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Três perguntas para: Juliana Carbonari

Com quase 15 anos de experiência em consultoria estratégica e avaliação de imóveis, Juliana Carbonari atua como vice-presidente da área de Hotéis & Hospitalidade da JLL no Brasil. À frente de projetos que envolvem pesquisa de mercado, benchmarking, projeções financeiras e estudos de viabilidade em diferentes países da América Latina, a executiva combina a bagagem em operações hoteleiras com uma visão analítica sobre os rumos do setor.

Além da atuação técnica, Juliana também foi líder do WBN (Women’s Business Network) da JLL entre 2023 e 2024. A iniciativa era voltada a promoção da igualdade de gênero e fortalecimento da presença feminina na hotelaria e hospitalidade.

Em sua segunda participação na seção Três perguntas para, ela analisa o desempenho da hotelaria global em 2025, elucida os desafios impostos pela desaceleração dos novos projetos e traz recomendações para o planejamento de 2026.

Três perguntas para: Juliana Carbonari

Hotelier News: Com o final do ano se aproximando, como avaliar o desempenho da hotelaria global em 2025 até o momento? Como deve se encerrar este período?

Juliana Carbonari: O RevPar global continua atingindo níveis históricos, porém o crescimento começou a moderar em 2025 devido ao agravamento do sentimento do consumidor em meio ao aumento da volatilidade geopolítica. No primeiro semestre, o indicador mundial cresceu 4,8%, impulsionado pelo forte desempenho do Oriente Médio/África (9,3%) e Europa (6,0%), contrastando com o crescimento mais modesto nas Américas (1,0%) e Ásia-Pacífico (3,0%).

Embora as viagens internacionais tenham se recuperado completamente em relação a 2019, o agravamento das tensões comerciais e a volatilidade geopolítica estão impactando negativamente os fluxos de viagem de e para os EUA, pressionando a demanda hoteleira. Para o restante do ano, esperamos que o RevPar continue crescendo nas regiões do Oriente Médio/África e Europa, enquanto nas Américas o desempenho regional deverá ser sustentado pelos mercados sul-americanos, especialmente Brasil, Chile e Peru, compensando parcialmente o tímido desempenho observado no mercado americano.

HN: Apesar do RevPar ainda manter um bom nível, o último relatório da JLL retrata um cenário desestimulador em termos de novos projetos hoteleiros. Se essa equação continuar assim, o que podemos esperar?

JC: O crescimento moderado da oferta hoteleira global, esperado para ser abaixo da média de longo prazo nos próximos quatro anos, é principalmente atribuído aos custos de construção que permanecem elevados. Este cenário de oferta restrita deve beneficiar significativamente os hotéis existentes, especialmente aqueles localizados em mercados urbanos e outras áreas com altas barreiras de entrada, uma vez que enfrentarão menor competição de novas propriedades.

Simultaneamente, esta dinâmica está estimulando as marcas hoteleiras a repensarem suas estratégias de expansão, levando-as a utilizarem seus balanços patrimoniais de forma mais ativa para impulsionar o crescimento líquido de unidades, seja através de aquisições, conversões ou parcerias estratégicas.

A mudança no ambiente de oferta também tende a sustentar o crescimento do RevPar e pode estimular maior atividade de fusões e aquisições no setor, à medida que as empresas buscam crescimento por meio de transações em vez de novos desenvolvimentos.

HN: Especificamente no Brasil, qual dica é possível dar para a hotelaria com relação ao planejamento de 2026? Quais são as perspectivas?

JC: Para a hotelaria brasileira em 2026, a principal dica é manter consciência no controle de custos, enquanto simultaneamente investem em aumentos de receitas e complementares e melhorias de experiência do hóspede. Os hotéis que investirem em flexibilidade operacional, parcerias com plataformas digitais, foco em contenção de custos e aumento de receitas complementares, com foco especial em A&B, estarão mais bem posicionados para capturar a demanda crescente e os novos padrões de consumo dos viajantes pós-2025.

As perspectivas são promissoras, com expectativa de crescimento do turismo doméstico e internacional, especialmente com a melhoria da conectividade aérea, o fortalecimento do Real em cenários econômicos mais estáveis, e o crescente interesse por destinos de ecoturismo e turismo de experiência.

(*) Crédito da foto: Arquivo pessoal

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