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A Economia prateada e sustentabilidade do setor hoteleiro

A denominada economia prateada configura-se, na contemporaneidade, como um dos principais vetores de transformação econômica global, impulsionada pelo envelhecimento populacional e pelo aumento da longevidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, até 2030, a população mundial com 60 anos ou mais deverá atingir cerca de 1,4 bilhão de pessoas, ampliando significativamente a demanda por produtos e serviços adaptados a esse público.

Sob a perspectiva econômica, estimativas da World Economic Forum indicam que a economia prateada movimenta trilhões de dólares anualmente, abrangendo setores estratégicos como turismo, saúde, habitação e bem-estar. Esse fenômeno não apenas redefine padrões de consumo, mas também impõe uma reconfiguração das cadeias de valor, especialmente em segmentos intensivos em serviços, como a hotelaria.

No contexto brasileiro, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística evidenciam que a população idosa apresenta crescimento contínuo e já concentra parcela relevante da renda nacional. Ademais, observa-se uma mudança qualitativa no perfil desse consumidor, caracterizado por maior nível de exigência, busca por experiências personalizadas e valorização de atributos como segurança, conforto, acessibilidade e bem-estar.

Para o setor hoteleiro, essa transformação demográfica representa uma oportunidade estratégica multifacetada. Primeiramente, a ampliação da demanda por parte do público 60+ contribui para a mitigação da sazonalidade, uma vez que esse segmento possui maior flexibilidade temporal para viagens. Em segundo lugar, observa-se potencial de elevação do ticket médio, dado o maior poder aquisitivo relativo e a predisposição ao consumo de serviços agregados. Por fim, destaca-se a possibilidade de desenvolvimento de novos produtos e serviços orientados à hospitalidade inclusiva, tais como programas de bem-estar, turismo de experiência, acessibilidade universal e atendimento humanizado.

Casos internacionais reforçam essa tendência. Redes como a Accor e a Marriott International têm investido em iniciativas voltadas à longevidade, incluindo adaptações arquitetônicas, treinamento de equipes para atendimento intergeracional e oferta de experiências centradas em saúde e qualidade de vida. No Brasil, empreendimentos independentes e resorts vêm incorporando práticas semelhantes, alinhando-se às diretrizes de acessibilidade e inclusão recomendadas por organismos internacionais.

Sob a ótica ESG (Environmental, Social and Governance), a integração da economia prateada à estratégia organizacional transcende uma abordagem meramente mercadológica. No pilar social, promove-se a inclusão etária e o respeito à diversidade geracional. No pilar ambiental, há oportunidades de desenvolvimento de operações mais sustentáveis, considerando o perfil de consumo mais consciente desse público. No âmbito da governança, reforça-se a necessidade de decisões estratégicas orientadas por dados demográficos e por princípios de responsabilidade corporativa.Nesse sentido, alinhar a economia prateada à agenda ESG configura-se como uma estratégia de geração de valor compartilhado, conforme preconizado por Michael Porter e Mark Kramer, na medida em que promove simultaneamente competitividade empresarial e impacto social positivo.

Conclui-se, portanto, que a incorporação estruturada da economia prateada no setor hoteleiro não apenas potencializa resultados econômicos, mas também fortalece a sustentabilidade organizacional, contribuindo para a construção de modelos de negócio mais resilientes, inclusivos e alinhados às demandas contemporâneas da sociedade longeva.

Referências (formato ABNT)

Organização Mundial da Saúde. Global report on ageing and health. Genebra: OMS, 2015.

World Economic Forum. The Future of Longevity Economy. Genebra: WEF, 2020.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Projeções da população do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2022.

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Betty Dabkiewicz Andragoga, Mestre em educação organizacional , conselheira  consultiva na Associação Comercial do RJ – economia prateada;  docente e mentora de carreira no curso de formação de conselheiros Consultivos da Board Academy. Especialista em gestão humanizada, inclusiva e intergeracional com  foco na ESG,  sustentabilidade e perenidade das empresas . Co- criadora do Programa Hotelaria para longevidade -projeto que integra bem-estar, experiência  e performance. Sócia da empresa Pontes e Conexões, mentora e palestrante. Articulista do Hub ESG Hotels Business

(*) Crédito da Foto: Arquivo pessoal da autora

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