Longe da rotina intensa da hotelaria, Jarves Rockenbach, gerente geral do Pullman São Paulo Guarulhos Airport, encontra no mar, na família e em atividades que ajudam a desacelerar os principais pontos de equilíbrio para o dia a dia. Santa Catarina está entre os destinos preferidos do executivo, que aproveita as viagens ao estado para estar perto da praia.
Filmes e séries, caminhadas e yoga também fazem parte da rotina de Rockenbach fora do trabalho. A música completa esse repertório de momentos de relaxamento, com um gosto eclético que passa pela MPB, pelo pop e por novos talentos da música nacional.
A trajetória profissional, no entanto, começou bem distante da hotelaria. Graduado em Engenharia Agronômica pela UPF (Universidade de Passo Fundo), Rockenbach ainda atuava em sua área de formação quando a empresa em que trabalhava adquiriu um hotel. O que parecia ser apenas uma mudança de rota acabou se tornando o ponto de partida para uma carreira de mais de três décadas.
Ao assumir a gerência do empreendimento, o executivo descobriu uma nova identificação profissional. “Assumi a gerência do hotel e foi nesse ambiente que descobri minha identificação com a hotelaria, especialmente com os desafios da gestão, a liderança de equipes, o relacionamento com pessoas e a busca constante pela excelência na experiência dos hóspedes”, relembra.
Desde então, Rockenbach passou por empreendimentos como Caesar Park Ipanema, Pullman Ibirapuera e Caesar Business Paulista, entre outros. Com mais de 30 anos de experiência no setor, acumulou vivências em diferentes operações e desafios da hotelaria.
No Três perguntas para de hoje (24), o executivo compartilha um pouco dessa trajetória e fala sobre estratégia, diferenciais competitivos e outros temas que fazem parte de sua rotina à frente de uma operação hoteleira. Confira!
Três perguntas para: Jarves Rockenbach
Hotelier News: Em um hotel com forte demanda de passagem, como equilibrar a necessidade de vender quartos rapidamente com a estratégia de preservar diária média? Em quais momentos vocês preferem abrir mão de ocupação?
Jarves Rockenbach: No Pullman Guarulhos, buscamos equilibrar ocupação e diária média por meio de uma gestão de receita muito próxima do comportamento da demanda. Como temos diferentes perfis de hóspedes e uma demanda bastante dinâmica, acompanhamos continuamente esse movimento para entender quando há espaço para trabalhar volume e quando é mais estratégico preservar tarifa. Em períodos de alta procura, priorizamos tarifas e canais que trazem maior valor para o negócio, evitando que a busca por ocupação aconteça de forma isolada.
O objetivo é encontrar o melhor equilíbrio entre volume, tarifa e rentabilidade, sempre com uma visão de receita total. Por isso, em determinados momentos, podemos optar por não buscar uma ocupação máxima quando isso significar comprometer a diária média e, consequentemente, a rentabilidade do hotel. O foco está em maximizar receita e resultado, e não apenas em preencher quartos.
HN: A proximidade com o Aeroporto de Guarulhos é uma vantagem óbvia, mas também cria uma demanda muito sensível a atrasos, cancelamentos e mudanças na malha aérea. Como transformar essa imprevisibilidade em oportunidade comercial?
JR: Essa proximidade nos permite responder rapidamente a uma demanda que, muitas vezes, surge de forma inesperada. Acompanhamos o comportamento dos voos e os períodos de maior movimento justamente para identificar padrões e antecipar oportunidades, mas também precisamos estar preparados para reagir com agilidade às mudanças.
Em situações de atrasos ou cancelamentos, por exemplo, a flexibilidade comercial e a agilidade operacional são fundamentais para atender passageiros que precisam de uma solução de última hora. Mais do que responder a uma necessidade pontual, esse contato pode ser uma oportunidade de apresentar toda a estrutura do hotel e construir uma relação com um hóspede que, em outro momento, pode voltar por diferentes motivos.
Dessa forma, transformamos uma demanda imprevisível em oportunidade de receita e, principalmente, de fidelização.
HN: Em um empreendimento que recebe hóspedes com necessidades muito diferentes — desde quem chega de madrugada para dormir algumas horas até quem participa de um evento de vários dias — como evitar que a operação fique excessivamente padronizada?
JR: Temos uma estrutura bastante flexível, que permite atender diferentes segmentos e necessidades, desde o hóspede em trânsito até grupos corporativos, eventos e também o lazer. Entendemos que processos e padrões são fundamentais para garantir consistência e qualidade na operação, mas eles não precisam significar uma experiência engessada.
Por isso, buscamos trabalhar com uma base operacional sólida, mantendo a flexibilidade necessária para adaptar serviços e soluções de acordo com o perfil e o objetivo de cada hospedagem. Nossa estrutura, nossos serviços e nossos espaços permitem responder a necessidades bastante distintas, seja de quem está no hotel por poucas horas, seja de um grupo que permanece por vários dias.
Essa combinação entre eficiência e flexibilidade nos permite manter a qualidade da operação sem perder personalização e, principalmente, sem limitar o hotel a um único perfil de cliente.
(*) Crédito da foto: Divulgação














