InícioNEGÓCIOSMercadoEndividamento tem estabilidade no 1º tri, aponta CNC
Evento FOHB
Best Western - OTAs
Slaviero hospitalidade

Endividamento tem estabilidade no 1º tri, aponta CNC

De acordo com levantamento divulgado pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), o endividamento teve estabilidade no primeiro trimestre de 2023. O mês de março terminou com 78,3% das famílias endividadas, mesmo índice de fevereiro. Um dos destaques da pesquisa é o percentual de renda comprometida com dívidas, que ficou em 29,9% do rendimento das famílias, menor patamar desde fevereiro de 2020.

O nível de inadimplência caiu pela quarta vez consecutiva e atingiu 29,4% das famílias. O resultado representa retração de 0,4% em março. “A Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) é, hoje, um dos principais indicadores da saúde econômica do Brasil, pois identifica quais os principais gargalos para a melhoria das condições financeiras da população brasileira”, afirma José Roberto Tadros, presidente da CNC.

Recentemente, Izis Ferreira, economista da CNC responsável pela pesquisa, apresentou os estudos a Gabriel Galípolo, secretário executivo do Ministério da Fazenda, para auxiliar no desenvolvimento do programa Desenrola, que terá o objetivo de reduzir o endividamento e a inadimplência das famílias que ganham até dois salários mínimos.

Superendividamento parece estável

Do total de famílias que relataram ter dívidas a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e casa), 17,1% consideravam-se muito endividadas, indicador que também se manteve inalterado no recorte mensal, após duas altas consecutivas. “O endividamento dos consumidores vem apontando moderação desde outubro, cresceu entre janeiro e fevereiro, com orçamentos apertados pelas despesas típicas do início do ano, e encerrou o trimestre em estabilidade”, explica Izis.

Ainda segundo a economista, a melhora da renda disponível com a evolução positiva do mercado de trabalho e a desaceleração da inflação atenuaram os indicadores de inadimplência. “Apesar disso, que tem dívidas atrasadas há mais tempo continua com dificuldades de sair da inadimplência por causa dos juros elevados”, destaca.

A pesquisa mostrou também que a proporção de consumidores sem condições de pagar dívidas atrasadas de meses anteriores chegou a 11,5% do total em março, com ligeira queda de 0,1% em relação ao mês anterior, mas apresentou o maior nível desde novembro de 2020, no comparativo entre as médias trimestrais.

Mais pobres estão menos endividados

A redução da contratação de dívidas em março aconteceu principalmente entre os consumidores nas duas primeiras faixas de renda, de até três salários mínimos e de três a cinco salários mínimos. Nas faixas de maior renda, ou seja, entre cinco e dez salários mínimos ou acima disso, a proporção de endividados cresceu. Izis ponta que esse cenário é resultado do maior consumo de serviços pelos mais ricos.

O indicador de dívidas atrasadas também diminuiu para os dois grupos considerados mais pobres, enquanto avançou nos de renda mais alta. “O Bolsa Família com valores maiores e as contratações formais de pessoas com menor nível de escolaridade têm auxiliado as famílias de menor renda no pagamento de dívidas”, analisa a economista. Apesar disso, a pesquisa da CNC demonstrou que o volume de famílias com dívidas atrasadas aumentou em todas as faixas de renda.

O percentual de consumidores com dívidas atrasadas nos meses anteriores também encerrou o trimestre com queda entre os mais pobres, mas avançou 1,1% no recorte anual, nas duas primeiras faixas de renda. Nesse grupo, o resultado também foi acompanhado de queda do comprometimento da renda. Os consumidores que recebem até três salários mínimos fecharam o trimestre dedicado 30,9% da renda para pagar dívidas, o menor percentual desde junho de 2021. Ou seja, a cada R$ 1 mil, gastaram R$ 309,00 para quitar débitos com instituições financeiras.

Por outro lado, a parcela média da renda dos mais ricos comprometida com dívidas aumentou 0,4% entre os que recebem de cinco a dez salários, atingindo 29,4%, e 0,3% entre os consumidores com mais de dez salários mínimos, chegando a 27% da renda comprometida.

Cresce número de inadimplentes a mais de 90 dias

Mesmo com negociações, a cada 100 consumidores com dívidas atrasadas, 45 chegaram em março com atrasos por mais de 90 dias. “Ou seja, quem tem dívidas atrasadas, acumuladas de meses anteriores, acaba com maior dificuldade de pagá-las, pois com os juros mais altos, o valor da dívida aumenta consideravelmente ao longo do tempo”, comenta Izis.

A economista observa que a alta da proporção de consumidores com dívidas atrasadas por mais de três meses mantém aceso o alerta para a necessidade de renegociações e monitoramento do sucesso das dívidas renegociadas pelas instituições financeiras. Conforme ela, as concessões de crédito aos consumidores estão desacelerando, mas permanecem elevadas, e há deterioração da qualidade dos recursos que estão sendo contratados.

Realgems amenities