PIB da Construção deve subir 0,5% em 2019, diz FGV

PIB da construçãoRetração no setor também deve afetar o mercado hoteleiro

A FGV (Fundação Getúlio Vargas) apresentou ontem (11) durante a reunião de Conjuntura do Sinduscon-SP novas estimativas para o PIB da Construção. De acordo com a instituição, o número sofreu queda e deverá se elevar em 0,5% este ano, e não 2% como era previsto. A projeção é que o PIB das empresas caia 0,5% enquanto os dos segmentos de reformas e autoconstrução se elevem em 2% - resultando em 0,5% para todo o setor.

Coordenado por Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia da SindusCon-SP, acompanhado de Odair Senra, presidente do sindicato, o encontro abordou soluções para reverter a situação de declínio do mercado. “Precisamos mostrar que a construção tem uma dinâmica diferenciada em relação a outros setores, e evitar medidas que a impeçam de retomar seu crescimento”, afirma Zaidan.

Senra destacou o aumento de lançamentos imobiliários acessíveis à classe média e com poucas vagas de estacionamento em grandes eixos de São Paulo - uma das medidas estimuladas pelo Plano Diretor e pela Lei de Zoneamento nos últimos anos. 

Vale ressaltar que a indústria da construção civil é um dos pilares da hotelaria. A queda do PIB aponta uma retração também em empreendimentos hoteleiros, que podem estar em ritmo mais lento com a desaceleração do setor.

PIB da Construção: queda na confiança

Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV/Ibre, explicou que a projeção de queda para o PIB das empresas de construção é consequência do declínio de atividades das construtoras voltadas a obras de infraestrutura, enquanto as edificações ainda apresentam números positivos.

Segundo a economista, o cenário não é favorável para investimentos. Uma das razões é o índice de confiança de outros setores também apresentando queda. De acordo com a FGV, 46,8% dos entrevistados declararam que não farão aplicações em 2019. 

A preocupação no momento é que o governo anuncie a intenção de aquecer o consumo com a liberação de recursos do FGTS. Para Ana Maria, isso pode reduzir os recursos disponíveis do Fundo de Investimento em habitação, já que os mesmos não aumentarão devido ao mercado de trabalho enfraquecido. 

Ela alertou para a necessidade de acompanhar com atenção as mudanças que o governo pretende introduzir no Programa Minha Casa, Minha Vida, responsável por 67,5% das vendas do mercado imobiliário. No primeiro trimestre deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado, os lançamentos dentro do programa aumentaram 42% e as vendas, 8%. A vocação do setor é construir, e não administrar grandes conjuntos habitacionais voltados à habitação de interesse social, comentou.

Reforma tributária

Já Robson Gonçalves, professor da FGV, alertou que a tributação de lucros e dividendos, em estudos no governo, deverá prejudicar severamente a produção imobiliária. Se a medida se concretizar, haverá dupla tributação, das SPEs (Sociedades de Propósito Específico) para a contratante principal, e desta para seus sócios e/ou acionistas. Isto obrigaria os investidores a elevarem a taxa de retorno, o que se refletiria em preços impraticáveis, inviabilizando os negócios.

Com isso, seria desestimulado o modelo que une a formação de SPEs ao RET (Regime Especial Tributário) e ao Patrimônio de Afetação. Responsável pela segurança jurídica que vem impulsionando a indústria imobiliária desde 2004, este modelo dá confiança ao sistema bancário para investir na produção e na comercialização de empreendimentos. E esta confiança seria abalada, se a reforma tributária não considerar as especificidades da indústria da construção, em que cada produto é diferenciado, de longo ciclo de produção e com garantias de sua viabilização tanto para os financiadores como para os consumidores finais.

(*) Crédito da foto: MichaelGaida/Pixabay

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