Três perguntas para: Júnior Gasparoti

Junior Gasparoti - Três perguntas para

Júnior Gasparoti cresceu com um objetivo claro na mente: aprender inglês e morar em um país nativo do idioma de Shakespeare. A oportunidade apareceu e lá foi ele viver em Londres, onde passou três anos. No retorno ao país, sentia-se um pouco perdido sobre o que fazer na vida profissional, mas trouxe na bagagem uma experiência de vida e uma carga cultural perfeitas para o que viria a fazer. Concierge do Grand Hotel Rayon, em Curitiba, ele olha para trás e vê que tomou decisões certas desde então.

“Desde pequeno, pegava uma vitrola da minha mãe e um kit de livros em inglês antigo de minhas irmãs que vinha um mini discos de vinil para aprender a pronúncia da língua. Estudava sozinho, meio que autodidata”, relembra convidado de hoje (1) do Hotelier News no Três perguntas para. “Retornando ao Brasil, ainda sem saber direito o que fazer, resolvi procurar emprego na área de hotelaria. Primeiro hotel que me deu oportunidade, ainda sem experiência, foi o hotel escola do Centro Europeu Tourist”, completa Gasparoti.

Começou ali uma carreira que já soma 12 anos de experiência, contando uma breve passagem pelo segmento de agências de viagens. “A hotelaria acabou me atraindo de volta, não teve jeito. Estou no Grand Hotel Rayon há dois anos e cinco meses, desde sua reabertura, já no cargo de concierge”, afirma. Gasparoti, que desde 2018 é membro do Les Clefs d'Or. “O Deivison Bento foi quem me apresentou a associação em 2015, quando trabalhamos juntos como concierges. Tenho orgulho de ser, ao lado dele e de outro profissional, os únicos a carregar esse broche na lapela em todo Paraná”, acrescenta.

Três perguntas para: Júnior Gasparoti

Hotelier News: O Grand Rayon não fechou durante a pandemia. O hotel já consegue perceber alguma mudança no comportamento do consumidor?

Junior Gasparoti: Neste período, fomos um dos poucos hotéis que mantiveram as portas abertas em Curitiba e, claro, seguimos e continuamos tomando todos os cuidados sugeridos e exigidos pelas autoridades. Um ponto positivo, e que nos facilitou bastante, é que nossa gerente geral e governanta são especialistas em hotelaria hospitalar, dando total apoio aos times operacionais. De fato, percebemos que o comportamento do consumidor mudou: eles estão cada vez mais preocupados com sua segurança pessoal e da família no que se refere a cuidados com a saúde. Eu mesmo já recebi ligações nas quais o cliente pergunta se estamos tomando todas as medidas de prevenção e higienização dos ambientes antes ainda d e chegarem ao hotel. Mais do que nunca, acredito que esse ponto será essencial na escolha de compra do consumidor e, mais ainda, isso será cada vez mais comum. Os clientes estão ainda mais observadores. Será uma mudança de paradigma em relação à higienização, à tecnologia utilizada e também ao comportamento dos colaboradores, clientes e fornecedores.

HN: De que forma a função de concierge pode contribuir durante a retomada do mercado?

JG: Somos facilitadores de sonhos, temos o espírito de servir e amamos encantar nossos hóspedes. Acredito que devemos mais do nunca nos utilizar de muita empatia para essa retomada. É isso que irá assegurar que o consumidor retornará com mais tranquilidade. Teremos que encorajar nossos clientes, saber nos colocarmos no lugar deles, transmitir muita segurança, apesar de toda apreensão em que vivemos nesse momento. Isso significa ficar atento, pesquisar e procurar sugerir restaurantes, pontos turísticos e até mesmo um simples pedido de delivery, por exemplo, para deixá-los confiantes de que estará seguro durante sua estada no hotel e na cidade. Dessa forma, acredito que podemos ser um importante elo entre o consumidor e o hotel.

HN: Para quem deseja ingressar na carreira de concierge, o que recomenda?

JG: Dizem que não nos tornamos concierge, nascemos assim. Isso é maravilhoso!! Para ingressar nessa carreira, que é muito encantadora, a pessoa tem que ter o espírito de servir, trabalhar com brilho nos olhos, ser empático e gostar de encantar. E, para isso, é essencial gostar de pessoas, porque trabalhamos com pessoas, para pessoas. Colhemos muitos frutos, fazemos muitos amigos e percebemos que realizar o sonho ou desejo de alguém é extremamente gratificante. Fazemos o bem não apenas para o próximo, mas para nós mesmos também.

(*) Crédito da foto: Arquivo pessoal

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