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Grupo Habita é eleito Hoteleiro do Ano de 2026

A escolha do Grupo Habita como Hoteleiro do Ano de 2026 pela Hospitality Design reconhece uma forma de pensar hospitalidade em que arquitetura, cultura local, comportamento e experiência caminham juntos desde a concepção do projeto.

Em um mercado pressionado por escala, padronização e eficiência, o Grupo Habita construiu seu valor por outro caminho: a singularidade. Seus hotéis não seguem uma fórmula pronta. Cada propriedade nasce de uma leitura específica do lugar, do edifício, da paisagem, da cidade e das pessoas que irão ocupar aquele espaço.

Essa talvez seja a principal razão pela qual o grupo foi considerado Hoteleiro do Ano. O reconhecimento está na capacidade de transformar hotéis em plataformas culturais, urbanas e sensoriais.

O Grupo Habita é uma famosa rede mexicana de hotéis-butique

Grupo Habita e a construção de uma hotelaria com identidade

Fundado no México por Carlos Couturier e pelos irmãos Jaime, Moisés e Rafael Micha, o Grupo Habita nasceu com uma visão clara: criar hotéis capazes de expressar o espírito do lugar sem cair no óbvio.

Desde o primeiro Hotel Habita, inaugurado em 2000 no bairro de Polanco, na Cidade do México, o grupo passou a trabalhar a hospedagem como uma experiência de pertencimento, não apenas como serviço.

O que chama atenção é que seus projetos não tentam apagar o contexto para impor uma marca. Ao contrário, partem dele. Em muitos casos, edifícios existentes, histórias urbanas, paisagens naturais e elementos culturais são reinterpretados por meio da arquitetura, do design de interiores, da gastronomia e da operação.

Na prática, é uma hotelaria que entende que o hóspede contemporâneo não busca apenas conforto. Ele busca significado. Quer sentir que está em algum lugar específico, com identidade própria, e não em uma versão genérica de luxo que poderia existir em qualquer cidade do mundo.

Design como estrutura da experiência

Essa abordagem aparece em diferentes projetos do Grupo Habita. La Purificadora, em Puebla, ocupa uma antiga construção ligada ao processamento de água e transforma memória industrial em experiência contemporânea.

Já o Hotel Terrestre, em Puerto Escondido, trabalha a relação com a natureza, a energia solar, o silêncio e o ritmo do lugar como parte essencial da estadia. O Hotel Sevilla, em Mérida, parte de uma residência histórica para criar um diálogo entre passado, intervenção contemporânea e hospitalidade.

Em todos esses exemplos, o design não funciona como camada estética aplicada ao final do projeto. Ele é a estrutura da experiência.

Está na escolha do imóvel, na forma como a luz entra, nos materiais, nos percursos, nas pausas, nos vazios e nos encontros. Também está na maneira como o hóspede percebe o espaço antes mesmo de racionalizar o que está sentindo.

Hotéis da rede com arquitetura autoral e foco em experiência

Por que o Grupo Habita foi eleito Hoteleiro do Ano

Esse ponto é essencial para a hotelaria atual. Durante muito tempo, o setor associou qualidade à padronização. A repetição garantia previsibilidade, controle e eficiência.

No entanto, o crescimento da hotelaria de experiência mostra que o valor também pode estar na diferença. Para isso, essa diferença precisa ser bem construída, bem operada e coerente com a promessa da marca.

O Grupo Habita parece entender isso com precisão. Seus hotéis não são apenas produtos imobiliários, nem apenas objetos de design. Eles funcionam como ecossistemas de experiência.

Além disso, reúnem arquitetura, arte, gastronomia, cultura, comunidade e comportamento em uma narrativa única.

Por isso, o prêmio também pode ser lido como um sinal de mudança no próprio conceito de excelência hoteleira. Ser um grande hoteleiro hoje significa criar relevância cultural, gerar desejo, fortalecer destinos e construir memórias.

O luxo contemporâneo está na curadoria

Há ainda outro ponto importante. O Grupo Habita mostra que o luxo contemporâneo não está necessariamente no excesso.

Ele pode estar na curadoria, no silêncio, na escolha precisa dos materiais, na relação com a paisagem, na escala humana, na autenticidade do lugar e na sensação de que nada ali é genérico.

Essa leitura dialoga diretamente com os novos desejos da hospitalidade. Afinal, muitos viajantes já não querem apenas infraestrutura impecável. Querem viver uma experiência capaz de conectar espaço, tempo, cultura e emoção.

O que a hotelaria brasileira pode aplicar

Para a hotelaria brasileira, essa leitura é especialmente provocadora. O Brasil tem uma diversidade territorial, cultural, arquitetônica e paisagística imensa. Ainda assim, essa potência nem sempre aparece como estratégia de diferenciação hoteleira.

Muitos empreendimentos poderiam ir além da reprodução de padrões internacionais. Poderiam construir experiências mais conectadas à identidade local, aos materiais regionais, à memória dos edifícios, à cultura das cidades e à paisagem de cada destino.

O caso do Grupo Habita mostra que o design, quando tratado de forma estratégica, pode transformar hotéis em destinos. Não apenas destinos turísticos, mas destinos emocionais, culturais e simbólicos.

Afinal, um hotel memorável é aquele que faz o hóspede sentir que viveu algo que não poderia acontecer da mesma forma em nenhum outro lugar.

E talvez seja exatamente por isso que o Grupo Habita tenha sido reconhecido como Hoteleiro do Ano. O grupo entendeu que a hospitalidade do futuro não será definida apenas por eficiência, tecnologia ou expansão. Será definida pela capacidade de criar lugares com alma, presença e identidade.

No fim, o Grupo Habita nos lembra que hotelaria é construir uma relação entre pessoas e lugares.

(*) Crédito das fotos: Divulgação