A Praia Brava, em Itajaí (SC), deve receber um dos maiores empreendimentos imobiliários de uso misto já anunciados para o litoral catarinense. Desenvolvido pela Construttore Empreendimentos em parceria com o WTC (World Trade Center), o projeto prevê 300 mil metros quadrados (m²) de área construída, VGV (Valor Geral de Vendas) estimado em R$ 3 bilhões e investimentos mínimos de R$ 1,5 bilhão.
De acordo com informações da Exame, o complexo reunirá residências, escritórios, hotel, shopping e espaços voltados para eventos, networking e negócios internacionais. O lançamento está previsto para 2028, enquanto o início das obras deve ocorrer em 2029, condicionado à conclusão dos processos de licenciamento e aprovação do projeto.
Segundo os responsáveis, a construção será realizada em etapas ao longo de aproximadamente 15 anos. O projeto arquitetônico ainda está em desenvolvimento, o que significa que a configuração definitiva das operações e dos edifícios permanece em estudo.
“A gente ainda está na fase de projetos. É realmente muito grande. Serão 15 anos de empreendimento em obras”, afirma Daniella Abreu, sócia e presidente do WTC no Sul do Brasil, em Brasília (DF) e em Sinop (MT).
Complexo terá hotel, escritórios, shopping e áreas residenciais
A proposta é criar um empreendimento multiuso que combine diferentes funções em um único endereço, reunindo áreas residenciais, corporativas, hotelaria, comércio e espaços dedicados a eventos e conexões empresariais internacionais.
Ainda está em avaliação se todas essas operações serão concentradas em uma única torre ou distribuídas entre diferentes edifícios. O que já está definido, segundo Daniella, é a construção de uma torre principal que servirá como marco arquitetônico do empreendimento.
As imagens do projeto ainda não foram divulgadas, já que os estudos técnicos seguem em tramitação junto ao município.
Projeto amplia presença da marca WTC no Brasil
A iniciativa integra a estratégia de expansão do WTC no mercado brasileiro. A marca chegou ao país em 1995, com a inauguração do complexo de São Paulo, que reúne torres comerciais, hotel, shopping e centro de convenções.
O novo projeto em Santa Catarina também coincide com um momento de transição do principal empreendimento da marca no país. Em junho deste ano, o BTG Pactual Asset Management assumiu o controle do complexo WTC São Paulo.
Durante quase 20 anos, essa foi a única operação da marca no Brasil. Nos últimos anos, entretanto, o WTC passou a expandir sua atuação por meio da concessão de licenças regionais para empresários responsáveis tanto pelos empreendimentos imobiliários quanto pelos clubes de negócios ligados ao comércio internacional.
Hoje, a rede possui projetos em cidades como Goiânia, Sinop, Uberlândia, Ribeirão Preto, Brasília, Curitiba, Joinville e Balneário Camboriú. Porto Alegre também voltou aos planos após a interrupção do projeto em razão das enchentes de 2024.
“O WTC cresce no Brasil não só como uma marca para os prédios. O objetivo é trazer o clube de negócios, fomentar os negócios internacionais e fazer com que o país se desenvolva no comércio exterior”, afirma Daniella.
A parceira no desenvolvimento do empreendimento, a Construttore Empreendimentos, atua desde 2011 no litoral norte de Santa Catarina, com foco em projetos de alto padrão em Itajaí, Praia Brava e Balneário Camboriú.
Praia Brava deve ganhar novo polo corporativo
Conhecida pelo mercado residencial de alto padrão, a Praia Brava poderá ampliar sua vocação com a chegada de atividades comerciais e corporativas.
Segundo Daniella Abreu, a proposta é complementar o perfil atual da região com hotelaria, escritórios, comércio e um ambiente voltado aos negócios, sem abrir mão do componente residencial.
“A Brava hoje é muito residencial, então a gente vai puxar para o comercial, para a área de negócios, para o hotel e para o shopping”, diz Daniella. “Mas vai ter o residencial junto, porque a gente entende que esse conceito de viver, trabalhar e se divertir dentro de um complexo multiuso tem muito valor.”
A distribuição dos 300 mil m² entre as diferentes operações ainda está sendo definida. Os estudos consideram fatores como demanda, potencial de valorização, retorno esperado e vocação do mercado local.
O terreno escolhido fica próximo ao mar, embora não esteja localizado de frente para a praia. A aquisição da área foi concluída antes da formalização da parceria com o WTC.
Segundo a executiva, o financiamento do projeto deverá combinar recursos próprios dos empreendedores com investimentos de terceiros.
Estratégia vai além do desenvolvimento imobiliário
O objetivo do empreendimento é criar um ambiente capaz de atrair empresas, eventos corporativos e negócios internacionais para o litoral catarinense.
“Não adianta fazer o prédio e deixar vazio. A gente vai trabalhar todos esses anos para trazer empresas para a região, formar um hub de negócios internacionais e consolidá-la como um destino de negócios”, afirma Daniella. “Não é só um prédio. É um complexo de negócios que aterrissa em Santa Catarina.”
A escolha da Praia Brava foi baseada em estudos de viabilidade econômica e na atuação regional do grupo responsável pelas licenças da marca.
Essas licenças pertencem ao Grupo Ascensus, de Joinville, fundado pelo empresário Vanderlei Palhano. A empresa possui autorização para desenvolver projetos e clubes de negócios do WTC em cidades como Curitiba, Joinville, Balneário Camboriú, Porto Alegre, Brasília e Sinop.
O modelo da marca combina dois pilares: os empreendimentos imobiliários que recebem o nome World Trade Center e o business club, responsável pela promoção de eventos, relacionamento entre executivos e conexão de empresas com a rede internacional.
(*) Crédito da foto: Rurik Drone/Divulgação













