizaram, as regras mudam todos os dias, as ideias surgem de repente e a realidade se altera bruscamente. 

Eu não tenho a menor pretensão de colocar minha bola de cristal para funcionar.  Se bem que eu possa reivindicar uma vantagem:  comecei meu trabalho na internet muito antes de muito especialista que está por aí, ainda em 1996, ano em que a internet se tornou pública no Brasil.

Portanto, onde procurar algum indício que nos dê pistas que nos mostrem para onde vai o mercado online? Especialmente o do turismo e mais especificamente o da hotelaria, que é o que nos interessa?   Acho que devemos procurar na História, essa mesma, com H maiúsculo. Para que serve a História? Para dar emprego a professores e historiadores? Para ser deturpada conforme a ideologia de quem a conta?  Não. Serve para nos ensinar que certos fenômenos se repetem de forma quase previsível. 

E nessa curta história de apenas 20 anos da Internet, alguns fenômenos já se repetiram várias vezes.   Uma coisa não precisaria ser dita:  o volume de transações online só vai aumentar, em quantidade absoluta e em valores.  Mas, de que forma?

Voltemos à História:  as coisas hoje, devido à tecnologia, ocorrem cada vez mais depressa. Todos sabem que nem sempre foi assim.  Impérios surgiram, cresceram e desapareceram (assírio, romano, otomano, etc). Grandes civilizações dominaram o mundo e hoje nem sequer existem mais.  Ou estão reduzidas a um único país, como a Grécia ou o Egito.

E o que isso tem a ver com o futuro da venda online?  Com a velocidade proporcional aos tempos de hoje, já surgiram e desapareceram verdadeiros impérios digitais, e outros novos surgiram e cresceram e estão aí hoje.   Irão permanecer para sempre, ainda mais neste contexto instável da internet?  

Pesquisas recentes mostram que, cada vez mais, grandes portais vêm se tornando mais um instrumento de pesquisa do que de reserva propriamente dito. Mais de 60% das pessoas pesquisam nos portais e compram direto (hotel e aéreo).   E de onde vem a causa desse fenômeno? 

Pensemos no explosivo aumento do número de pessoas com acesso à internet, o aumento da renda, um cartão de crédito no bolso e a rápida disseminação da cultura desse meio de comunicação. E uma pergunta simples:  porque comprar de intermediários se você pode comprar direto de quem vende o produto?  Bilhete aéreo, não precisa nem falar, não há a menor necessidade de comprar via OTA’s. E o hotel?  

Depois de quase 20 anos tentando convencer hoteleiros a colocar motor de reserva em seus sites, percebo que agora as coisas estão mudando. Não estou aqui fazendo previsões sobre o fim das grandes OTA’s, seria loucura. Mas a concorrência de grandes operadoras locais, a disseminação de ferramentas à disposição das pequenas agencias e mesmo de qualquer hotel, aliada à maior facilidade de uso das ferramentas de marketing digital, além da facilidade de inclusão de meios de pagamento, estão possibilitando a venda direta, cada vez mais pulverizada no turismo como um todo.  De novo, falando das grandes OTA’s será que irão permanecer para sempre, ainda mais neste contexto instável da internet?  

Em épocas de vacas magras, e até magérrimas, com uma briga pelo inventário do hotel, quem levará a melhor? O hotel precisa de rentabilidade, vender pelo seu site é a melhor opção mas não basta.  Temos notícia de OTA’s comprando sistemas de PMS, para ter acesso ao inventário real dos hotéis. Quem viver, verá!

* Formado em engenharia pela USP, Móris Litvak trabalhou na indústria de computadores quando esta surgiu no Brasil e, mais tarde, em assistência técnica. Fundou a WebBusiness em 1996, que iniciou fazendo sites, tendo concentrado-se em sites para hotéis e logo focado em reservas online. Em 2013, a WebBusiness foi vendida a um grupo europeu e atualmente ele comada a easyHotel, voltada ao fornecimento de tecnologia para pequenos meios de hospedagem.

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