Em meio a um cenário de expansão mais criteriosa na hotelaria, a busca por ativos com potencial de reposicionamento e modelos de crescimento mais eficientes ganha protagonismo nas estratégias das operadoras. Na Hplus Hotelaria, esse movimento passa diretamente pela atuação de João Paulo Rocha, head de Negócios e responsável por identificar oportunidades alinhadas ao perfil da companhia.
Com oito anos de casa e trajetória iniciada na controladoria, o executivo acompanha de perto o avanço da rede em diversas frentes. De conversões a entrada em novas praças e parcerias estratégicas, o executivo de 37 anos também atua na avaliação de ativos e na estruturação de projetos que reforçam o posicionamento da Hplus em gestão, governança e geração de valor para investidores.
Em sua participação no Três perguntas para, Rocha detalha os critérios que orientam a expansão da companhia. Ele também cita os desafios na análise de viabilidade no cenário brasileiro e os modelos de crescimento que guiam a estratégia da rede.
Hotelier News: Quais fatores são determinantes hoje na escolha de novas praças e projetos para expansão da rede?
João Paulo Rocha: Hoje, a nossa análise parte de um modelo de atuação validado ao longo de 24 anos de Hplus. Essa experiência nos mostrou que uma expansão consistente depende de leitura correta da praça, capacidade de ativação comercial, potencial de resultado do ativo e aderência ao nosso modelo de gestão.
Temos expertise consolidada em produtos corporativos, tanto em grandes centros urbanos quanto em destinos litorâneos com demanda empresarial e de lazer relevante. Isso nos permite atuar em mercados com diferentes composições de hospedagem. Também acompanhamos com atenção regiões de forte dinamismo econômico, como o cinturão do agro.
Além da praça, avaliamos muito o próprio empreendimento. Em vários casos, encontramos ativos com boa localização e potencial comercial, mas que precisam de reposicionamento, maior profissionalização e restabelecimento da confiança entre investidores, condomínio e operação.
É nesse cenário que a Hplus consegue gerar valor de forma mais clara, ao combinar gestão, inteligência comercial e capacidade de construir um resultado sustentável no médio e no longo prazo.
HN: Como a Hplus avalia a viabilidade de novos empreendimentos em um cenário ainda marcado por oscilações de demanda e custos?
JPR: A viabilidade hoje exige uma leitura bastante criteriosa. Nós avaliamos demanda, concorrência, estrutura de custos, necessidade de investimento no ativo e, principalmente, a capacidade de geração de resultado no médio e no longo prazo. No nosso caso, há um componente adicional muito importante: a experiência com condo-hotéis e a relação entre operação e investidores.
Muitas vezes, o problema do empreendimento não está só no mercado, mas em falhas de governança, comunicação e previsibilidade. Quando conseguimos organizar esse ambiente com transparência, seriedade e alinhamento de expectativas, o ativo volta a ter condição de performar melhor. As conversões mostram isso com clareza, porque permitem reposicionar prédios já existentes, corrigir rota comercial e operacional e devolver competitividade ao empreendimento.
HN: Quais modelos de crescimento têm se mostrado mais estratégicos para a companhia? O que define a decisão entre eles?
JPR: Hoje, as conversões são o nosso principal vetor inicial de crescimento. Isso acontece porque são empreendimentos que permitem atuar com mais velocidade em ativos que demandam reposicionamento e condução mais técnica. São ativos que, muitas vezes, têm mercado e localização, mas perderam eficiência ao longo do tempo e precisam recuperar competitividade, organização e credibilidade na relação com seus investidores.
Ao mesmo tempo, a parceria estratégica com a Accor amplia muito a nossa capacidade de atuação. Ela atende a dois pontos importantes: chancela a Hplus como uma operadora de qualidade e abre portas em mercados nos quais a força de uma bandeira internacional faz diferença.
A decisão entre uma conversão com marca própria ou uma operação vinculada a uma bandeira global depende sempre do perfil do ativo, da praça e do que faz mais sentido para maximizar resultado com consistência no longo prazo.
(*) Crédito da foto: Divulgação/Hplus Hotelaria











