A governança corporativa no contexto ESG (Environmental, Social and Governance) demanda uma evolução substantiva para modelos mais humanizados, inclusivos e orientados à diversidade, com ênfase crescente na diversidade etária como vetor estratégico. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, práticas robustas de governança estão diretamente correlacionadas à sustentabilidade, à perenidade e à geração de valor no longo prazo (OCDE, 2023).
No cenário contemporâneo, marcado pelo envelhecimento populacional acelerado, a incorporação da chamada economia prateada torna-se imperativa.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, até 2030 o número de pessoas com 60 anos ou mais ultrapassará o contingente de crianças menores de 10 anos em escala global, redefinindo padrões de consumo, comportamento e expectativas — inclusive no setor de hospitalidade.
No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que a população com 60+ já representa mais de 15% da população total, com projeções de crescimento contínuo nas próximas décadas (IBGE, 2024). Esse movimento posiciona a longevidade como um dos principais vetores de transformação econômica e social, impactando diretamente a hotelaria.
Nesse contexto, a governança na hotelaria deve incorporar a longevidade como variável estratégica, integrando-a aos processos decisórios, aos conselhos consultivos e aos indicadores-chave de desempenho (KPIs). Organizações que internalizam essa agenda tendem a apresentar maior capacidade adaptativa e vantagem competitiva sustentável.
A intergeracionalidade, quando estruturada de forma intencional, configura-se como um ativo organizacional relevante. Estudos do World Economic Forum evidenciam que equipes compostas por diferentes faixas etárias apresentam maior capacidade de inovação, resolução de problemas complexos e tomada de decisão estratégica (WEF, 2023). Isso ocorre pela complementaridade entre experiência acumulada, visão sistêmica e fluência digital.
No setor hoteleiro, essa dinâmica se traduz em ganhos concretos na experiência do cliente, especialmente no atendimento ao público 60+, que valoriza simultaneamente eficiência operacional, empatia, personalização e segurança. Redes internacionais como a Marriott International e a Accor têm avançado em políticas de diversidade etária e programas de capacitação contínua, reconhecendo o potencial estratégico da força de trabalho madura aliada a talentos mais jovens.
No Brasil, iniciativas alinhadas às diretrizes da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis têm incentivado práticas de inclusão etária, qualificação profissional contínua e fortalecimento de lideranças mais empáticas e inclusivas, especialmente em empreendimentos familiares e de médio porte — que representam parcela significativa do setor.
Adicionalmente, evidências empíricas indicam que lideranças humanizadas impactam diretamente indicadores organizacionais críticos. Segundo relatório da Deloitte (2024), organizações com culturas inclusivas e lideranças centradas em pessoas apresentam:
Redução de até 30% no turnover
Aumento significativo no engajamento e na produtividade
Melhoria nos índices de satisfação do cliente
Dessa forma, a governança ESG na hotelaria transcende a dimensão normativa e regulatória, assumindo um caráter profundamente relacional, no qual pessoas, cultura organizacional e propósito tornam-se elementos centrais. A integração entre diversidade etária, liderança humanizada e estratégia organizacional configura-se como um diferencial competitivo essencial para empresas que buscam não apenas resultados financeiros, mas também relevância social e longevidade institucional.
Referências (formato ABNT)
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). Normas para apresentação de trabalhos acadêmicos. Rio de Janeiro: ABNT, 2023.
ORGANIZAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
– – –
Betty Dabkiewicz Andragoga, Mestre em educação organizacional , conselheira consultiva na Associação Comercial do RJ – economia prateada; docente e mentora de carreira no curso de formação de conselheiros Consultivos da Board Academy. Especialista em gestão humanizada, inclusiva e intergeracional com foco na ESG, sustentabilidade e perenidade das empresas . Co- criadora do Programa Hotelaria para longevidade -projeto que integra bem-estar, experiência e performance. Sócia da empresa Pontes e Conexões, mentora e palestrante. Articulista do Hub ESG Hotels Business
(*) Crédito da Foto: Arquivo pessoal da autora





