Raphael Jafet: aula de hotelaria e também de vida

Raphael Jafet - Lobby EspecialJafet escolheu ser hoteleiro após formar-se engenheiro

Descendente de uma família libanesa, que chegou no Brasil há cerca de 120 anos, Raphael Jafet trocou a carreira de engenheiro pela rotina dos hotéis. A mudança de rumos se deu ainda nos anos 1970 e culminou na construção de uma empresa com três empreendimentos. San Raphael Hotel, San Michel Hotel, ambos no Centro de São Paulo, e o San Raphael Country, em Itu (SP) são resultado de uma carreira que está perto de completar 50 anos. Quase um nonagenário, Jafet ainda supervisiona de perto as operações nos meios de hospedagem que levam seu nome. Sobre suas experiências, impressões e rotina, o empresário conversou com a reportagem do Hotelier News.

Num escritório na área administrativa do San Raphael, o executivo cumpre o início de seu expediente diário. As tarefas cotidianas incluem orientações à equipe e inspeções nas dependências do prédio, construído nos anos 1950. "Hoje, o que faço é elogiar e puxar orelhas", resume. 

As funções do empresário, no entanto, já foram mais intensas. Em 1970, quando resolveu assumir a gestão do hotel, cuidava dos detalhes no atendimento e emprestava sua formação engenheira para obras de manutenção e ampliação. "Acredito que no atendimento está uma grande diferença do que a hotelaria já foi para o que ela é hoje", teoriza. "Um hotel, analisado de maneira simples, nada mais é que um prédio de cimento e tijolo. Toda a diferença está no sorriso ao atender a um cliente, em saber que ele gosta de um determinado travesseiro, prefere um quarto específico", aponta.

De acordo com Jafet, esse tipo de atendimento, chamado personalizado, foi a característica que batalhou para virar orgânica dentro do San Raphael. Não à toa, o empreendimento tem ainda muitos clientes habitués e histórias de clientes que permanecem por mais tempo que o convencional.

Para o empresário, preocupar-se com isso é a essência do tipo de hotelaria que aprendeu fazer, e que foi propagada para todas unidades da rede. "Somos uma empresa de hotéis com alma familiar. E isso se perpetua porque existe um traço de união entre as gerações. Assim seguimos em frente", afirma. No escritório do executivo, na parede imediatamente atrás da poltrona de trabalho, há uma foto com boa parte da família. Ali estão alguns rostos que circulam pelos três hotéis como parte do quadro de funcionários. 

Não apenas os parentes de sangue parecem ser da família do patriarca Raphael. A regra da companhia parece ser manter a lista de colaboradores pelo máximo de tempo possível. Parte significativa da equipe tem já tem longo tempo de casa. "Eles fazem parte do relacionamento do empreendimento com a clientela", avalia.

Raphael Jafet: opiniões

O jeito de pensar de Jafet coloca seus hotéis numa prateleira diferente do mercado contemporâneo na cidade. Para ele, tanto o San Raphael, como San Michel, são exemplos de uma hotelaria em extinção. "Não tenho a intenção de fazer comparações dos nossos hotéis com unidades de grandes cadeias. São realidades diferentes no que se refere aos investimentos e também no modo de fazer", argumenta.

Considerando os horizontes distintos, o gestor assegura que se alegra quando olha o patrimônio que construiu. "Está a meu contento. Somos considerados um dos melhores hotéis do Centro da cidade. Isso nos alegra", afirma, destacando que os empreendimentos ficam na região do Largo do Arouche.

San Raphael hotel - quartoJafet assumiu a gestão do San Raphael em 1970

A realização atual com o negócio foi resultado de uma aposta. A propriedade onde está o San Raphael hoje já era da família Jafet quando aberta. À época, a decisão de alugar o edifício para uma empresa que administrava hotéis foi a escolha. Com 20 anos passados, veio a certeza de entrar para o ramo hoteleiro. "O funcionamento não estava a meu gosto. A conservação que o edifício vinha tendo também não", lembra. "Nesse momento entrei em contato com o nosso inquilino, fizemos um acordo", relembra. 

O trato entre as partes colocava o então engenheiro à frente do meio de hospedagem e permitia a continuidade na utilização da marca. "Com isso ganhei quatro anos para deixar as dependências 'zeradas' e testar minha vocação", rememora. Em 1974, o estabelecimento começou a funcionar com o nome atual. Alguns anos depois, o empresário comprou o prédio residencial em frente e o transformou no San Michel. O hotel de Itu é o caçula da empresa e foi adicionado ao portfólio no início da década 1980.

"Nesse momento resolvemos trazer a atividade hoteleira para um grupo que já atuava nos ramos da agricultura, da engenharia e no segmento industrial", revela.  

Sobre a construção de sua trajetória, o empresário cita as características que considera mais importantes em um líder. "A primeira é ser justo", pondera. "Ter bom senso e saber que o empreendimento é fruto da equação entre capital e trabalho também é vital", finaliza.

(*) Crédito da foto: Filip Calixto/Hotelier News

(**) Crédito da foto: Divulgação/San Raphale Hotel

Comentários