Torquato, candidato a presidente da ABIH, quer descentralização

Enrico Fermi Torquato é, atualmente, presidente da ABIH-RN
(fotos: divulgação)
 
A eleição que irá definir a presidência da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) para o biênio 2011-2012 acontece no dia 24 de novembro, em sua sede, em Brasília. À frente de um dos órgãos representativos da hotelaria, o novo presidente terá como grandes desafios promover o fortalecimento e a união da entidade, dar continuidade ao processo de classificação da hotelaria, preparar o setor para os grandes eventos esportivos dos próximos anos, além da aproximação com outras entidades.
 
Enrico Fermi Torquato está disposto a enfrentar essas questões. Como candidato da chapa Integração Brasil, ele propõe, entre outras coisas, uma gestão participativa, descentralizando a entidade, além de investir na qualificação e capacitação do quadro de colaboradores da hotelaria. Outra de suas bandeiras é o maior combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, problema recorrente em todo o Brasil.
 
O executivo, que também é presidente da ABIH do Rio Grande do Norte, já atua em diferentes áreas relacionadas ao turismo e à hotelaria. Há 21 anos é proprietário do Natal Praia Hotel, instalado na Praia dos Artistas, é diretor financeiro do Natal Convention & Visitors Bureau, membro do Conselho do Senac e coordenador da Câmara de Turismo da Fecomércio-RN. Conversamos com Torquato para saber um pouco mais sobre suas propostas e seu posicionamento frente à importantes questões do mercado hoteleiro atual.
 
Por Juliana Bellegard
 
O executivo acumula experiência também na hotelaria:
 é proprietário do Natal Praia Hotel
 
Hôtelier News: Qual o papel da ABIH no mercado?
Enrico Fermi Torquato: A ABIH Nacional desempenha papel de grande importância para o mercado da hotelaria, tendo em vista o crescimento do setor nos últimos 20 anos e sua missão institucional
de coordenar e organizar o setor, cobrando a definição de políticas públicas que eliminem gargalos para garantir o seu efetivo desenvolvimento sustentável. Neste sentido, ética, planejamento estratégico e a clara definição democrática de metas devem nortear a nossa gestão.
 
HN: E como você enxerga a hotelaria hoje?
Torquato: Em constante ebulição. Temos um mercado consumidor crescente, com 30 milhões de consumidores emergentes e mais 50 milhões previstos para os próximos dez anos, sem falar nos desafios de sediar a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. Estamos, portanto, conscientes das responsabilidades que recaem sobre a entidade, que é notadamente presente no mercado como o elo da integração setorial.
 
HN: Por que se candidatar à presidência?
Torquato: Há três anos, fui candidato à presidência da ABIH Nacional, tendo retirado minha candidatura para apoiar o senhor Álvaro Bezerra de Mello, pernambucano e cidadão do mundo a quem tanto admiro e respeito pela trajetória empresarial e sua inegável contribuição associativa, tendo a honra de integrar sua atual diretoria. Agora, com a desistência de Álvaro de pleitear a reeleição, o grupo entendeu que seria o melhor indicar meu nome como cabeça de chapa e candidato à presidência nacional da ABIH, por acumular larga experiência associativa, com 12 anos na direção da ABIH-RN e tendo sido presidente reeleito. 
 
HN: Quais seus projetos, caso seja eleito?
Torquato: Nosso pleito pela chapa Integração Brasil está ancorado num programa democrático, que promove a ampla participação associativa e compreende a importância da hotelaria no atual
cenário de desenvolvimento da atividade turística em nosso país, que exige modernidade e dedicação à valorização setorial. Além de reestruturarmos o modelo de gestão corporativa, adequando e ampliando a participação das associadas para fazer frente aos desafios atuais do setor, nosso projeto prioriza ações voltadas à qualificação profissional, de maneira extensiva e capaz de atingir toda a mão de obra empregada na hotelaria. Nossos compromissos incluem incrementar medidas efetivas de combate à exploração sexual na infância e adolescência. Com esta e com outras frentes de atuação, definidas sob a ótica das responsabilidades sociais e
ambientais que competem à entidade de representação máxima da hotelaria no Brasil, trabalharemos em parceria com o poder público, aprimorando as políticas públicas em favor dos legítimos interesses de nossos associados. Nosso projeto, a rigor, está apoiado na visita que estamos procurando realizar pessoalmente a todas as regiões do país, conhecendo de perto necessidades e expectativas específicas, que caracterizam e diferenciam a realidade vivenciada por cada ABIH estadual.
 
 
HN: Há uma 'bandeira' principal, algo que seja central em sua plataforma?
Torquato: Sim. Modificar e aprimorar o modelo de gestão corporativa, assegurando a profissionalização, a transparência e a defesa veemente da participação democrática.
 
HN: O que falta na entidade? Quais pontos precisam ser retrabalhados, melhorados?
Torquato: Temos o compromisso de proporcionar maior assistência às ABIHs Estaduais, investindo na melhoria dos canais de comunicação com os dirigentes regionais e fortalecendo a interatividade com todos os associados. Para tanto, adotaremos um modelo de gestão descentralizada, por meio da formação de um Conselho Deliberativo, que contemple a participação igualitária de todos os estados e do DF nas decisões que traçarão os rumos da entidade. Do mesmo modo, adotaremos a profissionalização da gestão, orientada para implementar um planejamento estratégico atualizado concebido de modo que possa ser efetivamente colocado em prática, com metas e prazos.
 
HN: De que forma se dará esta gestão participativa proposta pela sua chapa?
Torquato: Uma vez eleita a diretoria executiva da ABIH Nacional, daremos imediata formação do Conselho Deliberativo da entidade, constituído por um representante de cada ABIH estadual e do DF. Assim, na prática, todas as decisões serão definidas pela maioria. Com as facilidades proporcionadas pela tecnologia da informação, o Conselho Deliberativo da ABIH Nacional, além de determinar os rumos da entidade, terá como cobrar resultados da diretoria executiva, cuja missão é implementar tudo o que for planejado, de modo estratégico, respeitando os prazos para consecução das metas previamente estabelecidas pelo Conselho Deliberativo.
 
HN: Como será constituída a administração da entidade?
Torquato: Rigorosamente de acordo com os estatutos, a administração da entidade será exercida por todos os integrantes da diretoria que, na composição da Chapa Integração Brasil já contempla a participação de representantes de todas as regiões do Brasil. Ou seja: Presidente - Enrico Fermi Torquato (RN); Vice-presidente - José Reinaldo Ritter (RS); Diretor Financeiro - Manoel Lisboa (SE); Vice-diretor Financeiro - Tomaz Ikeda (DF); Diretor Administrativo - Nerleo Souza (ES) e Vice-diretor Administrativo - Henrique Lenz (PR). Para o Conselho Fiscal contamos também com Nan Souza (MA), Luciano Carneiro (GO) e Antonio Santiago (PA). Como suplentes do Coselho Fiscal, Katia Pimentel (SE), Conceição Krusser (RS) e Cristina Busse (MS).
 

A proposta da chapa é constituir
uma gestão participativa
 
HN: Por que se estabelecer em Brasília? O que muda na gestão havendo um representante na capital?
Torquato: Com a representação da diretoria executiva em Brasília, ganharemos maior agilidade no acompanhamento dos pleitos da entidade. Basta lembrar que a entidade cresceu mais quando teve um presidente residindo em Brasília, na gestão de Eraldo Alves da Cruz. Pessoalmente, como presidente da ABIH Nacional, desejo estar perto do centro das decisões governamentais, especialmente neste importante momento para a hotelaria do País, que merece, cada vez mais, ser reconhecida e valorizada como vetor estratégico do desenvolvimento nacional.
 
HN: A ABIH é, hoje, vista por alguns hoteleiros como uma entidade excessivamente política, deixando a prática de lado. Como você vê isso?
Torquato: A falta de uma gestão executiva dificulta a percepção do valor da entidade enquanto provedora de benefícios para seus associados. Vamos corrigir isso implementando o novo modelo de
gestão, que aproximará a entidade do associado, por meio do fortalecimento das ABIHs regionais. Temos também o firme propósito de assinar convênios de cooperação com diferentes segmentos da economia, como, por exemplo, com fornecedores de produtos e serviços interessados em garantir aos empreendimentos associados condições facilitadas e exclusivas.
 
HN: Entre os membros da entidade, há grandes diferenças de opinião. Como gerir isso e trabalhar de forma harmônica?
Torquato: Somos um país com dimensões continentais e grandes diferenças regionais. Por isso, considero que todas as divergências são salutares e por meio do debate democrático, franco, contribuímos para chegar à melhor decisão, àquela que melhor representa o interesse coletivo. O debate enriquece e fortalece a representação institucional. Na moderna economia, impulsionada por bits e bytes que transitam dados e informações em tempo real, sem fronteiras, não há mais espaço para gerir diferenças de portas fechadas. O diálogo, aberto, livre e democrático, deve prevalecer, mas tem que haver serenidade e liderança na gestão do processo. Todos devemos saber ouvir e conduzir a pauta de forma respeitosa, reconhecendo sempre a decisão da maioria.
 
HN: Como promover o diálogo entre as ABIHs regionais?
Torquato: Trazendo todas para participar das decisões, deixando de serem meras expectadoras. Trocando e comungando experiências positivas e negativas, fazendo e estimulando eventos regionais.
 
 "Não há mais espaço para gerir diferenças de portas fechadas"
 
HN: Quais as principais diferenças na hotelaria dos Estados brasileiros?
Torquato: Muitas diferenças existem. Em algumas regiões, a hotelaria tem como foco o cliente de empresa, o chamado mercado corporativo. Em outros Estados, o turismo de lazer é a prioridade.
Com a segmentação do mercado, a oferta também tende a buscar diferenciais competitivos e desbravar alternativas capazes de atingir a diversidade de nichos, que apresentam as suas necessidades e expectativas de modo peculiar. Turismo rural, de aventura, de luxo, sol e mar, ecoturismo, entre outros são alguns exemplos que contribuem com o enriquecimento da oferta hoteleira. Neste cenário, todas as diferenças na hotelaria dos Estados fortalecem a unidade setorial, mas desde que saibamos compreendê-las deste modo sem permitir que os interesses de uns façam sucumbir os interesses dos demais.
 
HN: Há alguma região que se destaca, ou pode ser considerada um modelo de atuação?
Torquato: A região Nordeste tem se sobressaído com ótimos exemplos de empreendimentos de padrão internacional; hotelaria independente com capacidade de investimentos e visão de médio e longo prazo. Do mesmo modo, a região Sul do Brasil oferece bons exemplos de gestão administrativa, voltada à conquista de ganhos de produtividade e rentabilidade. No Norte do País e na região Centro-Oeste, chega a surpreender o crescimento da demanda em alguns segmentos e nichos de mercado, especialmente com foco no ecoturismo e turismo de aventura. Por fim, a taxa média de ocupação observada na região Sudeste serve de parâmetro e referência a todas as demais regiões do Brasil, devido à capacidade de manter, atualmente, o equilíbrio entre oferta e demanda.
 
HN: Qual sua posição sobre a nova classificação hoteleira? Uma padronização dos hotéis é necessária? Por que?
Torquato: A ABIH Nacional participou de todos os debates sobre a nova matriz de classificação hoteleira e declarou apoio ao resultado final, considerando que a entidade continuará a participar ativamente das decisões pertinentes às próximas etapas para sua implementação. Defendemos medidas que de fato possam favorecer a exposição da oferta hoteleira em âmbito global, sem que deixemos de assegurar a participação direta do Sistema ABIH em todo o processo. A certificação é de fato importante, mas a padronização requer a definição de critérios que ainda demandam um amplo debate junto aos associados.
 
 
HN: Como você irá tratar esse assunto à frente da ABIH?
Torquato: Com a mesma determinação democrática adotada no encaminhamento de outros assuntos tão relevantes como esse para a hotelaria no Brasil. Ou seja: reunindo opiniões e promovendo o debate embasado em estudos técnicos, para avaliação e decisão do Conselho Deliberativo.
 
HN: E a capacitação dos colaboradores da hotelaria? Como isso será trabalhado durante sua gestão?
Torquato: Daremos continuidade aos projetos existentes e ampliaremos a parceria com o Sebrae e o Ministério do Turismo. A capacitação dos colaboradores da hotelaria, como afirmei, será um dos focos principais da nossa gestão e o grande legado do pós-Copa.
 
HN: Haverá algum trabalho no sentido de captar mais associados? Como isso se dará?
Torquato: Sim. Primeiro faremos o inventário da hotelaria brasileira, estreitando o diálogo com as ABIHs estaduais com a implantação do novo modelo de gestão. Ao fortalecer as estaduais, trazendo-as para o processo decisório, estaremos promovendo a unidade e a difusão das melhores práticas - o que, na prática, ajudará no aprimoramento dos benefícios que as ABIHs estaduais levarão para as suas bases. Os exemplos de algumas iniciativas bem-sucedidas em âmbito regional poderão inspirar outras ações e referenciar a criação de uma campanha nacional de filiação.
 

O candidato quer ações para
a melhoria da hotelaria para a Copa
 
HN: Há, dentro de seus projetos, algo específico para a Copa do Mundo?
Torquato: Sim. A hotelaria nacional deve desempenhar um papel de destaque no processo de qualificação de toda a cadeia produtiva para melhor recepcionar, com excelência de qualidade, todos que nos visitarem durante a Copa do Mundo, em 2014. Nossas ideias serão criteriosamente apresentadas ao Conselho Deliberativo da ABIH e serão implementadas as ações previamente aprovadas pela maioria, constituindo nosso plano estratégico de gestão, com objetivos e metas, dispostos em um cronograma anual de atividades.
 
HN: Como a hotelaria deve se preparar para atender toda a demanda deste grande evento e manter os bons resultados após a Copa? Há o risco da haver um excesso de demanda, derrubando as tarifas?
Torquato: Não acredito no excesso de demanda e nem no excesso de oferta; pois temos um mercado interno crescente, com 50 milhões de consumidores entrantes nos próximos dez anos. Todas as ações de expansão da oferta deverão estar embasadas em estudos de mercado, que permitam contemplar o equilíbrio tarifário como parâmetro para o desenvolvimento sustentável do setor.
 
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