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Um conto ‘chinês’ em Gramado (RS)

Por Vinicius Medeiros 9 de junho de 2020

Gramado - Casa Hotéis_Parador Casa da MontanhaLotado aos finais de semana, Parador já tem 50% do hotel vendido em junho 

A Muralha da China fica a dezenas de milhares de quilômetros, mas, acredite, não está tão distante assim de Gramado (RS). Sim, como o mercado asiático, o município gaúcho está algumas semanas “na frente” de outras praças do país ao iniciar a reabertura da hotelaria no início de maio. E, como no outro lado do mundo, a demanda vem respondendo. Com três unidades na cidade, além de outra nas proximidades, o Casa Hotéis é um case interessante neste sentido e tem visto seus hotéis lotarem nos finais de semana.

Agora, não pense que tudo são flores. O grupo gaúcho passou os mesmos apertos que todos os demais meios de hospedagem do país. Fechou hotéis, fez uso das MPs (Medidas Provisórias) para lidar com questões trabalhistas e, inevitavelmente, desligou parte da equipe. Ainda assim, o Casa Hotéis soube aproveitar o período: usou bem seus canais digitais, estreitou a relação com públicos interno e clientes, desenvolveu seus protocolos de segurança e, neste momento, colhe os frutos, o que se traduz em uma reabertura em níveis saudáveis.

“Na data do anúncio da reabertura dos hotéis em Gramado, vendemos seis quartos no Casa da Montanha. No dia seguinte, mais 10. Encerramos maio com 25% de ocupação e, o mais importante, sem baixar tarifa”, comenta Rafael Peccin, diretor de Marketing do Casa Hotéis, que também gere o Hotel Wood e o Parador Casa da Montanha, em Cambará do Sul (RS), além do Petit Casa da Montanha, que ainda não retomou as atividades. “É um hotel mais econômico, com uma conta mais difícil de fechar, por isso a postergação”, explica.

Aberto no final de 2018, o Hotel Wood vem tendo bons resultados neste início de retomada. Lotado nos últimos finais de semana, o empreendimento também vem tendo satisfatória demanda do A&B (Alimentos & Bebidas), com seu restaurante Wood Lounge Bar & Restaurante sendo bastante procurado pelo público externo. É o Parador, contudo, que registra a melhor performance até aqui. Reaberto desde 1º de maio, a unidade opera com 100% da oferta desde o início, diferentemente dos hotéis de Gramado, onde decreto municipal limitava o inventário a 50% do total – agora o percentual aumentou para 70%. 

“Foi uma retomada de demanda quase instantânea no Parador. Em maio, conseguimos fechar com 45% de ocupação”, destaca Peccin, revelando números similares aos vistos na recuperação do mercado chinês. “Em junho, já temos todos os finais de semana lotados e prevemos encerrar o mês com o indicador na casa de 60% a 70%. Isso porque, hoje, já tenho 50% do hotel vendido”, completa o executivo.

Casa Hotéis - Rafael Peccin_capaPeccin: demanda atual é majoritariamente de clientes que conheciam a marca

Estratégia no mercado de Gramado

Agora, o que explica os bons números do grupo gaúcho até o momento, pelo menos diante das circunstâncias? Para Peccin, é um conjunto de fatores, que engloba o perfil do público e do tipo de demanda e, claro, o dever de casa feito internamente. “Historicamente, mais de 50% do nosso público é regional. Portanto, estamos bem perto dos nossos principais mercados emissores, que são o próprio Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Além disso, é um perfil de viajante da classe A, que não teve sua renda tão comprometida na pandemia”, ressalta.

Dessa forma, boa parte dos hóspedes que garantem essa boa ocupação ao Casa Hotéis era de clientes que já conheciam a marca. É justamente aí que entra o dever de casa do grupo gaúcho. “Aproveitamos o período fechados para trabalhar o fortalecimento da marca Casa Hotéis, que lançamos oficialmente no ano passado. Estreitamos os laços com a base de clientes por meio de e-mail marketing e redes sociais, com um conteúdo que os engajou bastante”, explica Peccin.  

“Falamos de dicas de convivência, de gastronomia e autocuidado, entre outros assuntos. É importante ressaltar que praticamente replicamos com nossos clientes o conteúdo que já vínhamos trabalhando em nossas campanhas de endomarketing (comunicação interna). Isso fomentou nossa marca e muito do sucesso atual tem relação com a forma empática com que nos envolvemos com esses dois públicos. Ambos se sentiram seguros e confiantes e, no caso dos hóspedes, não falamos em vendas em nenhum momento”, ressalta.     

Apesar da retomada surpreendente até aqui, Peccin reconhece que a preocupação com o momento continua e, hoje, os esforços se concentram na gestão do caixa. “No Casa da Montanha, nossa estrutura normal é para breakeven com 65% de ocupação. É matemática e engenharia financeira, calculando o mínimo para retomada e incluindo as adaptações que temos que fazer, como produtos de higienização e os EPI (Equipamento de Proteção Individual) dos funcionários. Temíamos uma guerra tarifária, mas até agora não está acontecendo no nosso segmento. Estamos mantendo nossos preços, o que nos leva a crer que fechamos 2020 sem queda na diária média.” 

Sobre os planos de expansão da marca, eles prosseguem normalmente. “Nosso foco é a Serra Gaúcha, muito embora o Wood seja um produto formatado, que se encaixa em qualquer praça imaginável. Já recebemos algumas sondagens para um projeto de franquia e estamos analisando oportunidades“, revela Peccin. “Agora, não somos uma rede tradicional. Cada um dos nossos produtos tem um perfil diferente do outro. É nossa maneira de ser e o investidor tem que entender isso. Por isso, por enquanto, nossa ideia é continuar por aqui, o que nos permite estar bem próximos do dia a dia da operação”, finaliza.

(*) Crédito da capa: Sérgio Azevedo/Casa Hotéis 

(**) Crédito da foto: Sérgio Azevedo/Casa Hotéis

(***) Crédito da foto: Vinicius Medeiros/Hotelier News