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Por que investidores já tratam ESG como critério de avaliação na hotelaria? Porque o Guia ESG para Investimentos Alternativos, publicado pela ABVCAP em parceria com a KPMG em junho de 2026, mostra que critérios ambientais, sociais e de governança já integram a due diligence, o monitoramento e a decisão de investimento em ativos alternativos, e cita hospedagem entre os setores com protocolos específicos de avaliação ESG. Na prática, tendem a ser analisados sob a mesma régua de risco, evidência e governança aplicada a qualquer outro ativo institucional.
Quando um hotel busca investidor, financiamento ou comprador, as perguntas sobre ESG já fazem parte da conversa. E cada vez mais, quem pergunta espera ver números, não apenas intenções.
O Guia ESG para Investimentos Alternativos, publicado pela ABVCAP em parceria com a KPMG em junho de 2026, descreve como critérios ambientais, sociais e de governança se consolidam como ferramenta de gestão e análise em investimentos alternativos. O documento, uma nova edição do guia ESG da associação, reúne diretrizes voltadas a investidores, gestoras de fundos e empresas investidas, cobrindo todo o ciclo de vida de um investimento, da origem à saída.
Para o setor hoteleiro, essa mudança de peso importa diretamente. Hotéis, redes e ativos de hospitalidade costumam ser financiados justamente pelo tipo de capital que esse guia orienta: fundos de private equity, venture capital, crédito privado e infraestrutura, com horizonte de investimento longo e liquidez limitada. Nesse universo, ESG deixou de ser um adendo reputacional e passou a integrar a régua com que o capital mede risco e retorno.
O que mudou na avaliação de investimentos
A integração ESG hoje atravessa todas as etapas do ciclo de investimento: origem e seleção de oportunidades, due diligence, decisão de investimento, monitoramento das investidas e definição de estratégias de saída.
Na União Europeia, o Sustainable Finance Disclosure Regulation (SFDR) classifica hoje os fundos conforme o grau de integração ESG, dos que não incorporam esses fatores de forma sistemática aos que perseguem, de forma explícita, resultados socioambientais mensuráveis. O regulamento está em revisão, com novas categorias em debate no bloco, mas a direção não muda: investidores institucionais europeus usam essa régua para decidir onde alocar recursos e tendem a pressionar também fundos estrangeiros a adotar estruturas compatíveis.
No Brasil, a autorregulação da ANBIMA caminha na mesma direção, com regras de transparência para fundos que se declaram ESG e monitoramento contínuo das gestoras associadas.
Na prática, o guia recomenda que o memorando de investimento apresentado ao comitê responsável pela decisão traga um resumo ESG, com classificação de risco, conclusões da due diligence, lacunas identificadas frente a normas relevantes, oportunidades de criação de valor e estimativa de custos e prazos para tratar essas lacunas. Em fundos que seguem essas diretrizes, o tema entra na mesa antes da assinatura do contrato.
Por que isso importa para a hotelaria
O ponto mais direto do guia para o setor hoteleiro aparece no capítulo sobre due diligence integrada. Entre os protocolos setoriais específicos disponibilizados pela British International Investment (BII), hospedagem aparece nominalmente ao lado de agricultura, educação, alimentos e bebidas, engenharia e construção, saúde, infraestrutura, manufatura, energia e telecomunicações, entre outros.
Isso quer dizer que hospedagem não é tratada como um setor genérico, onde qualquer critério ESG serve. Segundo o guia, uma das abordagens mais comuns na avaliação é a matriz de materialidade, que cruza os temas ESG mais relevantes para cada setor com o nível de exposição e a capacidade de gestão da empresa. Na hotelaria, esses temas tendem a incluir consumo de água e energia, gestão de resíduos, relação com comunidades locais e cadeia de fornecedores.
Para redes, fundos imobiliários e operadores que buscam capital de private equity, infraestrutura ou crédito privado, essa especificidade setorial muda o padrão de exigência. Não basta mencionar sustentabilidade no memorando de venda ou no relatório anual. É preciso responder ao protocolo que o investidor já está acostumado a aplicar.
O investidor quer evidências

Colher e divulgar métricas não basta. O guia é direto nesse ponto: a credibilidade das informações reportadas a investidores institucionais depende de dados que podem ser rastreados ao longo do tempo, comparados de forma consistente e revisados por alguém de fora da própria gestora.
Isso se traduz em documentos e processos que já fazem parte do vocabulário de fundos mais maduros: o ESMS (Environmental & Social Management System), que estrutura políticas e responsabilidades ao longo de todo o ciclo de investimento; o ESDD (Environmental & Social Due Diligence), aplicado a qualquer empresa investida, incluindo operações de pequeno e médio porte; e o ESAP (Environmental and Social Action Plan), o plano de ação que nasce das lacunas identificadas e passa a integrar os contratos da transação.
A profundidade da análise varia conforme o risco. A categorização usada pela International Finance Corporation (IFC), por exemplo, separa empresas por nível de risco ambiental e social: as de maior risco exigem estudos especializados e acompanhamento intensivo pós-investimento; as de risco limitado passam por diligências mais focadas nos pontos materiais.
Independentemente da categoria, o padrão se repete: o investidor não pergunta apenas se a operação pratica sustentabilidade. Pergunta como isso é medido, quem verifica e com que frequência.
ESG também é criação de valor
O guia trata ESG não apenas como mitigação de risco, mas como alavanca direta de valor, em duas frentes. De um lado, redução de custos e passivos: uso mais eficiente de recursos como água e energia, prevenção de passivos ambientais, maior resiliência operacional e acesso facilitado a capital. De outro, geração de receita: novos produtos ligados à sustentabilidade, atração e retenção de talento, ganho de competitividade por posicionamento de marca e maior engajamento da força de trabalho.
Investidores institucionais já tratam esse tipo de resultado como algo a ser monitorado formalmente. O documento cita a prática crescente de vincular parte da remuneração variável das próprias equipes de gestão de fundos a indicadores ESG específicos e auditáveis, como metas de clima, segurança ou diversidade.
Para ativos hoteleiros, isso se conecta a algo concreto: o guia aponta que práticas ESG bem estruturadas podem se tornar elemento-chave para a valoração e a liquidez do investimento no momento da saída. Em outras palavras, a maturidade ESG de um hotel ou de uma rede pode pesar diretamente no valor de venda do ativo, não apenas na percepção de marca.
O que um investidor vai pedir ao seu hotel
Na due diligence, a conversa sai do discurso e vai para os documentos. O próprio guia traz uma tabela de indicadores recomendados conforme o porte da empresa investida. Traduzidos para a operação hoteleira, eles incluem:
- Consumo de energia e água, taxa de reciclagem e plano de eficiência energética
- Inventário de emissões de gases de efeito estufa
- Políticas de direitos humanos, saúde e segurança do trabalho, com taxa de acidentes e rotatividade
- Políticas de compliance, ética e anticorrupção, com canal de denúncias
- Relação com a comunidade e o destino, como emprego e compras locais
- Governança do tema: quem responde por ele e com que frequência reporta
- Verificação independente dos dados e certificações reconhecidas
Quando esses dados estão espalhados em planilhas e e-mails, o investidor encontra lacunas, e cada uma vira uma pendência no contrato, com prazo para resolver. E a cobrança não acaba na assinatura: o hotel continua prestando contas sobre esses temas depois do investimento.
O papel da certificação ESG
Entre as práticas recomendadas para empresas investidas mais maduras, o guia cita a adoção de certificações setoriais reconhecidas, ao lado de relatórios de sustentabilidade alinhados a padrões internacionais, definição de indicadores-chave mensuráveis e criação de comitês internos dedicados ao tema.
A certificação, nesse contexto, não funciona como selo isolado para comunicação externa. Funciona como instrumento de organização: obriga a empresa a estruturar indicadores, documentar critérios e submeter sua operação a verificação por parte independente, exatamente o tipo de evidência que devolve confiança a investidores e reduz o risco de questionamento sobre greenwashing.
Para a hotelaria, isso significa que a certificação ESG deixa de ser apenas um diferencial de reputação diante do hóspede e passa a funcionar como resposta direta ao protocolo de due diligence que fundos e investidores já aplicam ao setor.
A comprovação como novo padrão
O Guia ESG para Investimentos Alternativos confirma, com o peso de duas instituições de referência do mercado de capital privado brasileiro, algo que já vinha se desenhando no setor hoteleiro: sustentabilidade migrou da comunicação para o balanço, e do discurso para o processo de decisão de investimento.
A questão já não é apenas se o hotel adota práticas sustentáveis, mas se consegue comprová-las de forma estruturada para investidores, parceiros e mercado.
Sua operação está preparada para ser analisada sob a ótica ESG dos investidores?
Sobre a ESG Pulse
A ESG Pulse é uma certificadora ESG especializada em turismo e eventos. Sua plataforma reúne certificação, diagnóstico de maturidade, indicadores e monitoramento, rastreabilidade de evidências e inventário de carbono para hotéis, redes e destinos.
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ESG Pulse. Responsabilidade que gera valor.
(*) Crédito das fotos: Divulgação





