Mesmo sem considerar o desempenho das férias de dezembro, o turismo brasileiro encerrou os primeiros 11 meses de 2025 com faturamento recorde. Entre janeiro e novembro, o setor movimentou R$ 205,1 bilhões, crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período de 2024, segundo a Pesquisa do Faturamento do Turismo Nacional, elaborada pela FecomercioSP com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado reflete um ano de demanda aquecida, sustentada por maior disponibilidade de renda e crédito entre as famílias e pela expansão da economia, ainda que em ritmo moderado. Esse cenário beneficiou tanto o turismo corporativo quanto o de lazer, com impactos diretos sobre a cadeia de serviços, especialmente hotelaria, transporte e alimentação.
Com o desempenho acumulado ao longo do ano, a expectativa é de que a alta temporada — entre dezembro e fevereiro — movimente R$ 64 bilhões, avanço de 7% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Apenas em fevereiro, mês do Carnaval, a projeção da FecomercioSP é de faturamento em torno de R$ 18 bilhões, alta de 10%.
A entidade também destaca a contribuição crescente do turismo internacional. A chegada de estrangeiros atingiu patamar recorde em 2025 e tem ampliado sua relevância em destinos como Rio de Janeiro e a região Sul, embora mais de 90% do faturamento do turismo nacional ainda seja gerado pelos próprios brasileiros.

Hotelaria ganha protagonismo com eventos e alta de diárias
Entre os segmentos do turismo, os serviços de alojamento tiveram papel relevante nos resultados mais recentes. Em novembro, a hotelaria faturou R$ 2,4 bilhões, crescimento de 4,3%. De acordo com o IBGE, os preços do segmento subiram pouco mais de 12% em um ano, enquanto a diária média avançou 17,6% em termos reais. A taxa de ocupação teve variação mais moderada, passando de 67% para 68,2%, segundo dados do FOHB (Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil).
Eventos de grande porte ajudaram a impulsionar esse desempenho. Em Belém (PA), sede da COP30, a diária média saltou de R$ 296 para R$ 3.879 em um ano. Mesmo com queda de 34% na taxa de ocupação no mês, o aumento das tarifas contribuiu para uma alta acumulada de 10,5% no faturamento dos serviços de alojamento ao longo do ano.

Aviação puxa crescimento e sustenta fluxo turístico
O transporte aéreo foi o segmento com maior crescimento em novembro, com alta de 7,9% e faturamento de R$ 5,2 bilhões. Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o número de passageiros transportados por quilômetro bateu recorde no mês e, no acumulado de janeiro a novembro, já supera todos os anos anteriores, com crescimento de 10%.
De acordo com a FecomercioSP, o aumento do volume de viajantes compensou a redução da tarifa média das passagens aéreas, que caiu de R$ 759 para R$ 608 entre novembro de 2024 e novembro de 2025.
A proximidade do verão também impulsionou outros meios de transporte. Em novembro, o segmento cresceu 5,6% e faturou R$ 2,6 bilhões. O transporte rodoviário avançou 4,2%, com receita de R$ 3,1 bilhões. Alimentação (2,1%) e atividades culturais, recreativas e esportivas (0,9%) também registraram crescimento.
Na contramão, agências de viagens e operadoras tiveram leve retração anual de 0,4%, assim como o transporte aquaviário, que caiu 7,3%. Segundo a FecomercioSP, o impacto desses segmentos no resultado geral foi limitado devido ao menor peso no faturamento total.
COP30 impulsiona desempenho regional
A realização da COP30 também se refletiu nos resultados regionais. Em novembro, o Pará faturou R$ 195 milhões, com crescimento de 42,6% na comparação anual. O Amazonas, igualmente influenciado pelo evento, registrou alta de 16,2%.
Outro destaque foi o Rio Grande do Sul, que cresceu 9,8% no mês. Segundo a FecomercioSP, trata-se do melhor resultado para um novembro em mais de 10 anos, indicando recuperação após as enchentes de 2024 e a força turística de destinos como Gramado no período de fim de ano.
São Paulo manteve crescimento próximo de 4%, com alta de 3,6% e faturamento de quase R$ 5 bilhões em novembro. Já Tocantins apresentou retração de 12%, seguido por Goiás (-7,5%) e Amapá (-5,8%).
Para dezembro, a expectativa é de que a procura por destinos de sol e praia, especialmente no Nordeste, sustente resultados positivos em estados como Bahia, Pernambuco e Ceará, além de destinos consolidados como Salvador, Porto Seguro, Recife, Porto de Galinhas e Fortaleza. Entre os estrangeiros, o Rio de Janeiro deve permanecer entre os principais polos de atração.
(*) Crédito da capa: Divulgação/MTur
(**) Crédito das imagens: Divulgação/FecomercioSP
















