A hotelaria está em constante transformação e o short-term rental vem atraindo a atenção de grandes redes do setor. Vinculada ao guarda-chuva da Atrio Management, a Xtay é liderada por Gabriel Fumagalli, CEO e fundador do braço de aluguéis por temporada da operadora.
Unindo a expertise da rede no setor hoteleiro, que opera hotéis da Accor, por exemplo, com o novo modelo, a missão de Fumagalli é continuar profissionalizando o STR no país.
No Três perguntas para, ele explica como o formato no qual atua é considerado um fenômeno, mas ainda tem implicações negativas no Brasil. Além disso, Fumagalli também ressalta as estratégias que a Xtay está implementando para liderar a transformação do segmento.
Três perguntas para: Gabriel Fumagalli
Hotelier News: Na visão pessoal, como você enxerga o short-term rental no Brasil e no mundo? O que você têm acompanhado sobre o assunto e o que têm servido para a Xtay?
Gabriel Fumagalli: O mercado de short-term rental tem crescido globalmente, consolidando-se como uma alternativa viável e desejada tanto para viajantes, quanto para investidores. No Brasil, estamos vivenciando uma transformação significativa no consumo habitacional e de hospedagem, impulsionada por um público que valoriza cada vez mais flexibilidade e praticidade, características que o STR entrega com excelência, além de diárias menores quando comparado a hotelaria por conta de não termos tantos serviços agregados ao aluguel como em um hotel.
Por outro lado, o mercado de STR também apresenta desafios, como a baixa barreira de entrada, que resulta em um ambiente amplamente fragmentado e, muitas vezes, amador. É comum vermos corretores, zeladores, síndicos, ou o proprietário administrando alguns imóveis, mas o verdadeiro diferencial está em lidar com os desafios de escalar operações. À medida que o volume cresce, a capacidade de dissolver custos fixos e otimizar margens se torna essencial para a sustentabilidade do negócio.
Globalmente, observamos movimentos importantes, como a parceria da Sonder com a Marriott, que demonstra como o STR pode ser complementar à hotelaria tradicional, mesmo após um IPO desafiador. Empresas como a Vacasa também têm se destacado ao escalar operações com foco em profissionalização, o que valida a importância de tecnologia e eficiência operacional no setor.
Na Xtay, aplicamos essas lições ao mercado brasileiro, integrando práticas de automação de processos, precificação dinâmica e tecnologia para oferecer jornadas digitais aos hóspedes. Além disso, utilizamos o conceito de multi-stay, adaptando o mix entre short, mid e long stay para maximizar a rentabilidade dos imóveis que gerenciamos. Estamos comprometidos em liderar essa transformação no Brasil, mostrando que o STR é mais que uma tendência; é o futuro da hospitalidade.
HN: Com a vivência interna do setor, você enxerga, de fato, uma relutância da indústria tradicional de hospitalidade com o STR? De que forma isso se manifesta? Há diálogo entre as partes?
GF: Historicamente, há uma certa relutância da indústria hoteleira tradicional em relação ao STR, especialmente em grandes cidades, onde há preocupações sobre o impacto na ocupação dos hotéis. Essa resistência geralmente está ligada a questões regulatórias e a percepção de concorrência direta.
Na Xtay, enxergamos o STR como um complemento à hotelaria tradicional, não como um competidor. Por sermos parte do grupo hoteleiro Atrio Hotéis, temos uma visão integrada do mercado, que nos permite priorizar as necessidades dos clientes acima de qualquer tensão percebida entre os dois modelos. Nossa abordagem é atender a demanda por flexibilidade e experiências diferenciadas, que muitas vezes o setor tradicional não consegue oferecer com a mesma leveza e agilidade.
Também acreditamos que o diálogo é essencial. A parceria entre a Sonder e a Marriott é um exemplo claro de como o STR pode ser um aliado, trazendo inovação para o setor. Além disso, começamos nossos processos do zero, o que nos dá uma vantagem para otimizar operações e implementar tecnologias inovadoras com maior facilidade. A regulamentação, por sua vez, é necessária e bem-vinda para equilibrar o mercado, garantindo segurança e qualidade para todos os envolvidos.
HN: De forma geral em relação à hotelaria, o que a Xtay espera fazer a longo prazo? Qual a ideia da marca após alguns anos no mercado? O que foi aprendido e o que ainda falta?
GF: A missão da Xtay é revolucionar o mercado de hospedagem por meio da tecnologia, oferecendo um produto de bom custo-benefício para os hóspedes e garantindo boa rentabilidade para os proprietários. Nossa visão a longo prazo é liderar essa transformação no Brasil, nos tornando referência em eficiência operacional e maximização de resultados no setor.
Além de operar e transformar imóveis, a Xtay tem desempenhado um papel crucial em assessorar incorporadores que desejam construir produtos de residencial para renda, trazendo as melhores práticas do mercado. Esse suporte é essencial para garantir que os empreendimentos sejam projetados para maximizar a rentabilidade e sejam viáveis de operar a longo prazo.
Também temos trabalhado para educar investidores sobre a importância de manutenção, renovação e alinhamento constante dos imóveis às demandas de operação. Produtos que permanecem atualizados e bem cuidados não apenas oferecem melhores experiências aos hóspedes, como também garantem maior competitividade e retorno financeiro aos proprietários.
Até agora, aprendemos que o mercado ainda enfrenta desafios significativos, como a necessidade de adaptação dos produtos entregues por incorporadoras e o alinhamento de expectativas entre corretores, incorporadores e investidores. Apesar disso, temos avançado na construção de um ecossistema mais profissional e sustentável.
Ainda falta consolidar nosso papel como influenciadores de transformação cultural no setor, promovendo um entendimento mais amplo da profissionalização e estruturação do modelo de STR no Brasil. Nosso foco permanece em continuar aprimorando processos internos para escalar com qualidade, enquanto colaboramos com todos os stakeholders para entregar resultados consistentes e transformar o mercado de hospedagem no Brasil.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Xtay














