Oto Gomes, da Gipsy: "Oferecemos experiências, não city tours"


Oto Gomes, diretor do Grupo Gipsy Tours
(fotos: Fernando Chirotto)

Dentro do atual mercado corporativo, cada vez mais competitivo em vista da grande oferta de hotéis e do atual cenário econômico, diferenciais são fundamentais para concretizar uma venda ou fidelizar o executivo.

Os tão valorizados diferenciais no atendimento ao público corporativo são especialidades de Oto Gomes, diretor do Grupo Gipsy Tours, que atua no segmento de turismo receptivo desde 1991.

Nascido em Araçatuba, no interior paulista, o executivo de 44 anos é formado em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Puc). Gomes iniciou sua carreira profissional ainda adolescente, com 14 anos, em um escritório de contabilidade, seguindo depois para uma indústria de telas para pintura. "Conheci muitos artistas naquela época", revela.

Contudo, seu primeiro contato com o turismo surgiu de forma inusitada. "Estava trabalhando no restaurante da minha família, em Ilhabela, no litoral paulista, e percebi que não tinha movimento. Buscando uma melhora no fluxo, fui conversar com os responsáveis pelo turismo na cidade e o senhor Eurípedes (da Silva Ferreira), prefeito da época, nos deu a oportunidade de assumir a Secretaria de Turismo", lembra. "Nossa ação inicial foi criar o primeiro projeto de união turística da época, o Linha Verde, que contemplava nove cidades do litoral paulista, como Santos, São Sebastião, entre outras", conta. "Mais tarde também incluímos destinos do Rio, como Paraty", acrescenta.

No entanto, o turismo local necessitava de mais ações para ser desenvolvido. "Criamos a primeira Central de Turismo de Ilhabela, que se tratava de um quiosque de informações na entrada da cidade", recorda. "Já em 1992, fui convidado a assumir a gerência de Vendas do Hotel Ilhabela para o mercado latino-americano. Atuei até como concierge", lembra aos risos.

A atuação e visibilidade de Gomes foi crescendo no destino, que teve um workshop organizado pelo executivo. "Fiz uma compilação com todos os textos promocionais dos destinos traduzidos para o espanhol e lançamos um workshop da Linha Verde, focado no mercado argentino. Participaram os hotéis Parque Balneário, de Santos, o Hotel Ilhabela e o Wembley Inn, de Ubatuba", explica.

O leque de ações foi crescendo e possibilitou ao executivo a expansão de seu negócio, que passou também a oferecer serviços em outros destinos do país. Em conversa com o Hôtelier News, Gomes fala sobre a evolução do mercado de receptivo no país, apontando também novas tendências e os últimos produtos desenvolvidos por sua empresa.

Por Fernando Chirotto




Hôtelier News: Como foi a fundação e o início do trabalho da Gipsy Tours?
Oto Gomes: Durante a época em que fazíamos o trabalho em Ilhabela, surgiram muitos pedidos para que o mesmo acontecesse em São Paulo. Em 1993, por meio de uma parceria com quatro sócios, abri a Gipsy Tours na cidade com um capital de US$ 14 mil, o qual eu havia ganhado durante a temporada anterior. Já em 1995, comprei a parte dos sócios e me tornei o único diretor da empresa.

Iniciamos o trabalho focados no público argentino e, mais tarde, começamos a abrir mercado no Chile, Paraguai e Uruguai. O objetivo era continuar o trabalho de captação destes turistas para o litoral. Contudo, existia uma demanda de serviços para a capital paulista formada por estes próprios clientes. O começo foi muito engraçado pois, quando eu visitava os empreendimentos da época, ninguém aceitava que havia receptivo em São Paulo. Os hotéis olhavam para a sua cara e davam risada quando você pedia tarifa-acordo. Não existia nada no mercado de receptivo por aqui. Posso dizer que nós criamos 'tudo'.

 

HN: Qual era o público-alvo e quais serviços de receptivo que você oferecia na época?
Gomes: Começei a procurar profissionais as empresas, agências, feiras e congressos internacionais, antes de também iniciar visitas em Câmaras de Comércio destes países. Aparecia de tudo. Como na época todos queriam exportar para o Brasil, eu atendia a diversas empresas de diferentes nichos, para as quais prestava assessoria completa ao oferecer visitas para mercados e grandes centros comerciais.
 
A partir daí fui criando opções como tours. Mesmo assim, o segmento de turismo de São Paulo não vendia e a hotelaria era muito escassa.

HN: Como você observa a evolução da oferta hoteleira e de que modo isto ajudou no trabalho da Gipsy?
Gomes: Para diversificar a oferta, comecei a trabalhar com produtos novos, como os flats que surgiam na época. O problema era que ninguém queria comprar este tipo de empreendimento nos mercados em que trabalhávamos. Naqueles países, o conceito dado aos apart-hotéis eram de meios de hospedagem sem serviços. Com isso, tive que começar a ministrar cursos que chamavam Como vender São Paulo, direcionado aos agentes de viagens, colaboradores do departamendo de vendas de companhias aéreas e outros profissionais do trade destes países - Argentina, Paraguai, Chile, Peru e Bolívia, entre outros.


HN: Como funcionavam os cursos?
Gomes: As aulas duravam duas horas, sendo uma de apresentação e outra de perguntas e respostas. Fazíamos três seminários destes por dia. Neles, dividíamos a cidade de São Paulo por blocos. Com este método, começamos a provar para todos que todas as necessidades dos turistas eram encontradas entre o eixo norte, como o Aeroporto de Guarulhos, e Sul, com o Expo Transamérica e o Transamérica Hotel. Mais tarde consegui incluir nestes blocos as regiões dos Jardins, Ibirapuera, Moema, entre outras.

HN: Como se deu a criação de novos pacotes na Gipsy? Quais opções foram desenvolvidas?
Gomes: Naquela época, nossa oferta já tinha de tudo que os clientes podiam imaginar. Contudo, quando soltei o primeiro pacote GLS, formatado em 1997, ano da primeira Parada Gay, você não imagina o tipo de respostas que recebi (risos). Me mandaram e-mails que diziam coisas como 'nunca mais me mande isso', ou 'a minha empresa é séria, não nos envie este tipo de coisa', entre outros.

Também criei pacotes para a Fórmula 1, times de futebol, no qual oferecia opções para grandes finais, como Boca e Palmeiras, na Libertadores da América de 2000, na qual trouxe 2 mil argentinos para a capital paulista. Assim fui descobrindo novos nichos de mercado e desenvolvendo opções como 'escapadas para o litoral', além de aproveitar eventos da cidade, como feiras, a Bienal de Artes, e muitos outros.



HN: Como foi o ano de 2008 para Gipsy e qual é a expectativa para este ano?
Gomes: A Gipsy passa por uma retomada de mercado, visto que fiquei muito tempo afastado da empresa. Em 2008 voltamos a crescer, atingindo um resultado 30% superior a 2007. Já para este ano, a meta é uma alta de 60%.

Vale ressaltar que hoje trabalhamos com hotéis do país inteiro, chegando a cerca de 490 empreendimentos cadastrados no sistema.

HN: Vamos mudar o foco para a Receptivo Brasil. Como foi sua criação e qual sua área de atuação?
Gomes: A empresa foi criada no início de 2006 para oferecer soluções de transporte ao público corporativo. Nosso objetivo é a diminuição de riscos em logística. Temos como principais clientes as grandes agências corporativas e laboratórios. 

Além disso, participamos de um grupo internacional chamado Universal Group, formado por empresas localizadas em Bogotá, Cali, Medellín, Lima, Buenos Aires, Assunção, Montevidéu e Santiago.
São associadas com perfil parecido ao nosso, que atendem aos seus mercados como Receptivo Brasil e nos ajudam se houver necessidade de mandarmos um cliente daqui para lá.

Também fazemos transporte de artistas e alugamos desde carros até aviões, oferecendo opções para todos os tipos de necessidades.

Crescemos em três anos e, se somarmos aos colaboradores da Gipsy, hoje temos 68 pessoas empregadas de forma direta.

 

HN: Qual seu grande diferencial em relação à concorrência?
Gomes: Comecei a observar que não haviam produtos para o mercado corporativo que oferecesse entretenimento na capital paulista. Hoje existem city tours em São Paulo, contudo, a Receptivo Brasil não oferece city tours, e sim experiências, o que é muito diferente para um executivo. Mostramos a cidade desde seus pontos históricos, que remetem à sua criação, até aspectos atuais, demonstrando como o destino cresceu. Isto, para o estrangeiro, é muito importante.
 
Depois, começamos a diversificar. Hoje consigo apresentar a cidade vista por olhos de vários imigrantes, como franceses, italianos, portugueses e japoneses. Mostramos como o local foi influenciado por diversas culturas através dos serviços oferecidos em nosso novo produto, o Enjoy by Receptivo Brasil -clique aqui para saber mais.

HN: Dentro destes produtos formatados, existe a possibilidade do cliente customizar os serviços?
Gomes: Sim, estamos sempre criando novas opções. Um exemplo foi o caso de uma empresa de sáude que desejava associar sua imagem ao meio ambiente. Para tanto, paramos sete Land Rovers na porta do hotel, colocamos 42 colaboradores da corporação dentro e levamos todos para um passeio na Serra da Cantareira, onde oferecemos um almoço.

HN: Como está a aceitação do Enjoy no mercado? O produto já está ajudando no aumento da receita?
Gomes: A aceitação foi excelente. Apesar do pouco tempo de existência, o produto já representa 8% do faturamento mensal do escritório paulista da Receptivo Brasil.



HN: Qual é a expectativa de crescimento na receita da Receptivo Brasil para este ano?
Gomes: Os números da empresa estão maravilhosos. Creio que devemos crescer pelo menos 20% neste ano.

HN: Fatores externos como a crise econômica e o vírus Influenza A (H1N1) não prejudicam?
Gomes: Não estão influenciando em nada. O que aconteceu foi uma diminuição no tamanho dos eventos, que passaram a ter menos pessoas, contando apenas com os principais executivos das empresas. Mesmo assim, não houveram cancelamentos.



HN: Qual é o grande segredo para manter os resultados durante este cenário?
Gomes: Conseguimos captar novos clientes, o que ajudou a equilibrar os números durante a crise. Além disso, aumentamos nosso quadro e temos hoje cinco gerentes de Relacionamento, o que contribui muito neste processo de captação.

Também sentimos que, com a crise, muitos executivos do setor voltaram a buscar oportunidades de negócios em feiras, o que beneficia o Brasil, sobretudo São Paulo, considerado o centro comercial da América Latina. Ao meu ver, o que mais atrapalha o Brasil é a segurança.



HN: Quais são os projetos futuros da empresa? Algo específico para o trade hoteleiro?
Gomes: Sim, o Enjoy by Receptivo Brasil Curitiba, que pretendemos lançar em 30 dias.
 
HN: O produto será diferente da versão paulista?
Gomes: Curitiba é parecidíssima com São Paulo. A única vantagem é que eles têm uma visão mais turística do destino. O produto será formatado no mesmo molde que a versão paulista, com o diferencial de aproveitar as atrações peculiares da cidade. Vamos oferecer opções como passeio de dragster - Curitiba possui a única pista do Brasil para esta prática -, além de rotas pela Estrada da Graciosa, entre outras.

Contato
oto@gipsytours.com.br

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