Ritz-Carlton Montréal: hospitalidade de luxo há quase 100 anos

 

Fachada de um dos mais exclusivos hotéis de Montréal

(fotos: Chris Kokubo)

 

Seria o 12º hotel naquela temporada norte-americana e eu precisava fechar os 13 meses no Canadá com chave de ouro. Não foi difícil escolher o Ritz-Carlton Montréal para isso. Desde a primeira vez que o vi, imponente, com um elegante capitão-porteiro a postos na entrada, o hotel tinha me chamado a atenção. Só fui conferi-lo na minha última semana em Montréal e a estada derradeira não poderia ter me reverenciado com surpresa melhor.

 

* Por Chris Kokubo

 
 

Chris Kintzos é grego e está há 35 anos recebendo os hóspedes no Ritz-Carlton

 

A Rue Sherbrooke, que corta a cidade de leste a oeste, é endereço dos mais cobiçados de Montréal. Não é à toa que Sofitel, Le Méridien, Four Points by Sheraton e o hotel do Institut de Tourisme et d'Hôtellerie du Québec (ITHQ), para citar só alguns, estão aí localizados. O W e o Fairmont Le Reine Elizabeth também encontram-se muito próximos. 
   
Detalhes do W, ITHQ, Le St-James e Sofitel: alguns dos hotéis que seguiram os passos do Ritz-Carlton ao acreditar no potencial da hotelaria de luxo em Montréal
Lojas de grife, universidades de ponta, estações de metrô e parques completam a lista de tudo o que a rua oferece. Não é de se estranhar, portanto, que um dos ícones da hotelaria mundial esteja no mesmo endereço.
 
Lojas finas e fachada do anexo ao Museu de Belas Artes. Tudo na rua Sherbrooke

O quarteirão onde está localizado o Ritz-Carlton era conhecido, no início do século XX, como o Bloco de Ouro de Montréal. Limitado pelas ruas Guy e Côte dês Neiges a oeste, University a leste, avenidas Cedar e Pine a norte e Boulevar Dorchester a sul, dizia-se, na época de sua construção, que a quadra abrigava mais de 75% de toda a riqueza canadense.
Morangos e chocolates para bem-receber o Hôtelier News

 

Mesmo os amadores em hotelaria já ouviram falar, se não de Ritz ou de Carlton, de Ritz-Carlton. E o nome é, sem dúvida, sempre associado a algo luxuoso. O Ritz-Carlton Montréal, inaugurado em 1912, é prova disso. Um dos mais requintados hotéis da cidade.
 
A entrada vista a partir de lados opostos do corredor
As portas dos elevadores mantêm desenho original
 
E ao lado do elevador de cada andar permanece a caixa do correio que recebia as cartas para os hóspedes. Móveis antigos decoram as áreas comuns
 
No térreo, a mais robusta delas. O business center oferece computadores e impressora
 
Fruto de um investimento de US$ 3 milhões de quatro amigos montrealenses que queriam incrementar e impulsionar a hotelaria de sua cidade, a construção do hotel começou em 1911. Na época, a idéia era batizá-lo com o nome de "Carlton" e aproveitar que o hotel homônimo já fazia sucesso em Londres. Foi então que um dos investidores sugeriu uma homenagem ao melhor amigo Cesar Ritz, responsável pela abertura, há pouco, de um hotel em Paris então reconhecido como um dos mais finos.
Equipe de colaboradores quando o empreendimento foi inaugurado
Na nossa UH, duas camas queen size superconfortáveis
 
O banheiro individual de cada apartamento foi exigência de Ritz para que o hotel levasse seu nome. Numa das paredes, o regulador de quanto tempo a luz do banheiro deve ficar acessa
Amenities exclusivos da Bvlgari
  
O amigo aceitou a homenagem, mas era exigente. Para a utilização de seu nome, Ritz exigia que todos os apartamentos tivessem banheiro, todos os andares contassem com uma cozinha para garantir um bom room service, que os serviços de estacionamento fossem 24 horas e que um concierge estivesse sempre disponível para atender à exigente clientela. E, claro, uma escadaria imponente deveria estar ali no saguão de entrada a fim de que as mulheres pudessem exibir seus belos vestidos da melhor maneira possível em dias de baile. Exigências cumpridas, nascia o Ritz-Carlton Montréal.
 
A escadaria imponente possibilitava a melhor exibição dos vestidos das damas. Vista de baixo - ela leva a algumas salas de eventos - e de cima
 

Desde então, o hotel já passou por diferentes administrações e situações. A mais difícil foi o período pós quebra da bolsa de Nova York, em 1929. Os hóspedes que antes chegavam para ficar semanas, agora iam embora depois de poucas noites. A época pós II Guerra também foi difícil, mas, mesmo sem tantos hóspedes, o Ritz-Carlton nunca perdeu a pose. Em 1947 o hotel foi vendido e um francês - François Dupré - assumiu a diretoria. Com dinheiro, know-how e talento, ele conseguiu reerguer o empreendimento com magnificência e o Ritz-Carlton voltou aos seus dias de glória.

 
 
Na sala anexa à UH, lareira, aparelho de televisão...
...e móveis clássicos. Na mesinha de centro, os deliciosos chocolates
 
Do outro lado do minibar, há uma tábua de passar roupa, um guarda-chuva e roupões
 
Detalhe da mesa de trabalho. Neste móvel branco, outra TV
As 229 UHs são servidas por aproximadamente 300 colaboradores. As diárias médias variam de US$ 225 a US$ 245 durante a alta temporada (que começa com o Grande Prêmio de Fórmula 1 do Canadá, este ano no dia 8 de junho) e de US$ 165 a US$ 179 na baixa. "No verão, nossa taxa de ocupação média chega a 85, 90%. Já no inverno, caímos para 60, 70%", explica Magda Sabella, diretora de Marketing e Vendas, que nos recebeu e nos acompanhou em um requintado café da manhã.
A simpática diretora de Marketing e Vendas Magda Sabella chegou ao Canadá fugindo da guerra no Líbano, em 1977. Para conhecer seu perfil, clique aqui
Pode parecer exagero para um desjejum, mas esta lagosta logo no café da manhã estava espetacular
 
O jardim interno no verão fica assim, todo florido. À tarde tivemos o prazer de degustar um típico chá inglês
E a dúvida persiste: qual delícia atacar primeiro?
Ambiente do restaurante Le Café de Paris: cozinha contemporânea e francesa no jantar
O tira-gosto vem bonito e apetitoso
 
Para acompanhar, sempre uma cesta de pães e um Bordeaux 2004
Aqui, uma das entradas: Tartare de boeuf, champignons sauvages marinés et salade d'arrugula à l'huile de truffe (US$ 17)
Outra opção de entrada é a Salade d'asperges et de saumon fumé maison, pomme de terre rate, feuilles de chêne et micro mesclun, vinaigrette à la moutarde (US$ 13)
Duas opções de pratos principais: um bonito Duo de filet de boeuf et crevette géantes grillées, sauce au Caberne Sauvignon sur polenta (US$ 36)...
...e Flétan grillé, salsa de tomates, citron confit et beurre blanc (US$ 33)
Para finalizar, docinhos e o chá. Infelizmente não guardamos espaço para a sobremesa
Engelbert Lozarlo está há sete anos no hotel, enquanto Jacque St. Laurent, há mais de 20
Madame Sabella explica ainda que 90% do público do hotel está hospedado por motivo de trabalho e que, devido aos serviços de uma cozinha kosher, a clientela judia sempre promove festas no Ritz-Carlton: "A comunidade de judeus é bastante numerosa em Montréal. Nossa área de eventos é muito forte. Geralmente às sextas-feiras temos casamentos muçulmanos, aos sábados, cristãos, e aos domingos, judeus". Detalhe: alugar o jardim interno do hotel não sai por menos de US$ 10 mil.
 
O principal salão para bailes tem entrada pelo lobby
 
Mesas no salão externo e os patinhos que chegaram ainda filhotes
Entrada do Salão Ritz, um dos principais do hotel
 
Duas salas diferentes preparadas para receber reuniões

 

Entre as histórias que as paredes do Ritz-Carlton testemunharam, uma das que chamam atenção é prova do avanço da tecnologia. No dia 14 de fevereiro de 1916, há 92 anos, uma platéia escutou quase sem respirar quando o diretor da Bell Telephone perguntou, em uma das mais antigas chamadas da história: “Alô? É de Vancouver?”. A resposta “Sim” foi recebida com o estouro da garrafa de champanhe. Vancouver fica do outro lado do Canadá, aquele que dá para o Oceano Pacífico, e a chamada telefônica à longa distância conhecia, então, o início de uma era.
Em janeiro de 1992 o hotel foi vendido mais uma vez e tornou-se um dos afiliados da rede Kempinski. Desde 2007, no entanto, o La Grande Dame, como é conhecido na cidade, é administrado independentemente por um consórcio formado pelos grupos Mirellis, Torriani e Rolaco. Sua gestão é realizada pela Torriani Luxury Hotel Management Canada, uma filial da Monaco Luxury Hotels and Resorts, e o hotel continua com a graça, elegância e o charme da época de sua inauguração.
 
São três opções gastronômicas: o Le Ritz Bar, o Le Jardin Du Ritz, externo, que só abre no verão...
...e o Le Café de Paris...
...que também tem entrada direta pela rua

  No lobby, vitrines de lojas próximas ao Ritz-Carlton
 
No primeiro andar, além da parte administrativa e as salas de reuniões, ainda funcionam a barbearia...
...e a academia

 

Em breve, um dos mais antigos ícones da hotelaria de Montréal deve fechar as portas. Mas calma. O Ritz-Carlton vai passar por uma reformulação milionária - mais de US$ 100 milhões - e o resultado será um hotel renovado de acordo com os mais modernos conceitos de hospitalidade, conforto e luxo. O prédio atual será ampliado e uma ala de apartamentos residenciais deve ser inaugurada. As 229 UHs serão reduzidas a 130, mais 35 condo-residências e 15 condo-suítes.As reformas estão previstas para iniciar no próximo inverno canadense (que começa em junho) e devem levar 15 meses para ser concluídas.
 
Andrew Torriani, presidente e CEO do hotel, e outro ângulo lateral da entrada

 

Para concluir esta matéria sobre o 12º hotel visitado na América do Norte durante esta temporada canadense, um pequeno giro por alguns lugares extremamente recomendados caso você esteja pensando em passar uma temporada pelas províncias de Québec e Ontário.
 
Cheguei em Montréal era setembro. Aqui, duas fotos tiradas no final do outono, em novembro
 
O inverno chegou e congelou praticamente toda a Chute Montmorency, na cidade de Québec, a capital da província. À direita, a animação não acaba com o frio e leva a uma corridinha no Parque Mont Royal coberto de neve, em Montréal. Fotos de fevereiro
A primavera se faz visível no Festival de Tulipas de Ottawa, capital do Canadá, no final de maio
 
São tantas cores diferentes que ficou difícil escolher as fotografias. O festival é um espetáculo, com tulipas azuis, roxas, negras, brancas, amarelas, vermelhas, rosas...  À direita, a torre do Parlamento canadense e o tapete vermelho natural
 
Quando o verão começa a dar as caras, todo mundo vai aos parques aproveitar os breves meses de calor. No Mont Royal, todos os domingos há o Tan-tan, que recebe percussionistas de todos os estilos e idades. A foto foi tirada em junho
 
O Festival de Jazz de Montréal é um dos maiores do mundo, com atividades pagas e muitas gratuitas ao ar livre. O verão ainda tem festival de cerveja, de música francesa, de fogos de artifício...
 
Em Ontário, próximo à cidade de Toronto, estão as impressionantes Cataratas do Niágara, que despertam sempre a lembrança do Pica-pau. À direita, a queda do lado canadense, em forma de ferradura de cavalo. Fotos de agosto
 
E um lugar que também vale a pena visitar é a península da Gaspésie. Por lá só se escuta francês, há muita natureza, observação de baleia, de pássaro, de urso... É a saída do rio São Lourenço no Oceano Atlântico. Hospedagem em conta e muita história pra contar depois. Fotos também de agosto. O verão vai dando tchau...
Para fechar o ano, voltamos ao outono com um pôr-do-sol no rio conhecido como Fiorde Saguenay, um braço da margem esquerda do São Lourenço que percorre o interior do Québec e vai formar o Lac Saint Jean. O ano passou voando

 

Serviço

Ritz-Carlton Montréal

Rue Sherbrooke Ouest, 1.228

Montréal, Québec, Canadá

H3G 1H6

www.ritzmontreal.com

Para conhecer mais sobre o hotel leia No Ordinary Hotel - The Ritz Carlton's First Seventy-Five Years, de Adrian Waller. Véhicule Press, Montréal.

 

 

* A reportagem do Hôtelier News hospedou-se no Ritz-Carlton Montréal a convite do hotel.

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