sexta-feira, 13/fevereiro
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Viagens globais devem crescer US$ 4,2 trilhões até 2050, diz Google

Um novo relatório do Google projeta aumento de US$ 4,2 trilhões na demanda global por viagens até 2050, impulsionado pela ampliação e diversificação da base de viajantes, por mudanças nas preferências de destinos e pelo avanço da IA (Inteligência Artificial) na gestão das operações do setor, segundo o Hotel News Resource.

O estudo, desenvolvido em parceria com a consultoria Alvarez & Marsal e liderado por Hany Abdelkawi, do Google, estima que, em relação a 2025, o volume global de viagens deve crescer em 1,9 bilhão de deslocamentos adicionais. A projeção reforça a avaliação de que viajar tende a deixar de ser uma atividade ocasional para se tornar uma prática recorrente para uma parcela maior da população mundial.

De acordo com o relatório, a base global de viajantes deve passar de 50% para 70% da população até 2050, o que deve reconfigurar a indústria. As viagens internacionais, por exemplo, devem dobrar e alcançar cerca de 3,5 bilhões de partidas anuais. Ainda assim, o documento alerta que o aumento do volume não implica, necessariamente, maior geração de valor para as empresas, exigindo ajustes nos modelos de negócio e nas estratégias comerciais.

O levantamento também aponta uma diversificação mais acentuada dos destinos. A participação dos cinco principais mercados globais deve recuar de 26% para 18% até 2050, enquanto localidades fora do grupo dos 15 mais visitados tendem a ganhar espaço. O movimento indica um afastamento dos polos tradicionais e deve levar marcas de turismo a adaptar suas estratégias de marketing, distribuição e presença em buscadores para alcançar o viajante em um cenário mais fragmentado.

Insights

No recorte regional, a Ásia-Pacífico deve superar a Europa em volume de viagens internacionais e em gastos totais, impulsionada pelo crescimento da classe média e pelo avanço de economias emergentes. Ainda assim, os viajantes europeus devem manter a liderança em gasto médio por viagem, em função de um mercado maduro de curtas distâncias e de uma maior proporção de deslocamentos de longa distância. As viagens domésticas, por sua vez, devem continuar como a base do setor, respondendo por mais de 90% de todos os deslocamentos, o que reforça a importância de estratégias específicas para o mercado interno, com foco em fidelização e construção de marca.

Para lidar com um volume projetado de 3,5 bilhões de partidas anuais, o relatório destaca que processos manuais ou modelos digitais tradicionais não serão suficientes. Nesse contexto, a inteligência artificial agentiva tende a ganhar protagonismo, evoluindo de uma ferramenta de apoio ao viajante para a gestão integral das jornadas. A expectativa é que, no futuro, as reservas possam ser concluídas diretamente em plataformas baseadas em IA, o que exigirá das marcas a produção de conteúdos claros, estruturados e detalhados para garantir visibilidade em recomendações automatizadas.

O estudo também aponta mudanças no perfil dos viajantes, com consumidores mais familiarizados com tecnologia e um segmento sênior de maior poder aquisitivo impulsionando o crescimento dos gastos. Esses públicos devem demandar produtos mais personalizados, como estadas prolongadas, experiências com maior integração local e opções de viagens solo. Embora a inteligência artificial deva transformar os modelos operacionais, o relatório ressalta que a modernização da infraestrutura de dados precisa avançar em paralelo à valorização do atendimento humano, que segue como um diferencial relevante em um setor baseado em relações pessoais.

Segundo o Google, o cenário projetado para 2050 combina expansão e fragmentação da demanda, criando oportunidades e desafios para a indústria de viagens. Empresas que conseguirem se adaptar às novas preferências do consumidor, diversificar seus produtos e utilizar a inteligência artificial para ganhar eficiência operacional tendem a estar mais bem posicionadas em um ambiente cada vez mais competitivo e complexo.

(*) Crédito da foto: Divulgação

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