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Accor anuncia apoio a projeto da ONU para refugiadas

Em um cenário de aumento do deslocamento forçado no mundo e de desafios para a inserção de refugiados no mercado de trabalho, iniciativas de capacitação profissional têm ganhado espaço na hotelaria, com participação de organizações internacionais e do setor privado. A Accor passou a apoiar o projeto Empoderando Refugiadas, ação desenvolvida pela ACNUR (Agência da ONU para Refugiados), ONU Mulheres e Pacto Global da ONU no Brasil, voltada à qualificação profissional e à inserção de mulheres refugiadas no mercado formal.

A parceria foi anunciada em evento realizado hoje (27), em São Paulo, com a presença de representantes da empresa, dos idealizadores do projeto e de parceiros institucionais. A companhia torna-se apoiadora da atual edição do programa, com compromisso de dois anos para viabilizar a formação profissional de 300 refugiadas até 2027. A iniciativa se soma a outras ações de apoio à mulher, como o Circuito Não é Não, que capacita hotéis no enfrentamento ao assédio.

Durante o evento, Fernando Viriato, vice-presidente de Gente & Cultura da Accor nas Américas, destacou a importância da iniciativa. “Acreditamos firmemente que ações como essa devem fazer parte do conceito de hospitalidade responsável”, afirmou o executivo, acrescentando que a rede tem uma trajetória de mais de 20 anos de adesão aos princípios do Pacto Global da ONU.

O apoio integra as ações da Accor relacionadas à inclusão de pessoas refugiadas no mercado de trabalho. A empresa participa de iniciativas voltadas à qualificação e contratação de pessoas deslocadas desde 2019, quando aderiu à Tent Partnership for Refugees, e também integra o Fórum Empresas com Refugiados. “O objetivo aqui é transformar nossa atividade econômica em algo que não só gere resultado, mas que também atue como um impulsionador social”, reforçou Viriato.

A iniciativa

No encontro de lançamento da 11ª edição do Empoderando Refugiadas, Maria Beatriz Nogueira, chefe do escritório de campo da ACNUR em São Paulo, destacou que o Brasil é um dos principais destinos para refugiados na América do Sul, o que reforça a relevância do programa.

“Existem muitas potencialidades a serem exploradas. Por isso, nesta edição decidimos ousar um pouco, firmando parcerias com setores que ainda não havíamos alcançado e ampliando o escopo de atuação para as refugiadas. Além do turismo e hotelaria, também estamos trabalhando com empresas de construção civil, por exemplo”, disse.

Flávia Muniz
“É uma ação que abre novas possibilidades”, disse Flávia

O raciocínio foi complementado por Flávia Muniz, especialista em Empoderamento Econômico de Mulheres da ONU Mulheres, que destacou um cenário ainda preocupante: refugiadas e imigrantes continuam sendo deixadas para trás no mercado de trabalho.

Segundo a executiva, o Empoderando Refugiadas representa a possibilidade de promover mudanças estruturais nesse cenário. “O que buscamos é acesso, permanência e ascensão, para que vejamos mulheres participantes do programa chegarem a cargos de liderança”, comentou.

Gabriela Almeida, gerente executiva de Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, acrescentou que atualmente mulheres refugiadas recebem salários 33% menores do que os homens refugiados, mesmo tendo, em muitos casos, maior escolaridade. Ela explicou que essa defasagem salarial ainda é um dos principais desafios a serem superados pelo programa. “Agora, a meta é ampliar a iniciativa e dar ainda mais visibilidade às contratações”, declarou.

Resultados

No ano passado, o Empoderando Refugiadas teve a maior edição desde sua criação. No período, 275 mulheres refugiadas foram capacitadas, por meio de 15 turmas, em sete cidades brasileiras e três regiões do país. Ao todo, foram 948 horas de capacitação, com 10 parceiros institucionais envolvidos e mais de mil pessoas impactadas.

Um dos destaques foi o aumento do número de turmas e a expansão territorial do projeto, que chegou pela primeira vez ao Sul do Brasil. Além disso, uma turma inédita para mulheres 50+ foi realizada em Boa Vista.

Neste ano, as turmas serão abertas a partir de abril, em cidades como São Paulo, Porto Alegre, Curitiba e Boa Vista, com capacitações técnicas nas áreas de construção civil, atendimento e vendas, entre outras. Durante o evento, a venezuelana Risett Campos, participante da sexta edição do Empoderando Refugiadas, contou como a iniciativa impactou sua vida.

“Chegamos em Pacaraima (RR) durante a pandemia, eu e meu esposo. Eu estava grávida na época e não tinha muitas perspectivas sobre meu futuro. Graças a essa iniciativa, fui levada a São Paulo, onde pude participar da capacitação, e hoje trabalho no AC Camargo Cancer Center. Tenho chefes e colegas maravilhosos e, lá, tenho a oportunidade de participar das seleções internas, para galgar cargos mais altos. Só tenho a agradecer”, finalizou.

(*) Crédito das fotos: Lucas Barbosa/Hotelier News

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