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Fundos sustentáveis ampliam oportunidades na hotelaria

Com a agenda ESG (Environmental, Social and Governance) cada vez mais presente nos planos de expansão e investimento de setores como a hotelaria, os fundos sustentáveis começam a ganhar força no mercado brasileiro. Após um período marcado por dúvidas sobre rentabilidade e impacto efetivo, a indústria entra em uma fase de crescimento mais consistente, impulsionada por resultados, maior maturidade regulatória e pela entrada de grandes gestoras, aponta o NeoFeed.

Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que os fundos classificados como IS (Investimento Sustentável) alcançaram patrimônio líquido de R$ 45,9 bilhões em abril de 2026. O montante era de R$ 28,1 bilhões no fim de 2024 e de apenas R$ 7,5 bilhões em dezembro de 2023.

Além da expansão do patrimônio, o número de fundos IS saltou de 92 para 202 em pouco mais de dois anos. Somados a outros produtos ligados à sustentabilidade, esses ativos se aproximam de R$ 60 bilhões e reúnem mais de 330 mil investidores.

O crescimento ocorre em um momento em que o mercado já dispõe de histórico suficiente para avaliar o desempenho dessas estratégias. Para Carlos Takahashi, diretor da Anbima, os resultados ajudam a derrubar a percepção de que critérios ESG comprometem a rentabilidade. “Acreditamos que a diferença ocorre mais no longo prazo, mas essa janela já mostra resultados bem positivos”, afirma.

Segundo a entidade, cerca de metade dos fundos IS com rentabilidade nos últimos 12 meses superou o CDI, de 14,8%. No mesmo período, os fundos de renda fixa registraram retorno médio de 11,9%, enquanto os multimercados alcançaram 13,7%.

Fundos sustentáveis e hotelaria

Em entrevista ao Hotelier News, Ana Paula Arbache, CEO da Arbache Consulting e fundadora da Comunidade Aliança ESG para a Hospitalidade, destaca que o setor hoteleiro passou a despertar maior interesse do mercado financeiro diante do crescimento expressivo do turismo internacional no Brasil.

“O primeiro ponto é que a indústria está se tornando visível para o mercado financeiro e atrativa para os investimentos. Mas todo investimento, por si só, possui riscos, e quanto mais isso for mitigado, melhor. É aí que o ESG aparece, colaborando para amadurecer a governança por meio de indicadores que precisam ser cumpridos, fazendo com que os investidores se sintam mais confortáveis em apostar na hotelaria”, explica.

Ana Paula Arbache
Executiva analisa relação dos fundos sustentáveis com o setor

Segundo a consultora, a expansão dos fundos sustentáveis tende a refletir diretamente na hotelaria e estimular, inclusive, a modernização de produtos em diferentes segmentos. “Já acompanho hotéis que estão há anos fazendo essa jornada, montando conselho, trazendo indicadores de sustentabilidade, fazendo auditorias internas e externas, e lideranças que estão executando um bom trabalho de comunicação, aumentando a percepção de que é um bom negócio apostar no setor”, complementa.

Para ela, esse movimento acompanha a aproximação entre o mercado financeiro e a indústria do turismo, além da crescente percepção das viagens e da hotelaria como experiências ligadas ao bem-estar, ao contato com a natureza, à curiosidade e à descoberta de novos destinos.

“É um público que quer compartilhar propósitos e ter conexões mais profundas. E se os fundos sustentáveis quiserem aproveitar esse novo contexto, é uma boa oportunidade. O que será um fator crítico é o nível de maturidade da governança da hotelaria, que ainda não percebeu que o ESG surgiu no mercado financeiro, fala de dinheiro e busca retorno sobre o investimento”, salienta Ana Paula.

Segundo a executiva, quando as políticas ESG estão integradas à estratégia do negócio e atuam como aliadas na captação de recursos verdes, acompanhadas por uma governança mais profissionalizada, o cenário se torna ainda mais favorável.

“É importante que o ESG protagonize essas conversas e faça com que esses fundos sustentáveis ajudem a tracionar uma governança mais madura, profissionalizada e, sim, buscando retorno”, conclui.

Crescimento dos fundos

A renda fixa lidera essa nova fase do mercado. Dos R$ 45,9 bilhões administrados pelos fundos IS, R$ 33,9 bilhões estão concentrados nessa classe de ativos. O movimento acompanha a expansão do crédito privado e reforça o uso dos critérios ESG como ferramenta de gestão de risco.

A SulAmérica Investimentos também observa o fortalecimento desse segmento. “O investidor percebeu que dava para unir o retorno atrativo da renda fixa com o financiamento de emissores de boas práticas socioambientais e isso traz um bom retorno”, afirma Daniela Gamboa, head de Crédito Privado da companhia.

Além do avanço doméstico, gestoras apontam que o Brasil tem potencial para atrair mais capital estrangeiro voltado a temas como transição energética, bioeconomia, crédito de carbono e infraestrutura sustentável — áreas que dialogam diretamente com projetos desenvolvidos pela hotelaria e pelo turismo.

Apesar da expansão, os fundos sustentáveis ainda representam menos de 1% do patrimônio total da indústria de fundos. Para Takahashi, o potencial de crescimento segue elevado. “Não tenho dúvida de que a perspectiva não é só manter, mas exponencializar o crescimento do patrimônio em fundos sustentáveis, que serão relevantes na indústria pelo potencial que o Brasil tem”, finaliza.

(*) Crédito das fotos: Divulgação

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