Chegamos ao último capítulo da nossa jornada editorial sobre o ecossistema da hospitalidade nacional no Hub ESG. Analisamos o peso econômico do setor, os gargalos da gestão familiar, a urgência da governança sucessória e o impacto direto da sustentabilidade na rentabilidade de longo prazo.
Diante deste diagnóstico, resta aos acionistas e herdeiros uma pergunta vital: quem está cuidando do amanhã da empresa enquanto a diretoria executiva está inteiramente consumida pelas urgências diárias do check-in, das reclamações de hóspedes e do fechamento financeiro do mês? A resposta definitiva está na instituição de um Conselho de Administração.
Mesmo quando estruturado inicialmente como um Conselho Consultivo, este órgão cumpre a função histórica de elevar o patamar de maturidade de um hotel familiar.
O Conselho traz para dentro da organização o olhar externo, a isenção de mercado e a senioridade técnica de conselheiros independentes que não estão contaminados pela rotina operacional.
Ele atua como um mediador técnico e pacificador nos inevitáveis conflitos de interesse que surgem entre os membros da família empresária, blindando o planejamento estratégico de longo prazo das paixões e das flutuações emocionais de curto prazo que costumam paralisar as empresas familiares.
Mais do que mediar conflitos, o Conselho assume o papel de verdadeiro guardião e cobrador das metas ESG e da perenidade da marca. É sob a sua direta supervisão que investimentos complexos — como os planos de sucessão profissionalizada, os projetos de transição energética e as políticas de inclusão social — são avaliados com rigor técnico e independência.
Ao retirar a gestão estratégica da informalidade e submetê-la ao escrutínio de um colegiado sênior, o tradicional “hotel da família” se transforma em uma corporação madura, governada por processos institucionais, resiliente a crises e altamente atraente para fusões, aquisições ou captação de novos investidores.
O futuro e a perenidade da hotelaria brasileira exigem visão de longo prazo — e essa jornada começa, obrigatoriamente, ao redor de uma mesa de Conselho.
– – –
Giancarlo Alcalai é sócio-fundador da ACG&I, consultoria boutique focada em estratégia e governança. Conselheiro de administração e consultivo com atuação no Brasil, EUA e Bolívia, construiu uma sólida carreira executiva global em companhias como GOL Airlines, Electrolux, Bayer, Pernod Ricard, Unilever, Ambev e Coca-Cola. É palestrante e professor da ESPM, FIA e FGV.
(*) Crédito da foto: arquivo pessoal do autor





