O Airbnb começou a retirar de sua plataforma anúncios de imóveis classificados como HIS (Habitação de Interesse Social) e HMP (Habitação de Mercado Popular) em São Paulo. As unidades, construídas com incentivos municipais para atender famílias de menor renda, estavam sendo utilizadas como hospedagem de curta duração, em desacordo com as regras estabelecidas pela prefeitura da capital paulista.
A prática foi proibida pelo município em maio de 2025, após denúncias de irregularidades envolvendo empreendimentos aprovados com benefícios urbanísticos destinados à habitação popular. A medida determinou que imóveis enquadrados nessas categorias não poderiam ser oferecidos para aluguel de curta temporada em plataformas digitais, segundo o G1.
De acordo com o Airbnb, 773 acomodações com anúncios ativos começaram a ser removidas ontem (3). Outros 852 imóveis que já estavam inativos também serão excluídos de forma definitiva. Ao todo, a ação envolve 1.625 anúncios identificados a partir de uma lista encaminhada pela prefeitura de São Paulo.
A retirada ocorre três meses após o início de uma revisão dos imóveis cadastrados na plataforma. Em nota, a empresa afirmou que a medida atende ao decreto municipal que proibiu o uso de unidades HIS e HMP para locações de curta duração.
“Como reiterado ao longo de todo o processo, o Airbnb apoia que unidades HIS e HMP sejam destinadas às famílias que precisam delas e seguirá colaborando com a prefeitura de São Paulo no cumprimento das regras da política habitacional do município”, disse a empresa.
Airbnb informa anfitriões sobre remoção de anúncios
De acordo com o Airbnb, os proprietários dos imóveis serão comunicados sobre a retirada dos anúncios. A empresa informou ainda que o processo será contínuo e acompanhará novas atualizações das informações oficiais fornecidas pela prefeitura de São Paulo. Caso o anfitrião considere que houve erro na classificação da unidade como HIS ou HMP, a orientação é procurar os órgãos municipais responsáveis para solicitar esclarecimentos ou uma eventual correção cadastral.
A empresa afirmou também que hóspedes afetados pela medida receberão suporte para encontrar novas opções de hospedagem. “Eventuais hóspedes impactados serão comunicados e contarão com suporte do Airbnb para reservar uma nova acomodação para que não haja impacto em seus planos de viagem”, disse a companhia.
Investigação apontou uso irregular de imóveis
A restrição ao aluguel de curta duração em unidades HIS e HMP foi estabelecida pela prefeitura de São Paulo após investigações sobre possíveis fraudes na utilização de incentivos urbanísticos concedidos a empreendimentos voltados à moradia popular.
O tema ganhou destaque após a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara Municipal de São Paulo para apurar o uso de imóveis destinados à população de baixa renda por investidores e plataformas de locação temporária.
Segundo o relatório final da comissão, aprovado em maio, a cidade teria deixado de arrecadar R$ 5,1 bilhões entre 2014 e 2025 em razão de fraudes e desvios relacionados à política de incentivos fiscais para incorporadoras.
A investigação apontou que milhares de unidades construídas com benefícios públicos e destinadas originalmente a famílias de baixa renda acabaram sendo adquiridas por investidores.
Entre as propostas apresentadas pela CPI estão a limitação da compra de unidades HIS e HMP a um imóvel por CPF e a criação de mecanismos mais rígidos de fiscalização sobre empreendimentos beneficiados por incentivos municipais.
Aluguel de curta duração no Airbnb gera debates em São Paulo
A remoção dos anúncios de imóveis HIS e HMP ocorre em meio a uma discussão mais ampla sobre o avanço do aluguel de curta duração em áreas residenciais de São Paulo. Um dos casos que chamou atenção envolve o Edifício Copan, um dos prédios mais conhecidos da capital paulista. O edifício passou a registrar uma presença significativa de unidades anunciadas em plataformas como o Airbnb, gerando reclamações de moradores relacionadas à circulação frequente de hóspedes, às regras internas do condomínio, à segurança e à mudança no perfil de ocupação do prédio.
O caso do Copan faz parte de um debate mais amplo sobre a regulamentação da locação de curta temporada em grandes centros urbanos, em busca de um equilíbrio entre a oferta de hospedagem alternativa e a preservação do uso residencial de determinados imóveis.
Em São Paulo, a expansão das plataformas digitais de hospedagem tem colocado em discussão temas como fiscalização, convivência entre moradores e visitantes, impacto sobre condomínios e o papel desses imóveis no mercado habitacional da cidade.
(*) Crédito da foto: Divulgação














