Transamérica Comandatuba (BA): 90% dos hóspedes do Brasil


Thomas Humpert
(fotos: Thais Medina)

 

Aberto em 1989, o Transamérica Ilha de Comandatuba, no sul da Bahia, conta com 200 hectares e 363 unidades habitacionais entre apartamentos e bangalôs. O empreendimento, que oferece opções de lazer para todos os gostos e idades, possui ainda um aeroporto privativo.

 

Conversamos com Thomas Humpert, diretor do resort. Com 30 anos de experiência no setor hoteleiro, ele já atuou nas áreas operacional, de marketing e vendas na Hilton International, no Maksoud Plaza, no grupo Transamérica e na Costa do Sauípe. Trabalhando desde 2004 no Transamérica Ilha de Comandatuba, o executivo, com passagem também pela Alemanha, considera o calor humano dos colaboradores brasileiros o grande diferencial dos meios de hospedagem nacionais em relação aos do exterior. Confira abaixo suas expectativas para o turismo no Brasil e o desempenho do resort.

 

Por Thais Medina*

 

Hôtelier News: Quais os investimentos previstos para o Transamérica Ilha de Comandatuba nos próximos anos?

Thomas Humpert: Nunca paramos de investir no resort, porém os gastos são relacionados à manutenção, que é constante. Não queremos mais unidades habitacionais, não queremos mais volume, afinal 363 apartamentos é um bom número. Nossa estratégia de trabalho leva em conta a personalização do serviço e não a massificação.
 
  

 

HN: Quanto os turistas domésticos representam na ocupação do hotel?

Humpert: Noventa porcento do nosso público é de brasileiros. Deste total, entre 70% e 75% são moradores de São Paulo, 10% de Minas Gerais, 10% do Rio de Janeiro e o restante, dos demais estados do país. Já considerando os estrangeiros, espanhóis, portugueses, alemães, escandinavos e russos representam a maioria.

 

HN: Tendo em vista que o público externo, principalmente os europeus, tem hábito de viajar para o Nordeste, o que faz com que esses hóspedes representem tão pouco para o resort?

Humpert: A malha aérea é o fator que dificulta a viagem de estrangeiros para Comandatuba. Apesar de contarmos com um aeroporto, a lei não permite que este receba vôos internacionais regulares ou charters, já que para a operação seria necessária a contratação de funcionários públicos para trabalharem no estabelecimento que é particular.

 

Para se ter uma idéia, uma das opções para vir da Europa para o Transamérica é pegar um vôo da Tap em Lisboa com destino a Salvador e pernoitar na capital baiana para apenas no dia seguinte chegar à ilha. Ao todo são quase dois dias de viagem. Outra opção é via São Paulo, o que também se tornou difícil após o caos.

 

Apesar disso, há pessoas que vem uma vez, ficam uma semana e se tornam freqüentadores assíduos. Quando retornam, normalmente uma vez por ano, chegam a passar um mês no resort.
 
  

 

HN: Com que intensidade a crise no setor aéreo brasileiro afetou o empreendimento?

Humpert: Este ano registraremos faturamento abaixo do orçado devido principalmente à crise na aviação. A hotelaria no Nordeste tem sofrido muito com todos os fatores. Creio que é mais uma situação que será superada pelo destino, mas certamente alguns empreendimentos vão ficar pelo caminho.

 

HN: A nova malha aérea válida a partir de ontem (1º) é favorável ao Transamérica?

Humpert: Considerando os mercados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, há favorecimento, tendo em vista que a Tam passa a disponibilizar vôos diários diretos entre os dois destinos e Ilhéus, a 70 Km do Transamérica. Contudo, de Confins à cidade baiana serão apenas 50 minutos de vôo, enquanto do Galeão ao destino serão 55 minutos.

 

HN: Como está a procura pelo golfe?

Humpert: O esporte tem nos ajudado bastante na ocupação principalmente no que se refere ao público internacional. São turistas diferenciados que estão sempre à procura de campos novos e a Bahia está numa posição diferenciada neste mercado. Prova disso é a criação da Federação Baiana de Golfe com o apoio da entidade brasileira.

 

Para fortificar ainda mais este quesito, o Transamérica Ilha de Comandatuba, o Terravista, a Costa do Sauípe e o Iberostar vão lançar em breve pacotes integrados a fim de que os visitantes nacionais e estrangeiros possam jogar nos quatro campos durante uma mesma hospedagem. Nosso interesse com a ação é agregar campeonatos e diárias. Já para 2008 queremos uma competição englobando os quatro.

 

HN: Quanto a atividade representa na ocupação do hotel?

Humpert: Este ano teremos mais ou menos a mesma porcentagem registrada em 2006, que foi de cerca de 8%, taxa considerada alta.

 

Atualmente há apenas 20 mil federados em todo o país. Queremos consolidar o golfe no Brasil e tirar a imagem de que este é um esporte caro, o que vai pode ser conquistado com a abertura de mais campos e a diminuição das tarifas para sua prática.
 

 

HN: Em relação aos eventos, qual o percentual do faturamento?

Humpert: Os eventos representam entre 30% e 35% do faturamento do empreendimento, mas esse índice ainda pode crescer. Respeitamos muito nosso público. Em alta temporada, por exemplo, não são realizados encontros de negócios.

 

HN: Qual o impacto do empreendimento na região no qual está localizado?

Humpert: A presença do Transamérica em Comandatuba é extremamente positiva para Ilhéus, Canavieiras e Una. Representamos o maior empregador local, já que 99% dos nossos 505 colaboradores são moradores dos arredores. Contudo, o hotel, desde sua inauguração, melhorou a qualidade de vida e o fluxo de dinheiro. Para se ter uma idéia, quando foi iniciada a construção do resort, no destino não havia sequer energia elétrica. Tratava-se de uma população ribeirinha que vivia de pesca.
 
 

 

HN: Onde são realizadas as compras necessárias para o hotel?

Humpert: Atualmente temos fornecedores locais para cerca de 95% das nossas compras. O que não conseguimos na ilha compramos em Salvador e, no último caso, em São Paulo.

 

Vale dizer que técnicos do hotel visitam produtores e fábricas de seis em seis meses. Se as nossas exigências de qualidade e higiene não são cumpridas, os estabelecimentos são cortados da nossa listagem. Somos extremamente exigentes e rígidos em relação a isso.

 

HN: Como é o treinamento dos colaboradores?

Humpert: Temos um programa de capacitação constante com treinamento interno e, às vezes, com equipe terceirizada. Achamos isso importante pois, além da técnica, colocamos em prática a filosofia do grupo, levando em consideração como os colaboradores devem se portar.

 

Um exemplo é o treinamento destinado aos garçons: em uma sala é montado um restaurante. Nesta, o colaborador vivencia o serviço, servindo uma pessoa e, em seguida, sendo servido. Além disso, contamos com aulas de inglês intensivo destinado à hotelaria.

 

* O Hôtelier News viajou ao Transamérica Ilha de Comandatuba a convite do hotel.

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