No último episódio do podcast Hotel Trends, recebemos dois economistas que admiro: Guilherme Dietze e André Sacconato, ambos da Fecomercio São Paulo. E o tema da conversa não podia ser outro: Turismo, economia e as perspectivas para o Brasil em 2026. Para quem não acompanhou o rico bate papo, clique aqui e acesse o link para a gravação completa. Conteúdo recomendadíssimo!
Nos últimos 10 anos, o turismo avançou fortemente no Brasil e encontra-se no pico histórico de desempenho. Diante desse fato, algumas perguntas são comuns no mercado:
- O que explica essa boa performance em um país com média de crescimento econômico abaixo de 1% nos últimos 10 anos?
- PIB, de fato, é a melhor proxy para projetarmos o desempenho dos nossos hotéis, resorts e parques?
- O que esperar de 2026? Mais um ano de crescimento de performance ou a tendência mudará?
Dica 01: O turismo não depende apenas de PIB. Saiba qual variável econômica analisar
Apesar de um crescimento econômico modesto, vivemos um período de pleno emprego (5,6% de desemprego) e aumento de renda. Apenas no último ano, R$ 23 bilhões foram injetados na massa de rendimentos do país. Com a valorização do dólar, as viagens domésticas cresceram e, nos destinos urbanos, a ausência de novos hotéis permitiu ocupações saudáveis e uma tendência de correção tarifária (+10,1% em 2025 vs 2024, em valores nominais).
Dica 02: O ano de 2026 será mais uma vez de boa performance, acredite e prepare-se
Mas Pedro, e a eleição? Com tanta incerteza o mercado não entrará em compasso de espera? Quem tem negócios em operação não pode se dar ao luxo de simplesmente esperar. Os negócios não podem parar. A decisão de grandes novos investimentos, sim, pode demorar mais. No entanto, muitos investimentos no Brasil não acontecem há anos. Logo, nada muda estruturalmente.
Dica 03: Inflação segue controlada, mas o custo de FOPAG precisa de atenção
Entre as principais linhas de custo do turismo, A&B e utilidades seguem controlados, sem sinais evidentes de aumento. No setor aéreo, querosene em queda pode aliviar o preço das viagens ou, ao menos, romper a tendência de crescimento tarifário dos últimos anos. A atenção segue na folha de pagamentos. Apesar do dissídio ser até 7%, gastos com FOPAG chegam a crescer o dobro em razão de mão de obra terceira e alto turnover.
Dica 04: Juros seguirão altos, em dois dígitos. Bancos de fomento são uma alternativa
No Sul e Sudeste, crédito continuará caro e conterá o potencial de investimento que o turismo teria com uma Selic de um dígito. Já o Nordeste e o Centro-Oeste beneficiam-se de dívida subsidiada e podem alavancar o capital próprio de operações saudáveis. Bons projetos, em destinos pouco sazonais, podem ainda aceder a dinheiro barato.
Dica 05: Não olhe apenas a média do país, pois ela encobre regiões em crescimento e com potencial de demanda
Regiões de agronegócios, por exemplo, seguem em crescimento em razão dos bons preços das commodities. E destinos importantes do país ainda têm demanda reprimida, a exemplo de novos parques ou reinvestimentos nos atrativos já existentes, que renovam a atratividade do destino e fazem com que as pessoas retornem a locais que já visitaram anteriormente. Mapear boas oportunidades requer inteligência de mercado e clareza de produto.
Dica 06: Inadimplência cresce, mas em camadas sensíveis a preço. Almeje bons projetos
A inadimplência no Brasil é alta, próxima a 2/3. Mas também é verdade que o valor médio de inadimplemento é baixo, de R$ 6.330, e concentrado em contas do dia a dia. Públicos com maior propensão a consumo hoteleiro e de entretenimento são menos voláteis à inadimplência geral do Brasil. Saibamos exatamente a que se referem os indicadores que lemos.
Dica 07: No Brasil, é um ano de cada vez. Em médio prazo, o grau de incerteza é maior
Sim, temos um risco fiscal grande no país. Em outras palavras, nosso governo gasta mais do que arrecada, além de não investir em infraestrutura, educação e aumento de produtividade. O custo? Aumento da dívida e perpetuação de um ciclo de altos juros, que por sua vez inibem um novo ciclo expansionista. O Brasil requer reformas e um plano de país, não de governo.
Última dica: Para atenuar os riscos econômicos, nada melhor que olhar para dentro das empresas e melhorar nossas ineficiências
Há duas formas para apostar em melhoria operacional. A primeira, orgânica, quando o país “voa”, o que está descartado. A segunda, ganhando competitividade para se destacar no mercado. E aqui há oportunidades, entre elas alguns destaques:
- Renovação de CapEx. Ativos modernos performam até 30% melhor em receita;
- Efetividade em revenue management. Precificação dinâmica não é apenas uma tabela de preços;
- Asset management. Quem acompanha a performance em detalhes e discute estratégia com os seus gestores?
- Melhoria em qualidade. Como é a experiência do seu cliente e qual plano de melhoria implementará?
- Primeiro quem, depois como. Você tem ao seu lado as pessoas certas para pensar e implementar as ações necessárias em seu negócio?
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Pedro Cypriano é especialista em investimentos e gestão estratégica, fundador e sócio-diretor da Noctua Advisory | Inteligência em hospitalidade e entretenimento. Ao longo dos últimos 20 anos, liderou centenas de projetos junto a consultorias globais, na Europa, no Oriente Médio, na África e na América Latina. Conselheiro de empresas de hospitalidade e entretenimento. É autor do livro Desenvolvimento Hoteleiro no Brasil, pela editora SENAC, e professor em cursos de pós-graduação e programas executivos no Brasil e no exterior.
(*) Crédito da foto: Divulgação















