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Consumo das famílias puxa PIB para cima no 1º tri

O consumo das famílias brasileiras foi um dos principais motores do crescimento econômico no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados hoje (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A economia do país avançou 1,1% em relação ao quarto trimestre de 2025, quando o indicador avançou 0,1%, segundo a Folha de São Paulo.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o consumo das famílias registrou alta de 1,7%. De acordo com Ricardo Montes de Moraes, coordenador de Contas Nacionais do instituto, o desempenho ganhou força após um fim de ano marcado por estabilidade. “Ele é o agregado com mais peso entre os usos e contribuiu para o maior crescimento da economia este trimestre”, afirma.

Outro destaque foi a recuperação dos investimentos, medidos pela FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), que avançaram 3,5% no período. No trimestre anterior, o indicador havia recuado 3,4%. Com o resultado, os investimentos voltaram ao patamar registrado no fim do terceiro trimestre de 2025.

Segundo o IBGE, embora tenham participação menor no cálculo do PIB em comparação ao consumo das famílias, os investimentos também exerceram influência relevante sobre a expansão econômica nos primeiros meses do ano.

Pela ótica da demanda, o PIB é composto pelo consumo das famílias, consumo do governo, investimentos, exportações e importações de bens e serviços. Já pela ótica da oferta, entram no cálculo os setores de agropecuária, indústria e serviços — este último responsável por cerca de 70% da atividade econômica do país.

Destaques do período

O primeiro trimestre também foi marcado pelo fortalecimento do mercado de trabalho e por medidas de estímulo adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes das eleições. Entre as iniciativas estão políticas de crédito, reajuste do salário mínimo e ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil.

Apesar do avanço da atividade econômica, o país ainda enfrenta desafios. O elevado nível de endividamento das famílias e os juros altos seguem pressionando o consumo, enquanto a inflação voltou a ganhar força após a guerra no Irã, que provocou alta do petróleo no mercado internacional e impacto nos preços dos combustíveis no Brasil.

O consumo do governo cresceu 0,4% no primeiro trimestre, abaixo dos resultados registrados nos dois períodos anteriores — 0,9% e 1,3%, respectivamente. Segundo Moraes, a contribuição desse componente para o crescimento econômico foi mais moderada.

No setor externo, as exportações de bens e serviços recuaram 1,7% no primeiro trimestre na comparação com anual, enquanto as importações avançaram 4,4% no período. Já o consumo do governo cresceu 2,8%, enquanto os investimentos tiveram queda de 1,4%.

(*) Crédito da foto: Divulgação

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