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Resorts vivem nova fase com funding mais diversificado

Os resorts brasileiros avançam para um novo ciclo de crescimento, mas a expansão do segmento já não se apoia apenas no aumento da demanda por viagens de lazer. Operações mais eficientes, novas fontes de receita e modelos que combinam hotelaria, mercado imobiliário e diferentes estruturas de financiamento estão mudando a lógica de desenvolvimento desses empreendimentos no país.

Mais do que locais de hospedagem, os resorts passaram a concentrar gastronomia, entretenimento, bem-estar, experiências exclusivas e componentes imobiliários capazes de prolongar a permanência dos hóspedes, ampliar o consumo dentro das propriedades e fortalecer a rentabilidade dos ativos.

As perspectivas para o desenvolvimento do segmento estarão entre os temas debatidos durante o Hotel Trends Conference 2026, promovido pelo Hotelier News em parceria com a Noctua Advisory. A programação discutirá como resorts, empreendimentos de uso misto e modelos como multipropriedade e timeshare estão redefinindo a expansão da hotelaria de lazer no país.

Crescimento mais estruturado

Na avaliação de Pedro Freire, diretor de Desenvolvimento Cone Sul da IHG, que tem um acordo comercial com a Iberostar desde 2022, o setor inicia um novo ciclo e com bases mais sólidas. O cenário, portanto, envolve resiliência da demanda doméstica, operadores se profissionalizando e projetos estruturados de forma mais eficiente do ponto de vista financeiro.

“O resort deixou de depender exclusivamente da operação hoteleira para viabilizar investimentos. Hoje, os projetos combinam hotelaria, branded residences, componentes residenciais e modelos fracionados de propriedade, melhorando significativamente a equação financeira”, explica o executivo.

Pedro Freire - IHG - Resorts vivem nova fase com funding mais diversificado
Freire: “hoje, os resorts crescem sob bases mais sólidas”

Freire destaca que as marcas internacionais passaram a desempenhar um papel importante na atratividade dos ativos. Esse movimento ocorre, em grande parte, pela capacidade dessas bandeiras de oferecer distribuição global, programas de fidelidade, tecnologia, revenue management e força comercial, fatores que contribuem para elevar a performance financeira dos empreendimentos e reduzir os riscos para investidores e proprietários.

João Cazeiro, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios da Atrio Hotel Management, também observa que o crescimento ganhou força antes mesmo da pandemia e foi impulsionado pelo avanço da multipropriedade e o aumento do turismo doméstico.

De acordo com Cazeiro, apesar da desaceleração nas vendas de multipropriedade provocada pelo ambiente de juros elevados, o segmento encontrou novas alternativas de financiamento, especialmente por meio de bancos de fomento em regiões como Nordeste, Norte e Centro-Oeste, com destaque para o Banco do Nordeste.

“O turismo interno aumentou muito nos últimos anos, enquanto o turismo internacional também segue batendo recordes, impulsionado especialmente pela demanda de visitantes latino-americanos. Isso amplia a procura pelos resorts brasileiros e sustenta novos investimentos”, afirma.

Fabiana Leite, diretora da RCI para América do Sul, acredita que o momento atual representa uma evolução natural do setor. “O resort deixou de ser apenas um lugar para se hospedar e passou a ser o próprio destino da viagem, o que fortalece a ocupação e amplia as oportunidades de receita”, avalia.

Novas receitas

Para os especialistas, a consolidação do modelo all inclusive continuará impulsionando o segmento, mas não como principal diferencial competitivo. O futuro dos resorts está na capacidade de ampliar o gasto do hóspede durante toda a estada, ampliando a análise de resultados para além de ocupação e diária média.

É importante, portanto, olhar com atenção para grupos que que investem em experiências exclusivas, gastronomia diferenciada, bem-estar, entretenimento, eventos e programas de fidelização. Quanto maior o relacionamento com o cliente, maior o valor gerado para o negócio.

Fatores como wellness, gastronomia, entretenimento, esportes, serviços premium e experiências personalizadas já representam fontes relevantes de receita, inclusive dentro de empreendimentos all inclusive.

Fabiana Leite - RCI - Resorts vivem nova fase com funding mais diversificado
“O resort se tornou o destino da viagem”, diz Fabiana

Timeshare, funding e fidelização

Outro ponto de convergência entre os entrevistados é o papel do timeshare dentro da expansão dos resorts. Para Freire, o modelo deixou de ser apenas um instrumento comercial e passou a integrar a própria estrutura de financiamento dos empreendimentos.

“Quando bem executado, o timeshare permite antecipar receitas, reduzir a necessidade de capital durante a implantação e fortalecer a demanda futura do empreendimento”, explica. O executivo ressalta, porém, que o mercado amadureceu e que apenas incluir um componente de timeshare já não garante o sucesso de um projeto.

“O consumidor está mais seletivo e exige produtos melhores, operações mais profissionais e empreendimentos capazes de preservar valor no longo prazo”, complementa Freire.

Na avaliação do diretor da Atrio, o modelo também representa uma oportunidade para antecipar receitas e garantir ocupação futura dos resorts. Cazeiro ainda observa que clubes de férias ampliam o interesse do consumidor ao oferecer acesso a diferentes destinos e experiências de hospedagem.

Fabiana acrescenta que o timeshare fortalece o relacionamento de longo prazo entre empreendimento e cliente. “Quando combinado a plataformas de intercâmbio, ele oferece flexibilidade para viajar sem perder o investimento realizado, beneficiando tanto o consumidor quanto o resort”, afirma.

Diversificação no funding

Se há alguns anos o desafio era encontrar investidores para os empreendimentos, a discussão atualmente passa pela estruturação financeira dos projetos. Na visão do diretor da IHG, o capital continua disponível, mas tornou-se mais seletivo.

Family offices, fundos de investimento, investidores institucionais e crédito estruturado seguem buscando oportunidades, mas analisam com muito mais rigor a qualidade dos projetos, credibilidade dos desenvolvedores e capacidade de geração de retorno”, diz Freire. “Nesse cenário, modelos de uso misto ganharam protagonismo. A combinação entre hotelaria, componentes residenciais, fractional ownership e timeshare reduz a necessidade de capital durante o desenvolvimento e melhora a viabilidade econômica dos empreendimentos”, acrescenta.

Cazeiro destaca que bancos de fomento continuam desempenhando papel importante, especialmente nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, enquanto grandes grupos também utilizam recursos gerados por operações existentes para financiar novos projetos.

De acordo com a executiva da RCI, os próximos anos serão liderados pelos grupos que conseguirem equilibrar crescimento, tecnologia, inteligência de dados, experiência do cliente e fidelização.

João Cazeiro - Atrio - Livá - Resorts vivem nova fase com funding mais diversificado
Para Cazeiro, o all inclusive fortalece a expansão

Os entrevistados avaliam que dificilmente novos resorts dependerão de uma única fonte de recursos. A tendência é combinar diferentes instrumentos financeiros — crédito estruturado, capital privado, fundos, componentes imobiliários e receitas antecipadas provenientes de modelos como timeshare e fractional ownership — para reduzir riscos e aumentar a atratividade dos projetos.

Mercado mais maduro

A principal mudança do setor está na forma como os empreendimentos são planejados. Mais do que ampliar a oferta de resorts, os investidores passaram a buscar ativos capazes de combinar eficiência operacional, diversificação de receitas e maior resiliência ao longo dos ciclos econômicos.

O mercado vive uma segmentação crescente, com espaço para resorts familiares, de luxo, lifestyle, wellness e adults only. Essa especialização permite capturar diferentes perfis de demanda, reduzir a dependência de um único segmento de hóspedes e tornar os empreendimentos mais resilientes diante das oscilações do mercado.

Os resorts brasileiros estão em uma fase de maior maturidade. O crescimento continua relevante, mas passa a depender menos da expansão acelerada da oferta e mais da capacidade dos empreendimentos de gerar valor ao hóspede, diversificar receitas e entregar retorno consistente aos investidores.

Serviço

Hotel Trends Conference

Datas: 2 e 3 de setembro de 2026
Local: Renaissance São Paulo
Endereço: Alameda Santos, 2233 – Jardim Paulista
Horário: de 8h às 18h30 (1º dia) e de 8h às 16h (2º dia)
Informações e ingressos: https://bit.ly/4gLPzy2


O Hotel Trends Conference é uma realização do Hotelier News, em parceria com a Noctua Advisory. Em sua 5ª edição, o encontro tem como patrocinadores o Grupo R1, Wyndham Hotels & Resorts, Accor, Atrio Hotel Management, Best Western Hotels & Resorts, Estancorp, Hplus, Hilton, Hyatt Hotels, Letsbook, Lighthouse, Marriott International, TOTVS, Atlantica Hospitality International, Climber RMS, Equipotel, Onfly, STR, Anserve, Duarte Garcia Serra Netto e Terra, Hotelaria Brasil, Hotéis Deville, IHG Hotels & Resorts, RCI, Realgems e RZK Advogados.

Logo-Patrocinadores-Hotel Trends Conference - Agosto

(*) Crédito da capa: Magnific

(*) Crédito das fotos: Divulgação

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