Com caixa restabelecido após os fortes impactos de mais de dois anos de pandemia, os hotéis retomam o movimento dos retrofits, fundamental para garantir experiências cada vez melhores aos hóspedes, que reforçaram a priorização do conforto e bem-estar após a crise sanitária.
“Estamos realizando melhorias em algumas das áreas dos nossos hotéis de São Paulo e Paraná, em unidades localizadas em na capital puslista, Guarulhos, Curitiba e Maceió. As mudanças estão sendo feitas no lobby, restaurante e apartamentos”, afirma Eraldo Santanna, diretor de Operações da Slaviero Hotéis, em entrevista ao Hotelier News.
“Essas reformas são feitas utilizando o fundo de reservas de cada hotel. Aumentamos esse fundo e diminuímos a distribuição. A decisão de fazer essas melhorias foi baseada na necessidade de ter propriedades mais atualizadas e, aproveitando que estamos com o benefício do Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos), conseguimos um fôlego a mais”, completa.
Outra rede que também está promovendo melhorias em seus empreendimentos é a Royal Hotéis. “Propriedades antigas geram avaliações baixas e o retrofit permite elevar esses feeedbacks. Além disso, essas reformas posicionam melhor os hotéis no mercado e, a partir do momento em que o empreendimento está mais bem ranqueado, é possível cobrar diárias maiores”, afirma Acácio Pinto, diretor executivo do grupo.
“Então, quando você chega com um estudo embasado sobre o que pretende fazer, o dinheiro investido retornará rápido, e foi isso que a Royal propôs aos investidores: reter 50% do lucro para reinvestir em retrofits, ou seja, estamos realimentando essas melhorias sem a necessidade de um aporte externo”, ressalta.
Dicas
Pinto destaca que, para fazer um retrofit de forma eficaz, é necessário apresentar um bom plano de negócio, que deve incluir pontos como projeto e ganhos tangíveis. Feito isso, o próximo passo é contratar um bom arquiteto. Por fim, o terceiro ponto, e não menos importante, é ter um cronograma mostrando como e quando tudo deve ser feito, de forma que não traga efeitos negativos para a receita dos hotéis.
Complementando esse raciocínio, Santanna diz que é vital fazer um orçamento de todo o prédio e alinhar com os fornecedores e, em seguida, validar junto aos investidores. Tanto ele quanto Pinto afirmam que o que pode encarecer os retrofits são os custos de materiais e equipamentos, que são mais altos do que os do projeto em si.
Cases
Na Slaviero, o grande destaque é o retrofit da unidade de Moema, na capital paulista. O empreendimento de 160 apartamentos funciona no modelo de condo-hotel e foi assumido pela rede em 2017. “É um prédio de cerca de 20 anos e, um ano após assumirmos, já iniciamos uma reforma, que precisou ser interrompida pouco tempo depois, devido à pandemia de Covid-19”, ressalta Santanna.
“De lá para cá, realizamos reformas no lobby, restaurante, e agora passamos para os apartamentos. O projeto foi todo atualizado e já entregamos 40 apartamentos completamente renovados, em estrutrura e mobiliário. Os demais devem ser entregues ainda este ano”, complementa Santanna.
Já na Royal, dois empreendimentos são destaque: o Royal Design BH, representando o modelo condo-hotel, e o Vila Rica Campinas, que funciona no modelo tradicional. O primeiro foi inaugurado em 2014 durante a Copa do Mundo no Brasil e, ao longo dos anos, a rede sentiu a necessidade de redesenhá-lo.
“É um hotel econômico, de 77 apartamentos, e como o breakeven é baixo, precisávamos criar atrativos para trazer receitas além da hospedagem. Por isso, fizemos um investimento de R$ 10 milhões em melhorias na recepção e em atrativos como coworking, cafeteria, experiência de calçada, área de eventos, novos pisos, além de investir no avanço da conectividade dentro do empreendimento”, diz Pinto.

Já no Vila Rica Campinas, o objetivo é fazer uma reforma também de apartamentos, restaurante e sala de eventos. “Foi feito um retrofit em 2007, mudando algumas coisas básicas nos apartamentos. Eu defendo a tese de que boas reformas vêm com tematização, e esse que estamos fazendo conta a história de Campinas”, completa.
“Ao se hospedar no quinto andar, por exemplo, o hóspede terá uma experiência imersiva no corredor, e dentro dos apartamentos, com itens que contem a história da cidade. O número de acomodações vai subir de 92 para 94 e vamos entregar essa reforma em setembro deste ano”, finaliza.
(*) Crédito das fotos: Divulgação/Royal Hotéis














