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O quebra-cabeça da retomada do turismo internacional

Por Nayara Matteis 5 de outubro de 2020

A corrida pela vacina contra Covid-19 é realidade e aquece as esperanças do mundo pela volta à normalidade. Enquanto a tão sonhada imunização não chega, destinos investem em ações que impulsionem viagens domésticas. Agora, e o turismo internacional? Qual será a velocidade da retomada? Já é momento de pensar em divulgação?

As incertezas são muitas para um enigma difícil de decifrar. No entanto, o visitante internacional não está na inércia, e dados divulgados pela Booking.com em julho mostram isso. Segundo a OTA, Rio de Janeiro e Gramado estão entre os destinos mais procurados por turistas estrangeiros. As duas cidades estão na wish list dos 100 lugares mais pesquisados.

De qualquer forma, muitos fatores compõem a equação. Conectividade, tarifa aérea e flexibilização das restrições de viagens, além de abertura das fronteiras, estão entre os mais importantes. Visando fomentar o intercâmbio entre nações, a OMT (Organização Mundial de Turismo) desenvolveu diretrizes para retomada do turismo internacional.

As medidas foram criadas em conjunto com o Comitê Global de Crise do Turismo. O objetivo é apoiar os governos e o setor privado a se recuperarem o mais rápido possível. E ações integradas desse tipo são mesmo fundamentais nesse momento. Dados da agência especializada das Nações Unidas alerta que a chegada de turistas internacionais podem cair entre 60% e 80% em 2020.

Em contrapartida, países desenvolvem seus próprios selos e certificações de segurança para atrair a confiança do turista. Bons exemplos são o Turismo Responsável, do MTur (Ministério do Turismo), ou o português Clean & Safe.

Turismo internacional: perspectivas de retomada

Sem data certa para a vacina, é difícil falar sobre retomada sem reproduzir futurismos. Cabeça pensante do turismo brasileiro, ex-presidente da Embratur e sócia da Matcher, Jeanine Pires acredita em um retorno lento e receoso. “Mesmo se houver uma vacina até a metade de 2021, ainda teremos a circulação do vírus. Então, é provável que venhamos a ter novos ciclos de contaminação. A pandemia afeta cada país de um jeito, mas impacta a todos. É uma interconexão global”, avalia.

Para ela, é preciso cautela com o retorno das viagens internacionais para o setor não sair mais prejudicado no futuro. “Se houver algum incidente ou quadro de piora da pandemia seremos todos afetados. As previsões sempre são mais otimistas do que a realidade. No Brasil ainda temos um turismo doméstico resiliente e amplo que será a grande oportunidade por um período. Além disso, há viagens de e para países vizinhos na América do Sul”.

Mercado internacional - hora da retomada_ jeanine pires

De acordo com Jeanine, destinos verão retomada do internacional em velocidades diferentes

Soma-se ao cenário a situação econômica deteriorada de parte da população, com o desemprego afligindo muita gente. Há ainda um descompasso entre a maneira como cada nação lida com a retomada. Certo é que, nos dias de hoje, os turistas privilegiam as viagens domésticas, mais baratas e de menor risco de contágio.

“Existe uma desordenação, principalmente na América Latina e no Brasil, o que atrasa mais ainda a retomada comparada a outros lugares. O retorno não será linear e sofrerá muitas oscilações, pois isso vai além da própria pandemia e da curva de contágio. Temos a situação das empresas aéreas também”, destaca.

Conectividade e tarifário aéreo

Sobre o tema da pauta, Eduardo Sanovicz é categórico: em menos de 10 meses não haverá retorno. “Acredito que quem está apostando nisso está equivocado. Ainda que os voos retornem, não será no mesmo volume. Haverá ainda muitas restrições de trânsito”, prevê o presidente da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas).

Segundo o executivo, a retomada das viagens fará o caminho inverso do que acontece no doméstico, sendo impulsionado pelo corporativo. “As primeiras viagens serão de absoluta necessidade de pessoas com demandas inadiáveis. Some-se isso o fato de que, no lazer, o turista paga seu próprio tíquete. E isso está ligado às perspectivas econômicas, que são bem ruins”, salienta.

Sobre a volta do turismo business, Jeanine acredita que esse nicho não voltará aos patamares pré-pandemia. “A Revista Fortune fez uma pesquisa com os 500 maiores CEOs do mundo e 51% deles disseram que as viagens a trabalho jamais retornarão aos índices de 2019. Serão substituídas por videoconferências”, comenta.

Se por aqui temos uma realidade, em outros destinos a retomada virá diferente. “A volta dos voos internacionais vai se dar de formas distintas mundo afora. Segundo a Iata, a malha aérea deve retornar ao patamar de 2019 apenas em 2024. É preciso estimular o setor aéreo, pois tem um peso econômico muito forte”, avalia.

Para complicar o quebra-cabeça, fatores como tíquete aéreo e câmbio tornam o cenário mais complexo no Brasil. Até o momento em que essa matéria foi escrita, o euro estava a R$ 6,55 e o dólar R$ 5,56. “O câmbio favorece viagens nacionais. Cidades com potencial para o lazer que conseguirem recuperar sua demanda podem registrar tarifas mais atrativas e desta forma o mercado vai se compondo em suas variáveis”, analisa Jeanine.

Promoção de destinos

Ainda no início da pandemia, a Embratur foi transformada em agência de promoção internacional do país por meio da MP 907. Agora, será o momento de investir em publicidade? Para Jeanine, quem não é visto não é lembrado e planos de ação precisam ser desenvolvidos.

 

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Categórico, Sanovicz diz que o mercado internacional não deve retomar em menos de 10 meses

“Vivemos um momento delicado. Por um lado, mesmo que as pessoas não estejam viajando para fora, destinos como Europa e Estados Unidos não desaparecem da nossa mente. Esses países realizam uma série de campanhas para que isso não aconteça. O Brasil não está fazendo o mesmo com seus mercados emissores”, lamenta.

Já o presidente da Abear tem uma opinião divergente. Para o executivo, a hora é de recuperação de imagem do Brasil e que, sem isso, a promoção turística se torna ineficaz. “Temos um problema grave de imagem devido à condução da pandemia, queimadas na Amazônia e Pantanal. Isso tudo reflete. O turismo internacional é consequência. Somos um país reconhecido mundialmente que sempre será lembrado seja por seu tamanho territorial, pela exportação ou sua presença na mídia. Em tempos normais seria necessário, mas agora o foco precisa ser outro”, finaliza.

(*) Crédito da capa: Shot by Cerqueira/Unsplash

(**) Crédito da foto: Vinicius Medeiros/Hotelier News

(***) Crédito da foto: Divulgação/Abear