Na hotelaria contemporânea, o design de hotéis e a experiência do hóspede tornaram-se temas centrais para o sucesso dos empreendimentos. Hoje, arquitetura já não pode ser entendida apenas como suporte físico da operação. Da mesma forma, o design não é apenas uma camada estética aplicada ao final do processo.
Na prática, os empreendimentos mais consistentes mostram o contrário. O espaço participa da forma como a marca se posiciona, da eficiência do negócio e da memória que o hóspede leva consigo.
É nessa intersecção entre território, operação e experiência que se destaca a trajetória da Lubianca, escritório com 45 anos de mercado e atuação consolidada na hotelaria. Segundo Ana Paula Lubianca, a entrada do escritório nesse segmento aconteceu de forma orgânica. Isso ocorreu porque os projetos de hospitalidade exigem algo essencial: eficiência operacional, acolhimento e identidade trabalhando juntos.
Além disso, a lógica do escritório parte de uma premissa importante: um hotel precisa funcionar bem, comunicar bem e fazer sentido para quem o utiliza. Quando isso acontece, o projeto deixa de ser apenas um edifício e passa a ser parte da estratégia do empreendimento.

O conceito nasce da leitura do lugar
Antes de tudo, um bom projeto de hotel começa pela compreensão do contexto. Isso significa analisar o território, o público, o posicionamento da marca e a operação.
Quando o conceito nasce dessa leitura, o projeto ganha consistência. Caso contrário, existe o risco de produzir espaços visualmente corretos, porém frágeis em identidade.
Essa abordagem aparece em três projetos citados pelo escritório como marcos de sua trajetória:
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IL Campanário
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Primeiro hotel da rede Intercity no Rio Grande do Sul
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Retrofit do Hilton Porto Alegre
No IL Campanário, por exemplo, a linguagem arquitetônica ajuda a consolidar a atmosfera do destino. Inserido em Jurerê Internacional, o empreendimento dialoga com um estilo de vida voltado ao lazer, à permanência e à sofisticação. Assim, arquitetura, paisagismo e ambientação reforçam a identidade do lugar.
Já no projeto da rede Intercity, o foco é outro. Nesse caso, a eficiência operacional se torna parte da experiência. Hotéis próximos a aeroportos ou voltados ao público corporativo exigem percursos claros, circulação intuitiva e soluções que reduzam fricções na jornada do hóspede.
Por fim, o retrofit do Hilton Porto Alegre apresenta um desafio diferente. Projetos associados a marcas globais precisam equilibrar padronização e identidade local. Quando isso acontece, o hotel mantém consistência de marca sem perder autenticidade.

Design & Experiência: a percepção do hóspede
O design influencia toda a jornada do hóspede. Essa experiência começa na fachada e segue pelo acesso, recepção, áreas comuns e quartos.
Além disso, elementos sensoriais desempenham papel fundamental. Iluminação, materiais, acústica e sinalização contribuem para a percepção de conforto.
Em outras palavras, o projeto arquitetônico funciona como uma narrativa sensorial. Quando bem resolvido, o espaço orienta, acolhe e transmite clareza.
Na prática, a experiência se constrói por meio de diversos fatores: iluminação adequada, materialidade e textura, conforto acústico, organização dos percursos e relação entre áreas públicas e privadas.
Como resultado, o hóspede percebe fluidez e cuidado. Muitas vezes ele não consegue explicar exatamente o motivo, mas sente que o espaço funciona bem.
A operação também desenha a experiência
Outro ponto fundamental na hotelaria é a relação entre arquitetura e operação. Um hotel pode ser visualmente interessante. No entanto, se os fluxos de serviço não funcionam, a experiência se deteriora rapidamente.
Por isso, arquitetura, interiores e operação precisam ser pensados como um sistema integrado.
Fluxos de hóspedes e de equipe, áreas técnicas e manutenção influenciam diretamente o desempenho do empreendimento. Além disso, decisões aparentemente pequenas podem gerar impactos relevantes no custo operacional e no ciclo de vida do edifício.
Assim, fica claro que eficiência operacional também é design.

O hotel contemporâneo busca autenticidade e bem-estar
Atualmente, a hotelaria brasileira passa por uma transformação importante. Muitos projetos estão se afastando da padronização genérica e valorizando a autenticidade.
Nesse contexto, ganham destaque temas como biofilia, conforto sensorial, integração entre trabalho e lazer e flexibilidade de uso.
Ao mesmo tempo, os hotéis se posicionam cada vez mais como espaços de convivência urbana. Lobbies, restaurantes e áreas comuns deixam de ser apenas espaços de apoio. Agora, tornam-se ambientes de encontro, trabalho e socialização.
Esse movimento dialoga com uma reflexão mais ampla sobre hospitalidade. Cada vez mais, o valor da experiência está ligado ao significado que o espaço transmite. Esse tema foi explorado também no artigo O futuro da hospitalidade não é mais confortável — é mais significativo.
O que a trajetória da Lubianca ensina ao mercado

Os projetos da Lubianca mostram que a arquitetura pode desempenhar um papel estratégico na hotelaria.
Quando o conceito nasce da leitura correta do lugar, a identidade se traduz em experiência. Além disso, quando a operação é considerada desde o início, o hotel ganha consistência.
E consistência significa algo essencial para a hospitalidade: relevância.
No final, o hóspede não se lembra apenas do acabamento ou da decoração. O que permanece é a sensação de estar em um espaço que acolhe, orienta e comunica com clareza.
Talvez por isso a definição dada por Ana Paula Lubianca seja tão precisa: “a arquitetura é o que transforma hospedagem em experiência, traduzindo identidade, acolhimento e memória em espaço.”
(*) Crédito das fotos: Carlos Macedo e Yuri Panichi





