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Seca na semana: como hotéis buscam driblar a baixa ocupação

Enquanto fins de semana continuam garantindo quartos cheios em muitos hotéis, os dias úteis permanecem como um verdadeiro desafio para a rentabilidade do setor. Em busca de soluções, redes, hotéis independentes e resorts têm apostado em estratégias criativas, parcerias inusitadas e experiências diferenciadas para atrair hóspedes durante a “seca semanal”.

O Hotelier News conversou com especialistas para entender como essas iniciativas estão impactando a operação, fomentando novas tendências e revelando oportunidades que podem ser replicadas por diferentes tipos de hospedagem. Rodrigo Vaz, vice-presidente Comercial da Resorts Brasil, destaca que a diferença na ocupação entre fins de semana e dias úteis pode atingir 30 ou 40 pontos percentuais em alguns casos.

Segundo o executivo, essa baixa ocupação reduz a taxa média de ocupação mensal, afeta a diária média e, consequentemente, a rentabilidade. Ele também ressalta que, para um resort, manter a estrutura e o padrão de serviço tem quase o mesmo custo com 40% ou com 80% de ocupação, o que significa que cada quarto vazio durante a semana é uma oportunidade de receita perdida.

Para lidar com a baixa ocupação em dias úteis, segundo Vaz, os resorts vêm adotando estratégias baseadas em quatro pilares principais. Entre elas, estão a diversificação de mercado e regiões, a atuação em diferentes segmentos, a criação de produtos diferenciados e o uso de ofertas promocionais.

Rodrigo Vaz
Vaz ressalta necessidade de novas estratégias

O executivo explica que alguns empreendimentos associados à entidade criaram programas temáticos de meio de semana — como semanas gastronômicas, festivais de música ou experiências de bem-estar — que só acontecem de segunda a quinta-feira.

“Existe a oportunidade de trabalhar públicos diferentes, que não dependam do final de semana para viajar, tal qual melhor idade e aposentados. São comuns, também, as parcerias com empresas para programas de incentivo corporativo, hospedando equipes em treinamentos ou eventos. Alguns empreendimentos firmam parcerias com agências de turismo e influenciadores para estimular a venda de escapadas de duas a três noites fora do final de semana, além de preços especiais”, destaca.

Para Vaz, a gestão de equipes é uma preocupação constante para os resorts, já que a sazonalidade causa um impacto direto na operação. Para otimizar custos, é preciso ajustar escalas e investir em treinamento multifuncional. Já para absorver mais demanda, a tarifa flutuante é uma aliada.

O executivo justifica que, com preços mais competitivos, é possível melhorar a ocupação. Pacotes com benefícios exclusivos também têm boa adesão. “O objetivo é comunicar bem ao público que durante a semana é possível ter uma experiência igual ou até mais exclusiva por um valor mais atrativo”, salienta.

O conceito de bleisure também se tornou uma realidade para o muitos hotéis, já que deixou de ser tendência e virou realidade com o avanço do trabalho remoto. Para atender a esse público, que valoriza a qualidade de vida sem abrir mão da produtividade, os resorts têm criado espaços de coworking e ampliado a conectividade, aproveitando a oportunidade de ter hóspedes que prolongam a estadia para além do final de semana.

Iniciativas

Alejandro Geis, gerente geral do Wyndham Gramado, ressalta que, no empreendimento, embora o primeiro semestre tenha tido uma boa ocupação nos dias de semana, o começo de agosto é o momento no qual o cenário muda, e o fim de semana passa a concentrar a maioria da demanda.

“De segunda a quinta, ficamos com uma ocupação um pouco menor, normal nos hotéis de lazer”, diz. Para superar esse desafio, o hotel tem investido em estratégias para períodos menos atrativos. Uma das táticas é o uso de ferramentas de IA (Inteligência Artificial) para identificar perfis de clientes e ajustar preços.

Alejandro Geis
Geis detalha estratégias do empreendimento

Assim, a unidade tem focado em públicos específicos, como o 60+, que tem mais flexibilidade para viajar em dias úteis. Além disso, o Wyndham Gramado tem trabalhado com pacotes de estada mínima de duas a cinco noites durante a semana, incentivando a permanência e o aproveitamento dos atrativos da cidade.

O bleisure também está em alta na estratégia do empreendimento, segundo Geis. “Percebemos isso desde a pandemia, esse novo perfil de hóspedes, que vem relaxar, e também aproveitam para trabalhar durante a semana”, afirma.

Para atender a essa demanda, o hotel investiu em internet de alta conectividade para garantir uma experiência de trabalho remoto positiva e, assim, equilibrar a balança. A propriedade também tem se focado no segmento Mice para captar eventos e manter uma ocupação saudável.

Outras estratégias incluem a fidelização de hóspedes através do programa Wyndham Rewards, parcerias com influenciadores e empresas, além de colaborações com parques. Por fazer parte da secretaria de Turismo de Gramado, o empreendimento tem acesso a informações sobre o calendário de eventos da cidade, como a Oktoberfest e o Festival de Cinema, o que ajuda a movimentar a demanda. Geis se mostrou otimista com o futuro, destacando que os resultados do hotel estão bem acima em relação ao ano passado.

Mudando o cenário

Julio Ferraz, gerente geral do São Pedro Thermas Resort, pontua que a principal vantagem competitiva do empreendimento é a sua estrutura de complexo com parque aquático. Ele explica que, por ser um “resort pé no parque”, o local pode trabalhar os dias de semana de maneira estratégica para públicos com maior disponibilidade, como o 60+.

Para preencher a ocupação nesses dias, o resort utiliza tarifas e pacotes promocionais de segunda a quinta, e também oferece a possibilidade de estender a estadia de quem fica de sexta-feira a domingo.

Julio Ferraz
“Diversificar é o caminho”, diz Ferraz

O resort também investe em um mix de lazer e eventos, se concentrando em atrair grupos, excursões e projetos pedagógicos. Além disso, a comunicação tem um papel fundamental, com o uso de blogs, redes sociais e parcerias com influencers. Como resultado dessas estratégias, o empreendimento teve aumento de 21% na ocupação durante os dias de semana até julho, o que representa R$ 6 milhões a mais em receita em relação ao mesmo período de 2024.

o gerente reforça que muito desse resultado é creditado à adaptação do bleisure. “Hoje, não é mais uma tendência, mas um comportamento de mercado, que veio para ficar, e hotéis que não se adaptarem vão ficar para trás”, finaliza.

(*) Crédito das fotos: Divulgação

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