Três perguntas para: Juan Pablo Vera

 Juan Pablo VeraVera possui mais de 24 anos de experiência no setor de eventos

Figura conhecida no segmento MICE, Juan Pablo Vera fala com propriedade da situação atual do setor. Convidado pelo Hotelier News para participar da série Três perguntas para, o uruguaio deu sua visão sobre a MP 936 - que contempla o mercado de feiras, congressos e ações corporativas - e projeções para a retomada das atividades de uma das áreas mais afetadas pela pandemia.

Em São Paulo desde 2002, Vera possui 24 anos de experiência no mercado de eventos havendo realizado mais de 400 grandes feiras de negócios em seis países diferentes na América Latina e Europa. Na Reed Exhitibions do Brasil, atuou como presidente por 14 anos e posteriormente como vice-presidente sênior para América Latina.

Foi escolhido presidente do Conselho da UBRAFE (União Brasileira dos Promotores de Feiras) três vezes, além de presidente do Conselho do São Paulo Convention & Visitors Bureau, e vice-chairman para América Latina da UFI (Associação Internacional da Indústria de Feiras).

No Brasil, foi coordenador e professor no Curso de Eventos da FIPE e também no Curso de Certificação Internacional CEM oferecido pela IAEE (Associação Internacional de Feiras e Eventos). Desde 2018 está como CEO do Grupo R1, que está presente em 52 locais, produzindo 16 mil eventos por ano no mercado brasileiro. A empresa assinou recentemente uma série de parcerias estratégicas na região, ampliando sua presença e serviços em mais de 220 hotéis e centros de eventos na Argentina, Chile, Colômbia, México, Panamá, Peru e Uruguai.

Três perguntas para: Juan Pablo Vera

Hotelier News: O segmento corporativo será um dos principais impulsionadores do turismo na retomada. Você concorda com esta afirmação? Qual será o papel das viagens de incentivo no pós-pandemia?

Juan Pablo: Concordo, mas gostaria de acrescentar que o segmento de eventos corporativos não é somente turismo. Quando um evento corporativo é realizado conseguimos ajudar as empresas que nos contratam a impulsionar suas vendas, lançar novos produtos, fortalecer a relação com o canal de distribuição; motivar suas equipes, recalibrar suas estratégias corporativas e consolidar sua presença de marca com seus usuários e consumidores.

Os eventos corporativos já se consolidaram há bastante tempo como elementos fundamentais nas atividades de Marketing e Vendas de toda empresa. Neste contexto as viagens de incentivo também fazem parte de mix do live marketing que contribuem para o sucesso das empresas e suas equipes de vendas.

HN: Qual a sua opinião sobre a MP 948? Ela atende aos pleitos do setor de eventos?

JP: Entendo que a medida veio para compensar os protagonistas da relação entre consumidores e prestadores de serviços. Na minha perspectiva está protegendo não somente a relação comercial, mas também os impactos indesejados caso se desse prosseguimento a uma ruptura unilateral nesta relação. Por exemplo, se eu contratasse um profissional para realizar um trabalho específico, de uma outra atividade qualquer, e por motivos desta pandemia eu tivesse que desistir desse serviço, eu também deveria reconhecer que o contratado sofrerá com esta crise e com a decisão que eu precisei tomar. Ele não terá condições de me ressarcir o dinheiro já empenhado que ele mesmo utilizou para elaboração, comercializar e produzir desse serviço.

Infelizmente, em situações como as que vivemos hoje, ninguém está saindo com lucro e todos devemos nos ajustar a dividir as consequências com a devida responsabilidade e cumplicidade.

HN: Como você enxerga o retorno das atividades? O segmento ainda conseguirá alguma recuperação em 2020?

JP: Em minha perspectiva situacional enxergo que o foco principal de todos deve ser colaborar para combater a pandemia. Essa deve ser a prioridade de todas as atividades de nossas vidas. Particularmente, em nossa atuação no setor de eventos, congressos e feiras temos uma grande tarefa pela frente.

Assim que as autoridades autorizem a realização de eventos e reuniões, todos os atores deste setor, sejam eles clientes, agências, produtores, fornecedores e participantes, precisam trabalhar em harmonia e coordenação para ajudar no combate o Covid-19. E isso pode ser feito com ações práticas, assim como já fizeram os supermercados. Realizar campanhas de comunicação e conscientização dos procedimentos para fazer dos locais de eventos espaços mais seguros e confiáveis. Da mesma maneira, os eventos, congressos e feiras podem ajudar uma vez mais a recuperar aos setores econômicos mais afetados, oferecendo plataformas de negócios e atraindo oportunidades de investimento, contribuindo a gerar empregos, e assim também suportar a retomada do turismo de negócios no Brasil e no mundo.

(*) Crédito da foto: Arquivo pessoal

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