É verdade que 2025 teve um mês de fevereiro atípico, uma vez que os louros do Carnaval só serão colhidos em março. Ainda assim, algumas praças da hotelaria demonstraram forte desequilíbrio entre ocupação e diária média. Enquanto a demanda avançou em todas as cidades analisadas pelo FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), o tarifário recuou na mesma proporção — o que aponta para desalinhamentos na estratégia, cenário já visto em janeiro.
Primeiro, vamos aos números gerais. De acordo com dados da nova edição do InFOHB, os resultados consolidados da hotelaria registraram alta em todos os indicadores analisados frente ao mesmo período de 2024:
- Ocupação: 13,8%
- Diária média: 3,6%
- RevPar: 17,9%
Na performance regional, a ocupação subiu em todas as regiões do país:
- Centro-Oeste: 15%
- Nordeste: 8,7%
- Norte: 11,3%
- Sudeste: 15,8%
- Sul: 10,3%
Já a diária média apresentou variação negativa no Nordeste e avanços nas demais regiões:
- Nordeste: -6,5%
- Centro-Oeste: 6%
- Norte: 7,9%
- Sudeste: 3,8%
- Sul: 6,2%
Por fim, o RevPar registrou crescimento nas cinco regiões:
- Centro-Oeste: 21,8%
- Nordeste: 1,6%
- Norte: 20,1%
- Sudeste: 20,2%
- Sul: 17,2%
Resultados por categoria
O relatório do FOHB apontou para alta em ocupação em todas as categorias de hotéis:
- Econômico: 16,6%
- Midscale: 11,4%
- Upscale: 11,8%
Na diária média, apenas acréscimos foram registrados:
- Econômico: 1,4%
- Midscale: 5,7%
- Upscale: 5,2%
RevPar também subiu em todas as categorias:
- Econômico: 18,3%
- Midscale: 17,8%
- Upscale: 17,5%
Praças analisadas
Quando colocamos uma lupa nas 15 praças analisadas pelo FOHB, os desequilíbrios da hotelaria começam a aparecer. Todas as cidades apresentaram alta de ocupação, com destaque para Belém (26,7%) — destino com avanço de demanda mais significativo. O Rio de Janeiro, por exemplo, viu o indicador subir 16%, e Salvador, 9,4%.

No recorte da diária média, mesmo com a demanda aquecida, o Rio de Janeiro despencou -11,5%, em pleno verão, no mês que antecedeu o Carnaval. A mesma falha pode ser atribuída a Salvador, outro destino tradicional de alta temporada e que já vive a folia mesmo antes do feriado oficial. Em fevereiro, a capital baiana teve recuo de -19,1% em seu tarifário.

Belém aproveitou o incremento de ocupação e subiu sua diária em 8,2%. Florianópolis, que teve alta de demanda de 7,2%, elevou seu tarifário em 14,9% — o que sinaliza uma boa estratégia dos hoteleiros da ilha. São Paulo, por sua vez, apresentou avanço de 14,4% em ocupação e de 12,5% em diária média, mostrando equilíbrio em seus indicadores.
Como consequência, o RevPar de Salvador caiu -11,6%. No Rio, o indicador subiu apenas 2,7%. Por outro lado, Belém apresentou alta de 37,1%. Os números robustos da capital paraense já são um sinal do que veremos no final do ano, durante a COP 30, marcada para novembro.

As cidades com outros resultados significativos foram: Florianópolis (23,2%), Porto Alegre (24,4%), Brasília (25,2%), São Paulo (28,6%) e Campinas (36,5%).
(*) Crédito da capa: Hotelier News
(**) Crédito das imagens: Divulgação/FOHB













