O setor de viagens corporativas movimentou R$ 1,18 bilhão em maio de 2025, de acordo com dados divulgados pela Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas). O resultado representa um leve crescimento de 1,24% em relação ao mesmo mês de 2024, quando o faturamento foi de R$ 1,17 bilhão. Apesar do ritmo moderado, a performance é considerada positiva e reforça a expectativa otimista da entidade para o ano.
“Maio manteve a nossa série de desempenho positivo que tivemos ao longo deste ano. Acreditamos que fecharemos 2025 faturando R$ 14 bilhões”, projeta Douglas Fernandes e Camargo, diretor executivo da Abracorp.
A projeção para o segundo semestre é igualmente robusta: a associação espera que as viagens corporativas faturem R$ 9 bilhões entre julho e dezembro, frente aos R$ 6,7 bilhões registrados no mesmo período de 2024 — alta superior a 33%.
Outros dados
Os dados divulgados pela Abracorp mostram um comportamento misto entre os 11 setores acompanhados mensalmente pela associação. Cinco segmentos apresentaram crescimento, com destaque para os setores Rodoviário (+18%) e Hotéis (+4%), indicando possível migração parcial de demanda diante da pressão sobre os preços das passagens aéreas.
Já o transporte aéreo, que responde por 56% do total faturado nas viagens corporativas, registrou queda de 1,88% em maio, influenciada principalmente pela alta nas tarifas, que acumularam aumento médio de 5,9% de janeiro a maio.
Essa tendência levanta um alerta importante: o setor aéreo pode estar se aproximando de um limite de elasticidade da demanda, no qual aumentos sucessivos de preços já não são absorvidos pelas empresas. Em um momento de busca por racionalização dos custos, as companhias estão priorizando gestão antecipada de reservas, voos essenciais e até modais alternativos.
Em maio, quase 50% das reservas foram feitas com 16 dias de antecedência ou mais, enquanto apenas 6% ocorreram na véspera da viagem. O movimento reflete maior previsibilidade e controle de custos por parte das empresas.
A escalada de preços também foi sentida no setor rodoviário, com reajuste médio de 5,8% no mesmo período, e no hoteleiro, nos quais as diárias subiram 8%. Ainda assim, ambos os segmentos conseguiram registrar crescimento de faturamento, possivelmente devido ao aumento do volume de vendas ou à diversificação da oferta por parte das empresas.
No caso dos hotéis, os dados mostram que, mesmo com custos maiores, a demanda corporativa por hospedagens segue estável — reforçada talvez por mais pernoites, viagens regionais e eventos presenciais voltando à agenda corporativa.
O destaque negativo do mês foi a locação de veículos, que teve uma queda expressiva nas tarifas médias (-44,3%). O valor médio da locação caiu de R$ 146,00 entre janeiro e maio de 2024 para R$ 81,31 no mesmo período de 2025, o que pode indicar uma tentativa do setor de estimular a demanda por meio de preços mais competitivos.
Perspectivas
Apesar do desafio representado pelo aumento das tarifas, especialmente no setor aéreo, o desempenho das viagens corporativas em maio reforça a confiança da Abracorp na continuidade do crescimento do setor ao longo de 2025. A combinação de retomada da demanda, melhor gestão de viagens e diversificação dos modais pode sustentar um ciclo virtuoso nos próximos meses.
(*) Crédito da foto: Pixabay











