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O que 2027 reserva ao mercado de eventos?

A disposição do mercado de eventos para reunir pessoas segue forte, mas o aumento dos custos e as incertezas sobre a participação internacional impõem novos desafios ao planejamento do setor. Essa é uma das principais questões levantadas por Carina Bauer, CEO do IMEX Group, em entrevista ao Skift Meetings durante a IMEX America 2026, realizada em Las Vegas, nos EUA.

A edição deste ano registrou mais de 17,8 mil participantes e 96 mil reuniões agendadas. Apesar dos resultados, a executiva reconheceu que o setor enfrenta um cenário de incertezas, marcado pelo encarecimento dos eventos e pela necessidade de reavaliar onde, quando e por que realizar encontros presenciais.

Segundo Carina, o ambiente da feira foi marcado pelo otimismo, enquanto participantes destacaram a importância do contato pessoal para a realização de negócios. A percepção, no entanto, convive com pressões econômicas que afetam tanto os organizadores quanto os participantes.

Levantamento da Amex GBT (American Express Global Business Travel), divulgado durante a feira, apontou que 93% dos profissionais de eventos estavam otimistas em relação a 2027, ante 85% no ano anterior. Ao mesmo tempo, a parcela dos que se declararam muito otimistas caiu de 62% para 45%, indicando uma perspectiva mais cautelosa para o próximo ano.

Custos de eventos

O avanço das despesas é um dos principais fatores que desafiam planejamento e otimismo no setor. O Event Price Index, da Maritz, aponta aumentos expressivos em diferentes categorias de custos entre 2019 e as projeções para 2027. As despesas com decoração e entretenimento, por exemplo, devem acumular alta de 146% no período. Na sequência, aparecem transporte, com aumento projetado de 95%; equipes e mão de obra, com 87%; e alimentos e bebidas, com 56%.

Os impactos também aparecem em itens específicos dos orçamentos. O custo de um arranjo floral que era de US$ 20 em 2019 deve chegar a US$ 40 em 2027. Já o transporte individual em sedã, em um trajeto de ida, passou de US$ 95 para uma projeção de US$ 184. No aluguel de ônibus executivo por hora, a estimativa é de aumento de US$ 110 para US$ 214.

As passagens aéreas também pressionam os orçamentos. De acordo com a Maritz, uma previsão de US$ 400 por passagem, que anteriormente poderia ser suficiente para determinados planejamentos, precisa se aproximar de US$ 650 para acompanhar os custos atuais.

A interpretação sobre este cenário é que organizadores e empresas precisam revisar estratégias financeiras. A curto prazo, considerar os custos de cada etapa sem perder de vista os objetivos dos encontros e a experiência dos participantes é uma das prioridades, segundo o índice.

Brasil nos eventos internacionais

Nesse contexto de transformação do mercado global, a Embratur participou da IMEX America 2026 com uma delegação de 16 coexpositores brasileiros, entre destinos, redes hoteleiras, operadoras de turismo receptivo e centros de convenções. A feira reuniu compradores internacionais e profissionais do segmento Mice.

Dados apresentados pela agência indicam que o Brasil sediou 276 eventos internacionais em 2025, alta de aproximadamente 18% em relação ao ano anterior, segundo a ICCA (International Congress and Convention Association). O país alcançou a 15ª posição mundial no ranking da entidade, assumindo a liderança latino-americana na realização de eventos internacionais.

As viagens corporativas também representam uma parcela relevante da demanda turística. Segundo dados divulgados pela Embratur, o segmento correspondeu a 15,25% das chegadas de turistas internacionais ao Brasil em 2025. No cenário global, a GBTA (Global Business Travel Association) projeta que os gastos com viagens corporativas alcancem US$ 1,7 trilhão em 2026.

Estimativas da Tourism Economics citadas pela agência apontam crescimento da participação das viagens de negócios nas chegadas ao Brasil em mercados estratégicos. Entre os visitantes dos Estados Unidos, a proporção deve passar de 7,79% em 2025 para 8,70% em 2026. Na Alemanha, a estimativa avança de 9% para 10,13%, enquanto no Reino Unido passa de 8,81% para 9,83%.

A infraestrutura nacional também integra essa estratégia. De acordo com a Embratur, 42 cidades brasileiras estão consolidadas como sedes de eventos internacionais, incluindo destinos como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Salvador e Foz do Iguaçu.

A presença na feira incluiu reuniões com compradores dos EUA, Europa e América Latina. A agência também apresentou iniciativas de capacitação e promoção comercial, entre elas o Brasil Travel Specialist, programa de formação para profissionais do turismo internacional que possui um módulo dedicado ao segmento Mice.

(*) Crédito da foto: Divulgação/IMEX Group

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