A hotelaria brasileira tem apresentado desempenho robusto, com expansão de capacidade instalada, incremento de receita e maior participação em fluxos internacionais de turistas — fatores que reforçam a importância econômica do setor (IBGE, 2025; MTur/FOHB, 2024). Ao mesmo tempo, vivemos uma convergência regulatória global que torna central a qualidade da governança corporativa.
A Resolução CVM nº 193/2023 incorpora os padrões IFRS S1 – General Requirements for Disclosure of Sustainability-related Financial Information e IFRS S2 – Climate-related Disclosures ao arcabouço regulatório brasileiro, orientando a elaboração de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade de acordo com referências internacionais (CVM, 2023; ISSB, 2023a; ISSB, 2023b). Essa exigência não deve ser vista como mero requisito de conformidade, mas como evolução do ambiente de governança empresarial — conexão direta entre reporte, estratégia e proteção ao acionista.
A adoção de padrões internacionais de disclosure permite reduzir assimetrias informacionais, aumentar a comparabilidade entre empresas e sustentar a previsão de riscos financeiros de natureza climática e socioambiental, os quais podem impactar diretamente os fluxos de caixa, valuation e apetite ao risco (UNIÃO EUROPEIA, 2022). Para investidores institucionais, esses indicadores representam sinais de maior previsibilidade e de transparência na gestão de riscos sistêmicos.
A governança corporativa, nesse contexto, passa a ter papel estrutural. Conselhos de administração e comitês técnicos precisam:
- compreender cenários de risco físico e de transição;
- integrar métricas ESG ao planejamento estratégico;
- articular processos de supervisão contínua;
- assegurar adesão a padrões internacionais de reporte.
Conselhos sem preparo técnico em sustentabilidade apresentam maior risco de lacunas no controle de riscos emergentes, potencializando volatilidade reputacional e financeira (ARBACHE, 2025).
O setor de hotelaria, marcado por ativos intensivos em capital e vulnerável a choques climáticos, exige decisões estratégicas que considerem métricas internacionais, taxonomias de sustentabilidade e modelagem de risco climático. A adoção de práticas de governança alinhadas a IFRS S1/S2 e aos critérios da Taxonomia Sustentável Brasileira amplia a competitividade das empresas brasileiras perante os mercados globalizados ao mesmo tempo em que diminui a exposição ao risco (BRASIL, 2023).
Em suma, a governança corporativa que incorpora padrões internacionais é diferencial competitivo — reduzindo risco sistêmico, elevando a confiança de investidores e fortalecendo a capacidade de criação de valor sustentável para o acionista.
Referências Bibliográficas
ARBACHE, Ana Paula. Governança climática e criação de valor na hotelaria brasileira: convergência regulatória, governança técnica e proteção ao acionista. Artigo técnico. São Paulo, 2025.
BRASIL. Ministério da Fazenda. Taxonomia Sustentável Brasileira: Plano de Ação para o Desenvolvimento Sustentável . Brasília: Ministério da Fazenda, 2023.
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Resolução CVM nº 193, de 20 de outubro de 2023. Rio de Janeiro: CVM, 2023.
FÓRUM DE OPERADORES HOTELEIROS DO BRASIL (FOHB). Hotelaria nacional projeta R$ 8,4 bi em investimentos até 2028. Brasília: MTur/FOHB, 2024.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Indicadores de crescimento do turismo no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2025.
INTERNATIONAL SUSTAINABILITY STANDARDS BOARD (ISSB). IFRS S1 – General Requirements for Disclosure of Sustainability-related Financial Information. London: IFRS Foundation, 2023a.
INTERNATIONAL SUSTAINABILITY STANDARDS BOARD (ISSB). IFRS S2 – Climate-related Disclosures.London: IFRS Foundation, 2023b.
UNIÃO EUROPEIA. Directive (EU) 2022/2464 of the European Parliament and of the Council of 14 December 2022 as regards corporate sustainability reporting (CSRD). Brussels: Official Journal of the European Union, 2022.
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- Premiada Global e Nacional 2023 SDG Pioneer Global Compact e Pacto Global Brasil em Nova Iorque/Brasil.
- Premiada Selo Diversidade e Direitos Humano 5ª e 6ª Edição – Prefeitura de São Paulo – 2022,2023.
- Premiada com Menção Honrosa Voluntária 2023 – Rede de Governança Brasil Comitê Educação 2021/2923
Pós-doutora e Doutora em Educação, PUC/SP. Mestre em Educação, UFRJ. Especialista Psicopedagoga, CES, Pedagoga UFJF. Certificada MIT PE/EUA: Challenges of Leadership in Teams; Leading Innovative Teams.
Docente convidada MBAs FGV/IDE. Learning Facilitador do Programa de Liderança na Inovação e Mulheres na Liderança do MIT PE.CEO da Arbache Consulting educação e negócios em sustentabilidade, ESG, liderança, ética corporativa, educação corporativa e liderança empreendedorismo e inovação.
Criadora e coordenadora do Programa de Formação de Talentos em ESG para Hotelaria com a Resorts Brasil. Consultora Senior Independente da Associação Resorts Brasil em ESG.
Senior Advisor em ESG de empresas e negócios na hospitalidade e relatório técnicos: Cartilha ESG Resorts Brasil e Guia ESG para Viagens e Eventos Corporativos Alagev. Co-criadora e Curadora do Eventos Hotel Trends ESG.
Fundadora e presidente do conselho do coletivo Hubmulher. Co-fundadora e conselheira Hub ESG Alagev. Presidente do Conselho da comunidade de lideranças inovadoras Knowledge Hub.
Publicações: Projetos Sustentáveis Estudos e Práticas Brasileiras I e II, Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos, A crise e o impacto na carreira (2015), O RH Transformando a Gestão – Editora FGV – Org. (2018). Carreira Feminina (2020), Responsabilidade Social e Diversidade, Editora FGV (2021), Diversidade & Inclusão: casos práticos (2023), Mulheres na Governança (2025), Mulheres que inspiram: relatos inspiradores em STEM (2025). Mentora Carreira para Executivos. Palestrante em encontros nacionais e internacionais.
(*) Crédito da foto: Divulgação

















