Três perguntas para: Thaís Faccin

Três perguntas para - Thaís Faccin_internaPara Thaís, a tecnologia será um grande aliado dos organizadores de eventos

Foi quase como a chegada do Pelé ao Cosmos. Sim, com a contratação de Thaís Faccin, o Hotelier News abre uma nova fase e muitas novidades estão por vir. No Três perguntas para de hoje (12), contudo, vamos continuar com o suspense no ar. Thaís ainda guardará os novos projetos por mais um tempinho, mas não tardará muito para os leitores conhecê-los.

Hoje, a prosa vai navegar por mares que a nova diretora de Marketing e Novos Negócios do Hotelier News domina bem: o segmento Mice e turismo. Neste bate-papo, Thaís fala sobre tendências para o primeiro e dá sua visão sobre como o chamado “novo normal” influenciará o segundo. Sim, porque uma coisa é certa: mudanças estão por vir na indústria de viagens.

Thaís é uma personagem bastante conhecida na hotelaria. A executiva trabalhou por 11 anos na Reed Exhibitions Brasil, sendo responsável pela Equipotel e Equipotel Regional. Com mais de 19 anos de trajetória profissional, ela passou ainda pela Symantec e Informa Markets. No início da carreira, atuou na hotelaria como trainee do THG (Transamerica Hospitality Group).

Três perguntas para: Thaís Faccin

Hotelier News: Brasileiro gosta do contato pessoal. Diante disso, você acredita que eventos híbridos continuarão como tendência mesmo após uma vacina?

Thaís Faccin: Na quarentena implacável que estamos vivendo, os eventos digitais representam a única ferramenta de comunicação possível entre os profissionais da hotelaria e outros atores do mercado. Embora, no passado, os organizadores de grandes feiras e convenções tenham apostado e criado alternativas online dentro da programação do segmento Mice, a adesão não foi tão alta como se esperava. Ainda assim, acredito que a distribuição de eventos presenciais, híbridos e virtuais passará a ser normal no pós-pandemia, mesmo com esse gosto do brasileiro pelo contato pessoal. Muito se evoluiu e, com essa facilidade, é possível atingir profissionais que eventualmente não tenham facilidade para viajar e se deslocar, o que permite dar uma abrangência maior para os eventos, conferindo uma representatividade ainda maior para ele.

HN: Como a tecnologia será aliada do segmento Mice? O que pode virar tendência de fato?

TF: O ano de 2020 nos deixa claro o quanto que a tecnologia foi crucial para o segmento de eventos corporativos. Aplicativos e softwares dedicados à gestão e produção dos encontros representam atalhos extraordinários para a execução de uma boa programação. Além disso, plataformas especializadas na gestão de eventos conseguem programar as atrações, divulgar o evento e organizar a lista de presentes de forma otimizada e a partir de alguns poucos comandos. Assim, é possível ganhar tempo e aperfeiçoar a mão de obra, usufruindo de maior agilidade, conforto e segurança. Por isso, acredito que os gestores de eventos devem estar com antenas ligadas a essas tendências tecnológicas, que são cada vez mais cruciais para o bom andamento de eventos corporativos, gerando ainda interação segmentada com a audiência.

HN: Como o "novo normal" vai mudar o turismo? Quais os principais efeitos que você vê no pós-pandemia?

TF: Os players da indústria de viagens estão sofrendo em várias frentes. Ainda assim, não estou entre aquelas que acreditam que a crise atual vai trazer grandes transformações assim. Afinal, todos nós estamos neste momento preocupados e focados em recuperar nossos negócios e acredito que teremos um reinício muito duro. Agora, é certo que o turismo vai ter transformações, como ocorre em toda recessão. Alguns players vão ganhar participação de mercado, outros perderão e quem já vinha com problema corre riscos sérios, mas não creio que haverá mudanças estruturais, sendo necessária uma reinvenção. Por outro lado, acredito muito que terá mudanças nos valores dos consumidores no pós-pandemia, com o crescimento da importância do "ser" em contraposição com o "ter". Neste sentido, a experiência do turismo é campeã em gerar esses valores, fazendo-nos ter essa visão da diversidade, entender novos pontos de vista, aprender a riqueza humana e a importância de preservar a natureza. Diante disso, recomendo aos atores dessa indústria que mantenham o otimismo para o futuro, façam os ajustes necessários no curto prazo, sintam a perspectivas no médio e longo prazo e não percam o foco nas melhorias e transformações que já vinham fazendo nos seus negócios. Em paralelo, aperfeiçoem suas orientações de administrar tendo como foco algo melhor para o seu consumidor, protegendo e agregando valor para a marca.

(*) Crédito da capa: Peter Kutuchian/Hotelier News

(**) Crédito da foto: arquivo pessoal

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