Quando reajustar preço é necessário para a Economia

Alexandre Gehlen comanda o FOHB

Neste último mês de abril o FOHB – Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, em parceria com a HotelInvest, disponibilizou para o mercado o 12º Panorama da Hotelaria Brasileira. Trata-se de um novo estudo sobre o cenário da hotelaria e perspectivas para os próximos anos. O relatório apresentou, com clareza, um novo ciclo de recuperação de nossa indústria no país, uma expectativa clara de crescimento na taxa ocupação e, final e justamente, a recuperação no valor da diária média na maioria dos hotéis nos estados em que a pesquisa foi realizada. Tais perspectivas animam os investidores. Observou-se junto aos empresários da hospitalidade que mais de R$ 4 bilhões de investimentos no setor estão previstos para os próximos quatro anos.

Muitas são as razões para otimismo em nosso setor. A palavra recessão já parece suficientemente distante dos prognósticos dos especialistas em macroeconomia. Embora haja certos desencontros normais em um governo com menos de um ano de atividade, nota-se, claramente, o interesse do ministro da Economia em diminuir burocracia e combater o déficit público, por meio da Reforma da Previdência, apoiada por significativa parte da população, e também um interesse em melhorar a gestão do erário público.  

A taxa cambial, que interfere diretamente no turismo, beneficiou os hotéis brasileiros. A alta do dólar incentivou o brasileiro a apostar nos destinos domésticos, para alegria dos hoteleiros, micro, pequenos e médios empresários brasileiros. Dados apontam que nossos conterrâneos diminuíram em 29% gastos no exterior. As viagens internacionais foram substituídas por destinos turísticos dentro do Brasil, ao menos no lazer.

O ano de 2018 registrou também um aumento na taxa de ocupação em torno de 6%. E, apesar da diária média ainda não ter reagido como esperado, frente aos avanços econômicos, o estudo aponta que crescem as oportunidades de ajustes reais das tarifas ainda neste ano de 2019. Não há razão nenhuma de uma diária em um hotel midscale custar o mesmo que um jantar para duas pessoas em um restaurante nas grandes capitais. Sobretudo em mercados como São Paulo, Salvador e Distrito Federal. Isto, mesmo levando-se em conta que algumas cidades, como Goiânia e Curitiba, podem encontrar dificuldades para atingir os orçamentos do ano em razão do aumento de ofertas de leitos nesses destinos.

Conforme levantamento e mencionado anteriormente São Paulo é a cidade com o maior potencial de aumento de tarifa no Brasil. Sem novas ofertas e com pressão de demanda, os orçamentos estão abaixo do potencial do mercado. O crescimento da demanda associado a necessidade de investimentos e reequilíbrio financeiros dos empreendimentos apontam para reajuste dos preços, estacionados no mesmo patamar que 2015, embora haja crescimento de ocupação desde 2017.

Em Brasília, com aumento na taxa de ocupação atingindo quase 7% em 2018, a diária terá também mais espaço para crescer. Em Salvador, com seu centro de convenções e ampliação do aeroporto, haverá indução de hospedagem na cidade o que, naturalmente, forçará aumento nos das tarifas.  

Reajustar as diárias médias, após 4 anos seguidos sem aumento, em momento algum pode ser chamado de ato antipatriótico ou oportunismo. Trata-se de uma decisão necessária para manter a saúde financeira dos hotéis, manter atratividade de investidores no turismo, setor que cresce em todo planeta, garantir segurança e conforto dos hóspedes e também possibilitar mais contratações, colaborando com a criação de vagas no mercado formal.

(*) Crédito da foto na capa: 3844328/Pixabay

(**) Foto interna: divulgação/FOHB

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