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Paulo Guedes: ‘Vamos ajudar quem se comprometer a manter emprego’

Por Vinicius Medeiros 29 de março de 2020

Paulo Guedes - conversa XP_hotelariaNa hotelaria, ansiedade é grande em relação à complementação de salário

O recado dado pelo ministro da Economia, durante live realizada hoje (27) à noite pela XP Investimentos, foi acrescentado por outra valiosa informação. “Vamos complementar parcela de salário que empresas não puderem pagar”, destacou Paulo Guedes, citando uma medida ainda não oficializada pelo governo federal. Juntas, as duas iniciativas podem dar sobrevida a alguns setores, mesmo os mais afetados pela abrupta queda de demanda provocada pelo Covid-19, caso da hotelaria. Alguns grandes desafios, contudo, estão à frente, reconhece o ministro. 

Do lado da saúde pública, controlar o contágio da doença é vital. Fugindo da polêmica sobre qual abordagem é mais eficiente (isolamento horizontal ou vertical), Guedes disse que os ministérios da Saúde e da Economia ainda não chegaram a um consenso. Ele reconheceu, entretanto, que é necessário cuidado com a armadilha de liberar no curto prazo todas as atividades. Na seara econômica, garantir que a inundação de crédito no mercado anunciada sexta-feira (27) chegue à ponta, ou seja, às empresas, é outro obstáculo.

“Evidente que existe um desafio de execução. Vínhamos em uma trajetória de austeridade e, em menos de três ou quatro semanas, demos um giro de 180 graus. Este mês o salário chega ao trabalhador, mas no mês que vem já não sabemos. Esse é o nosso teste”, disse Guedes. “Eu não me arrisco em assuntos de saúde, mas sei quando a coisa começa a desorganizar no setor produtivo. Se as linhas básicas de suprimentos em alimentos, transportes, produtos médicos e farmacêutico forem mantidas, conseguimos esticar o período de quarentena. Evidentemente, o período que a economia aguenta possivelmente é menor do que a saúde exige", completou.

Para a hotelaria, três pontos são cruciais. O controle do contágio elimina as restrições impostas por governos estaduais e municipais. Mais ainda, tira o pânico das ruas, favorecendo a volta à normalidade (e ao consumo). A enxurrada de crédito beneficia algumas categorias de hotéis, mas deixa parte considerável do mercado de fora. Por isso, a indicação de que o governo complementará parcela de salário dos trabalhadores formais que tiverem jornada e remuneração reduzidas é vista como a tábua de salvação pelo restante do setor. A expectativa é que o anúncio oficial ocorra nesta semana, com impacto estimado pela equipe econômica de R$ 45 bilhões a 50 bilhões.

“O pacote de estímulo atual é de R$ 750 bilhões e pode aumentar, se for necessário”, comentou o ministro, destacando que o montante soma de 4,8% a 5% do PIB (Produto Interno Bruto). Ainda assim, o tempo de duração de crise (na saúde e na economia) é uma questão crítica na equação, assim como a velocidade da retomada a seguir. Se ambos demorarem, muitos empreendimentos e redes infelizmente ficarão pelo caminho. Então, tudo dependerá do retorno das atividades e da confiança do mercado e dos consumidores. Para a indústria de hospitalidade, evitar guerra de preço é outro ponto crucial. Que o setor esteja bem alinhado neste sentido!

Paulo Guedes - conversa XP_imagem liveCom tom otimista, Guedes foi 'sabatinado' pelos principais executivos da XP 

Paulo Guedes: outros pontos

Além das questões acima, outros assuntos foram abordados pelo ministro ao longo do bate-papo com os executivos da XP, que durou mais de duas horas. Além de repetir D. Pedro I e garantir que “fica”, Guedes destacou o momento da economia brasileira antes do impacto do coronavírus. “A arrecadação federal estava 20% acima do projetado. Ia ser um trimestre excepcional, com recuperação econômica e reformas caminhando no Congresso. Tudo já estava combinado e negociado, mas fomos atingidos por um meteoro. Vamos combatê-lo e, no ano seguinte, estamos de volta para o trilho. Aliás, nesse ano mesmo”, garantiu.

Segundo Guedes, passado o período de três ou quatro meses mais intensos, o Brasil precisará destravar investimentos e aprovar projetos e reformas no Congresso. Ele também pontuou que, por conta dos gastos com o Covid-19, o país terá déficit primário significativo em 2019. “Vamos pagar em um ano as despesas do coronavírus. Nós vamos vendendo, fazendo como no ano passado”, acrescentou o ministro, referindo-se às operações de venda dos ativos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), entre outras iniciativas.

Por fim, Guedes fez questão também de destacar as conquistas econômicas do governo, como a reforma da Previdência e a política de juros. “Impacto será forte, mas no Brasil estamos em posições diferentes do ciclo de outros países. Mundo era um avião pousando, e COVID-19 acelerou isso. Nós não, nós estávamos em aceleração econômica, Brasil estava apontando para cima. Corrigimos gasto público, baixamos juros, fizemos reforma da Previdência, desalavancamos banco públicos”, afirmou. “No fim, todo mundo vai entender que gastamos muito, mas fizemos o que era necessário. Nós vamos pagar isso, não vamos deixar isso para gerações futuras. Não haverá mais endividamento em bola de neve”, acrescentou.

Para quem perdeu a live de Paulo Guedes com a equipe da XP Investimentos, o vídeo pode ser visto na íntegra no https://bit.ly/2UpUOJd.

(*) Crédito da capa: Antonio Cruz/Agência Brasil

(**) Crédito da foto: João Marcelo Martins/Unsplash

(***) Crédito da foto: Reprodução de internet