Protestos derrubam RevPar de Hong Kong em agosto, diz STR

hong kong strProjeto e lei do governo chinês foi catalisador dos protestos

Pesquisa mensal do STR mostra o tamanho do impacto negativo que os protestos contra o governo chinês causam na hotelaria de Hong Kong. Segundo o levantamento, os três principais indicadores do setor sofreram quedas bruscas em agosto. O RevPar da cidade, principal índice, caiu 44,6% na comparação com agosto de 2018, ficando em HKD 649,15.

O nível de ocupação absoluto (63,9%) é o mais baixo para qualquer mês no banco de dados histórico da STR em Hong Kong. Em comparação com agosto do ano passado, o índice teve baixa de 29,8%. Segundo o secretário financeiro Paul Chan, a chegada de turistas à cidade caiu quase 40% em agosto, após uma queda de aproximadamente 5% em julho.

Diminuição da demanda também causou queda nas tarifas médias da cidade (-28,8%), fechando agosto em HKD 1086,16. 

Após um período prolongado de crescimento geral do desempenho hoteleiro, julho foi o primeiro mês que mostrou o impacto dos protestos no setor. No mês, as principais métricas tiveram resultados negativos: ocupação (-4,2%), diária média (-7,9%) e RevPar (-11,8%).

Em meados de agosto, o STR previa uma queda de 19,3% no RevPar para Hong Kong no terceiro trimestre de 2019. Segundo os analistas, o mercado experimentou 19 meses consecutivos de baixa no índice após protestos em 2014. Não havendo tempo suficiente entre essa nova onda para recuperação. 

Caso continuem, esses movimentos podem piorar significativamente o desempenho do terceiro trimestre. Além dos números ruins em agosto, setembro já traz resultados preliminares abaixo das previsões para o mês. 

STR: contextualização

No último domingo (15), protestante tomaram as ruas de Hong Kong em mais uma passeata pacífica que acabou em violência. Milhares de manifestantes antigoverno, trajando máscaras, bonés e óculos escuros para se disfarçar, corriam pelas ruas em perseguições de com a polícia. 

Participantes lançaram coquetéis molotov diante de escritórios do governo, em que a resposta das forças policiais foi usar canhões de água, gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes. A confusão acabou por degenerar um dos distritos comerciais e turísticos mais movimentados do território chinês.

As manifestações foram as mais recentes em quase quatro meses de passeatas, pacíficas em sua maioria. O catalisador dos protestos foi um projeto de lei de extradição do governo chinês, já descartado, que teria permitido que cidadãos de Hong Kong fossem enviadas a julgamento na China continental. Desde então, os movimentos passaram a incluir outras exigências, como o sufrágio universal e um inquérito independente sobre alegações de uso de força excessiva da polícia.

A ex-colônia britânica foi devolvida à China em 1997 mediante a fórmula “um país, dois sistemas”. Isso garante liberdades inexistentes na China continental, como um sistema legal independente, muito valorizado pela população local.

(*) Crédito da capa: Marco Cheng/Unsplash

(**) Crédito da foto: Joseph Chan/Unsplash

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