O que a hotelaria pode fazer pela sociedade?

Por Karina Miotto
colaborou Vinicius Medeiros, Luiz Carvalho e Marcia Uhrovcik


A hotelaria tem poder para mudar algumas coisas e ajudar a sociedade seja em projetos ambientais ou sociais. Na reportagem especial desta semana, selecionamos alguns exemplos que observamos por aí - para você ver e se inspirar.


(foto: divulgação)

Na Brascri, Associação Suíço-Brasileira de Ajuda à Criança, em São Paulo, projetos educacionais, profissionalizantes e de apoio são direcionados a crianças surdas, mães adolescentes e jovens de baixa renda. Em 2004, ganhou o Prêmio Bem Eficiente, que a posicionou entre as 50 melhores ONGs do país. Como toda entidade sem fins lucrativos, a ajuda de instituições é master na manutenção e na concretização de projetos. E aí entra o Hilton São Paulo Morumbi.

O hotel realiza diferentes ações que revertem benefícios à ONG. Alguns exemplos: possibilita caixa de coleta de dinheiro (em real ou não), envelope para depósito, R$ 2 por estadia são cobrados de cada hóspede. Graças a isso, R$ 40 mil foram doados à Brascri em um ano e meio. Como é a reação das pessoas ao saberem que também podem fazer alguma coisa? "Nossos clientes reagem muito bem, é 100% perfeito. Não tem como não ficarem sensibilizados. É muito raro alguém se negar a participar", conta Robert Jauer, gerente de treinamento e desenvolvimento da Hilton.


Equipe do Hilton entrega cheque à Brascri
(foto: divulgação)

O dinheiro arrecadado é revertido em dois projetos: o primeiro, chamado de Educ, atua em parceria com escolas estaduais da periferia de São Paulo, instalando bibliotecas, salas de informática e artes. O segundo, conhecido como Segunda Chance, encaminha alunos de maior destaque do Educ para cursos profissionalizantes com possibilidade de entrada no mercado de trabalho.

Além disso, o Hilton tem colaboradores que atuam como voluntários em eventos da Brascri, recebe crianças para que se divirtam em suas dependências, organiza doações de agasalhos e brinquedos para campanhas, doa roupas de cama, mesa e banho...


(foto: divulgação)


Entre outras ações, o hotel também administra o Programa de Educação do Trabalho, onde um professor do Senac auxilia jovens a como se portar em um emprego. Nas duas últimas semanas do curso, vão ao Hilton fazer um mini estágio em todas as áreas. O treinamento, que acontece de 6 em 6 meses, recebe cerca de 40 jovens. Em 3 anos e meio, o hotel já empregou 14 pessoas.

"Outros hotéis podem seguir esses exemplos. Isso é muito importante nos dias de hoje. O Hilton sempre colaborou conosco, em todos os sentidos", afirma Isabel Caballero, assistente da diretoria da Brascri, em nome de todos os trabalhadores da ONG, especialmente de Rose Mary Caruzo Salmon – "ela quem fez os primeiros contatos com o hotel".

Outros empreendimentos e redes também fazem sua parte. Uma das maiores redes hoteleiras do mundo, o Grupo Marriott promove a Semana de Apreciação do Associado desde a sua fundação. "O evento acontece em todos os hotéis da rede no mundo. Aqui promovemos desde nossa abertura, há cinco anos. Para nós já é mais do que uma tradição", explica Cristina Secchim, gerente de RH do hotel, responsável pela coordenação do projeto.


Cristina Sequim

Realizada na segunda semana de maio, a Semana  nada mais é do que um agradecimento aos associados (mais do que colaboradores, são de fato associados da empresa, uma vez que podem adquirir ações da rede) e à comunidade onde se inserem.  "Promovemos atividades para dentro e para fora do hotel. Para valorizar e integrar nosso associado, realizamos um café da manhã no dia 18 de maio, mas este é só um exemplo. Há outras iniciativas também. Já para fora, além de distribuir sopão para os moradores de rua, promovemos a Campanha Doe Amor, quando nossos associados doaram sangue em beneficio da ala infantil do Instituto de Cardiologia de Laranjeiras. Ao todo, 43 pessoas participaram e cerca de 20 litros foi colhido", conta.

O hotel carioca não pára por aí. Há poucas semanas, doou 200 livros para o Colégio Estadual Pedro Álvares Cabral. "E a campanha de doação de sangue deu tão certo que já estamos agendando outra. Um negócio tem que gerar lucro, claro, mas também deve dar uma contrapartida para a comunidade", afirma Secchim.

"A hotelaria é um braço da sociedade. É importante que hoteleiros e hóspedes façam parte de tudo isso. Nós ficamos satisfeitos em poder ajudar. Por outro lado, vemos nossos hóspedes e colaboradores contentes em poder fazer parte dessas ações – às vezes, por falta de tempo e conhecimento, não sabem por onde começar. Em um hotel, conseguimos explicar o que fazemos e ainda incentivar", completa Robert Jauer.

Outras ações

A Atlantica Hotels Internacional (AHI) leiloou uma camiseta autografada do Pelé por R$ 500. A AHI doará ao Instituto WCF-Brasil, braço brasileiro da World Childhood Foundation (WCF), o dobro do valor arrecadado no leilão. O dinheiro irá para os fundos de auxílio às mães adolescentes do projeto Criando Arte, desenvolvido pela Associação Lua Nova, de Araçoiaba da Serra, interior de São Paulo. "Não podemos eliminar o problema social que atinge crianças e adolescentes no mundo todo com uma única ação, mas quando apoiamos projetos sérios, semeamos o começo da solução", diz Paul J. Sistare, presidente e CEO da AHI.


Paul Sistare e a camisa leioloada
(foto: divulgação)

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O Blue Tree Premium Londrina (PR) promove o Inverno Solidário. Clientes que doarem um agasalho ou cobertor ganham um up grade de categoria.

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Até 14 de julho, 124 propriedades da rede Hyatt, nos Estados Unidos, no Canadá e no Caribe, patrocinam sua oitava campanha anual para doação de sangue, o Drive for Live. No ano passado, a arrecadação foi 2.350 mil litros.

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