Três perguntas para: Breno Lopes (Oyo Brasil)

Três perguntas para - Breno LopesLopes acredita em uma retomada gradual do mercado hoteleiro no país

Eles chegaram ao Brasil há pouco mais de um ano. No período, chamaram atenção do mercado ao expandir rapidamente suas operações pelo país. Hoje, segundo a rede indiana, são atualmente mais de 500 unidades na base de hotéis parceiros. Dessa forma, nada mais natural do que convidá-los para nossa nova editoria Três perguntas para. Breno Lopes, diretor de Planejamento na Oyo Brasil, foi o escalado para atender ao Hotelier News.

Jovem, dinâmico e com experiência em startups, bem de acordo com o perfil procurado pela Oyo quando montava seu time no país, Lopes acumula mais de 10 anos de experiência desenvolvendo e implementando projetos com foco em novos mercados, lançamento de produtos e definição de estratégias competitivas. Nesse meio tempo, teve passagens pela Uber, sendo responsável pelo time de Inteligência de Mercado para a América Latina. Além disso, passou por Groupon e Kaiser Associates, este último em Londres.

Graduado em Business pela FGV (Fundação Getulio Vargas), Lopes se diz também um entusiasta de inovação e empreendedorismo. Nessa frente de atuação, o executivo da Oyo Brasil foi co-fundador da Mr. Driver, marketplace focado em vans e veículos de alta capacidade que visam oferecer aos clientes uma vasta gama de opções de transporte.

Três perguntas para: Breno Lopes     

Hotelier News: Quando o furacão passar, e ele vai passar em algum momento, quais serão os principais desafios para a hotelaria?

Breno Lopes: Quando a crise passar, veremos os níveis de ocupação subindo até chegar próximo aos patamares pré-crise. Serão muitos desafios, dos mais estratégicos aos mais táticos. Posso elencar três principais frentes: sustentabilidade do negócio, confiança dos hóspedes e estabilidade do funcionário. Do ponto de vista de sustentabilidade do negócio, como manter os custos enxutos, por exemplo, temos como objetivo trazer tecnologia e eficiência para assim absorver a retomada de ocupação. Nessa frente, a Oyo pretende continuar aportando valor agregado aos parceiros, trazendo inovações já existentes em mercados onde estamos operando há mais tempo. Nos serviços prestados, como retomar a confiança dos hóspedes atendidos e voltar a gerar fidelidade nas reservas, pretendemos encantá-los ainda mais com a excelência no atendimento e segurança. E o mais importante, garantir um senso de estabilidade para todos os colaboradores que trabalham no setor hoteleiro com transparência e comunicação.

HN: O que a Oyo Brasil está aprendendo e aplicando por aqui da experiência adquirida em outros mercados, como da China, que estão "algumas semanas à frente" na pandemia?

BL: Por ser uma empresa global e com grande parte dos nossos esforços voltados para o mercado asiático, pudemos enxergar oportunidades interessantes e aplicá-las rapidamente. Internamente, com o aprendizado de outros países, nos preparamos ainda mais para implementar processos e formas de comunicação efetivos, que mantém a empresa com um bom funcionamento durante o distanciamento social. Externamente, também nos preparamos para apoiar os parceiros, sabendo das dificuldades que ocorreriam em função da baixa ocupação. Nesse momento difícil para todos do setor, antecipamos alternativas como flexibilização temporária da taxa Oyo e parcelamentos, assim como prontamente eliminamos a taxa de cancelamento das reservas. No quesito parcerias com setores público e privado, nos aproximamos mais dos governos locais para formar acordos em ações que beneficiam três pontas: hotéis parceiros, sociedade (pessoas em grupo de risco precisando de abrigo) e o próprio governo. 

HN: Muitos especialistas têm demonstrado preocupação com uma possível guerra tarifária na hotelaria após o pico da pandemia passar. Quando esse momento chegar, é hora da tecnologia de precificação fazer diferença?

BL: Acreditamos que a demanda voltará de forma bem gradativa, portanto demandará tempo para os preços se ajustarem. Haverá um gap entre a capacidade dos hotéis trazerem hóspedes e a capacidade de praticar os preços que estavam sendo cobrados antes. É difícil prever uma guerra tarifária. No entanto, a tecnologia de precificação da Oyo ajudará os parceiros a identificarem o ponto certo para maximizar ocupação e ganhos naquele momento, o que não necessariamente significa sempre o menor preço.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Oyo Brasil

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