Serviços têm queda recorde de 6,9% em março; turismo despenca 30%

Em reflexo direto do impacto do coronavírus, o volume de serviços de serviços cedeu 6,9% em março, no pior resultado mensal desde o início da série histórica, em 2011. A baixa tem relação com a suspensão de serviços não essenciais, adotada por estados e municípios para tentar conter a disseminação da Covid-19. Os dados divulgados hoje (12) são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Já a Fecomercio mediu um tombo ainda maior no turismo, cuja atividade recuou 30% frente a fevereiro. 

Voltando aos dados do IBGE, o principal tombo se deu no segmento de serviços prestados às famílias, que recuaram 31,2%. Os principais afetados foram restaurantes e hotéis, de acordo com o levantamento. “Algumas empresas de setores considerados não essenciais, como restaurantes, acabaram tendo que funcionar de forma parcial, muitas vezes migrando para o sistema de delivery, mas os hotéis não têm essa opção e acabaram fechando”, comentou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa.

De acordo com o IBGE, o resultado de março foi impactado principalmente nos últimos 10 dias do mês, quando as paralisações começaram. Em São Paulo, por exemplo, desde 24 de março, apenas serviços essenciais funcionam. No Rio de Janeiro, decretos com medidas restritivas saíram antes, em 17 de março. O instituto informa também que, na comparação anual, a queda no indicador é de 2,7%. Já no acumulado do ano, o setor de serviços tem variação negativa é de 0,1% na comparação com igual período do ano anterior. Divulgada semana passada, pesquisa da PMI (Índice de Gerentes de Compras) já apontava quadro similar.

Setor de serviços - dados turismo março_capaServiços prestasos à família, o que inclui a hotelaria, tiveram maior retração 

Serviços e o turismo

O setor de serviços tem forte peso sobre o PÌB (Produto Interno Bruto) nacional. Estima-se, por exemplo, que o segmento responda por mais de 60% da atividade econômica do país. Em 2019, por exemplo, fechou o ano com alta após cinco anos consecutivos de retração. Entre os diferentes ramos que o compõem está o turismo, que registrou um tombo de 30% frente a fevereiro, queda mais intensa da série histórica. 

Em relação a igual período de 2019, o recuo é um pouco menor (28,2%), mas interrompeu seis taxas positivas seguidas no indicador. Segundo a entidade, queda de receita de restaurantes, hotéis, transporte aéreo e rodoviário coletivo de passageiros pressionou o indicador.

Todas as doze unidades da federação onde as atividades turísticas são avaliadas pela Fecomercio acompanharam o movimento. Rio de Janeiro (-36,6%), Minas Gerais (-30,8%) e São Paulo (-28,8%) apresentaram as performances mais negativas.

(*) Crédito da foto: Arquivo HN

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