Sem surpresas, PIB encolhe 0,2% no 1º trimestre

PIB - resultado final trimestreDepois de fechar 2018 em queda, a indústria teve novo tropeço este ano

O BC (Banco Central) já havia se antecipado. Hoje (30), a realidade efetivamente bateu a porta. Como previsto, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou queda no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro no primeiro trimestre. Chama atenção a fraqueza apurada em segmentos importantes como indústria, agropecuária e investimentos. Foi o primeiro recuo trimestral no indicador desde o fim de 2016.

Segundo o IBGE, o PIB nacional caiu 0,2% frente aos últimos três meses de 2018. O resultado confirma previsões do BC, que vem fazendo seguidas reduções nas estimativas de alta para o indicador este ano. Na última, um pouco mais branda, a expectativa de crescimento diminuiu de 1,24% para 1,23%. Para economistas, o desempenho confirma o quadro de dificuldades da economia para decolar e, mais ainda, as preocupações com as perspectivas.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2018, o PIB brasileiro subiu 0,5% este ano. Os resultados ficaram em linha com a mediana das expectativas em pesquisa da Reuters. Vale destacar que a atividade econômica terminara 2018 com leve expansão de 0,1% entre outubro e dezembro frente aos três meses anteriores. No ano, o incremento observado foi de 1,1%.

“O que temos visto é um compasso de espera. As empresas estão postergando as opções de investimento. No momento em que dermos sinal claro de que vamos avançar na reforma da Previdência... entraremos em um ciclo produtivo e a economia vai deslanchar”, disse Carlos da Costa, secretário especial de Produtividade e Emprego do Ministério da Economia, em entrevista à Globonews.

PIB: indicadores

Apesar de a inflação e os juros terem permanecido em patamares baixos, a esperada retomada do consumo e da indústria não se concretizou. Como pano de fundo, um desemprego permanece elevado, com 13 milhões de desempregados. “Depois de 2014 houve queda no PIB e podemos dizer que a economia não recuperou o que perdeu na crise econômica”, avalia Cláudia Dionisio, gerente de contas trimestrais do IBGE.

Os dados do IBGE mostram que, do lado da produção, a indústria e a agropecuária apresentaram recuos no primeiro trimestre sobre o período anterior. A primeira teve contração de 0,7%, depois de ter terminado o ano passado também em queda. Já o setor agrícola cedeu 0,5%, primeiro resultado negativo desde terceiro trimestre de 2017. O setor de serviços, onde se insere o turismo e a hotelaria, foi o único a crescer, com leve expansão de 0,2% – nono resultado consecutivo no azul.

Na ótica das despesas, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador dos investimentos no país, teve forte queda de 1,7%. O resultado, entretanto, superou o recuo de 2,4% visto no quarto trimestre de 2018. Segundo economistas, apesar de ainda não ter decolado, foi o consumo que impediu uma queda maior no PIB. Isso porque as despesas das famílias e do governo aumentaram 0,3% e 0,4%, respectivamente.

(*) Crédito da capa: pixel2013/Pixabay

(**) Crédito da foto: marcin049/Pixabay

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