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PIB cai 1,5% no 1º tri; setor de serviços tem pior performance desde 2008

Por Vinicius Medeiros 29 de maio de 2020

PIB e setor de serviços - resultado 1 tri_capaO grupo "outros serviços", onde está a hotelaria, teve queda de 4,2% 

Em linha com as projeções do governo federal, o PIB (Produto Interno Bruto) do país recuou 1,5% no primeiro trimestre de 2020 na comparação com os três meses anteriores. Maior queda desde a retração de 2,1% no segundo trimestre de 2015, resultado ainda não reflete o pico da crise do coronavírus, cujos impactos serão mais sentidos no segundo trimestre, quando as políticas de isolamento já estavam amplamente adotadas. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que também divulgou os números do setor de serviços, que teve a maior retração desde 2008.

Responsável por 65% do PIB brasileiro, o setor de serviços viu a atividade recuar 1,6% no trimestre em função do fechamento de hotéis, lojas, shopping center e restaurantes, entre outros negócios. “Os serviços foram os mais afetados, como aconteceu outros países do mundo", afirmou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. “É uma crise completamente diferente das anteriores”, completa Rebeca, ressaltando que desta vez, há tanto choque de oferta quanto de demanda. Na recessão de 2014, por exemplo, houve choque de demanda pelo aumento de desemprego.

A coordenadora da pesquisa destacou ainda que, com a queda no trimestre, o PIB brasileiro volta ao mesmo patamar do segundo trimestre de 2012. Está 4,2% menor do que o pico atingido no quarto trimestre de 2014, antes do início da recessão. Em comparação a outros mercados, o PIB nacional foi menos afetados que países como Alemanha (-2,2%), Reino Unido (2%), Portugal (3,9%) e Itália (4,7%). Vale ressaltar, contudo, que essa nações sentiram antes os efeitos da pandemia, com o pico de contágio acontecendo algumas semanas antes.

PIB e setor de serviços - resultado 1 tri_info

PIB e serviços

Com o resultado, o setor de serviços registra a primeira queda trimestral desde o final de 2016. No segmento, têm peso relevante atividades imobiliárias, comércio, setor público e o grupo chamado “outros serviços”, do qual faz parte a hotelaria, e que apresentou queda trimestral de 4,2% no período.

A queda dos serviços, ressaltou Rebeca, contribuiu para o recuo de 2% no consumo das famílias no primeiro trimestre, o maior desde 2001. Ela lembrou que o segmento têm peso relevante nos gastos dos brasileiros, representando cerca de 50% do consumo. A maior retração, segundo o IBGE, se deu nos serviços prestados às famílias, como restaurantes, hotéis e salões de beleza.

Agora, o setor de serviços – incluindo o turismo e a hotelaria – aguardam ampliação das medidas de apoio por parte do governo federal para enfrentar a crise. Ontem (27), a MP 936, que permite a suspensão de contratos, bem como a redução de jornada e de salários, foi aprovada na Câmara dos Deputados. O texto agora segue para aprovação do Senado, mas o ponto principal da MP segue em aberto: a prorrogação das medidas.

Outro ponto em questão são linhas de crédito em condições mais acessíveis para o empresariado. A hotelaria, pelo que apurou o Hotelier News, vem tendo conversas com o BNDES. Os esforços maiores são para mostrar os diferentes modelos de governança do setor e que, em alguns casos, a falta de garantias dificulta a tomada de financiamento em boas condições.

(*) Créddito da foto: Peter Kutuchian/Hotelier News

(*) Crédito do infgráfico: Folha de São Paulo