"O futuro dos restaurantes de hotéis está em jogo?"; confira a opinião de Natasha Stokes, da JLL

De acordo com Jonathan Doughty, responsável pela consultoria de food service da JLL, nas últimas duas décadas, o turismo gastronômico têm sido uma das principais inspirações para as viagens. "As pessoas querem experimentar a comida que reflete a cultura desses destinos", diz.

Antes considerado como primeira e até única opção para a hora das refeições, os restaurantes de hotéis estão perdendo espaço para as numerosas opções gastronômicas em qualquer destino para onde se viaje atualmente. Além da vasta oferta, a proliferação dos aplicativos com dicas de lugares ou serviços delivery também atesta a afirmação.

Por Natasha Stokes para a JLL

"Hóspedes estão cada vez mais bem informados e sabem o que é boa comida e onde encontrá-la. Eles têm escolha - e os hotéis não podem mais se dar ao luxo de serem complacentes com a oferta de Alimentos e Bebidas", explica Doughty.

O fim da padronização

A AccorHotels confirmou recentemente a intenção de promover a implementação de seus restaurantes e cafés em outros pontos de interesse, enquanto alguns hotéis da Marriott International já oferecem outras opções aos seus hóspedes, como jantar na cadeia de restaurantes Carluccio´s.

"A oferta de serviços de alimentação de tamanho único não funciona mais para hotéis. Em vez disso, os grupos hoteleiros como o IHG estão se concentrando em compor um portfólio de opções de restaurantes, direcionando seus hóspedes para outros locais", afirma Doughty.

Nos chamados hotéis de negócios e lazer, que acomodam viajantes de negócios durante a semana e servem como hospedagem para turistas aos finais de semana, o volume de ocupação consegue justificar a modernização na oferta de Alimentos e Bebidas. Quando bem elaborada, esta oferta pode representar lucros de 20% e 25% do total da receita do hotel.

Ao mesmo tempo em que pensam sobre como tornar seus espaços sociais cada vez mais funcionais, marcas como o Holiday Inn e Tru by Hilton, desenvolvem lobbies abertos como incentivo aos hóspedes ao descanso ou trabalho. E o A&B surge como papel fundamental nesse cenário.

Nos hotéis da marca Moxy Hotel, da Marriott International, a recepção é uma ilha central que também abriga um bar e uma estação self-service. Hóspedes são convidados a comer, beber e passar o tempo em um ambiente elegante e multifuncional, que não só proporciona uma experiência agradável ao hóspede como também cria uma atmosfera positiva para o empreendimento.

Para Doughty, "este é um bom exemplo do que um grupo hoteleiro centenário de alto nível pode fazer no sentido de oferecer um serviço de alimentação promissor e nunca mal administrado. Trata-se de criar um espaço social. A repercussão é o que torna um restaurante de hotel atraente - e não a culinária, o preço ou a localização".

O mercado de restaurantes de hotel ainda é relativamente inexplorado, mesmo com custos imobiliários mais baixos, se comparados com estabelecimentos convencionais. O nicho segue como uma grande oportunidade para profissionais de alimentação e também para hoteleiros criarem experiências inovadoras e marcantes.

Serviço
jllrealviews.com

* Crédito da imagem: Pixabay/Daria-Yakovleva

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